Cada vez mais existe um crossover entre o mundo dos filmes/séries e o dos videojogos. Com inúmeras adaptações, são poucas as que realmente compensam o esforço que é posto nos produtos. Com um ênfase na vertente cinematográfica, é por vezes difícil encontrar o “mundo” para lá do filme (pois estes, muitas vezes não são baseados em livros), o que acaba por acontecer é que se repete o mesmo caminho, sem tirar nem pôr, acrescentando zero ao produto que era suposto ser diferente mas acabou por ser igual.

Tendo isto em conta, a Bloober Team tem um carinho especial por Blair Witch, filme (de terror) que marcou uma geração, pois na altura a difusão da informação era muito mais reduzida, pelo que se criou o mito urbano de que o que estávamos a ver, era real. Obviamente foi desmentido, no entanto, o estatuto de culto manteve-se, tanto se manteve que ainda nos dias de hoje é referido como O filme no que toca ao género found footage. Assim sendo, encontramos aqui uma tentativa de recrear a atmosfera que tanto aterrorizou alguns espectadores, sendo que esta se apresenta como um produto que prolonga a sua estadia, em vários pontos.

Em termos de atmosfera, Blair Witch é imaculado, apresenta-se de forma subtil, deixando-nos explorar o terreno durante o dia. Atrevo-me até a dizer que a atmosfera de Blair Witch é das melhores num videojogo de terror no que toca a suspense. A preparação para o terror é bem feita, desde o desenrolar do cenário ao surgimento dos monstros.

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Blair Witch

Os gráficos estão bem conseguidos, não necessitando de grande detalhe, e o som é quase palpável, mantendo uma melodia de baixo volume, de forma ambiente, que nos vai assombrando ao longo da caminhada.

Chegamos à famosa floresta onde se desenrolaram os acontecimentos do filme, procurando um rapaz chamado Peter, tendo este desaparecido. Além do tempo solarengo temos ainda companhia humana através de um walkie talkie e um telemóvel que nos ajudam a manter contacto com as patrulhas de busca e o xerife local. O nosso objectivo será, através de puzzles e cassetes perdidas, descobrir quem é que sequestrou Peter.

Além de podermos explorar a floresta, vamos descobrindo as mecânicas que nos ajudam a desvendar os mistérios, utilizando o nosso fiel companheiro Bullet. Bullet é bastante bem integrado com o desenvolvimento da história, sendo que este não só serve como bússola mas também dá indícios de que algo está para acontecer. Por vezes não dá os melhores indícios, visto que o meu jogo encravou três vezes a tentar dar-lhe festas (podia ser uma mensagem subliminar para não nos afeiçoarmos ao cão mas é mesmo porque está mal feito), o que me levou a voltar atrás três vezes. Não obstante, Bullet é um ser pelo qual demonstramos preocupação, o que contribuiu para o pânico mental criado, não só tememos por nós, tememos também pelo nosso fiel companheiro.

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Além de Bullet teremos também uma câmara de filmar, cuja utilização permite manipular a realidade, ou seja, de acordo com alguns destaques das gravações, fazemos objectos aparecerem na vida real, como por exemplo um carro da polícia. Esta mecânica apresenta-se como inconclusiva visto que o seu uso é limitado, ou seja, não é utilizada vezes suficientes para sabermos que é naquele tipo de situações que a temos de usar, resultando em momentos gastos a tentar usar a câmara quando é preciso outro tipo de solução.

Blair Witch

Ainda no cenário de não saber o que usar, muitas vezes damos por nós sem rumo, sem saber o que fazer pois até Bullet não sabe o que procurar, levando este tipo de situações ao pico, portas sem chave, objectivos sem direcção, todo um festival sem rumo. É aqui que o jogo se torna algo entediante, ou seja, a atmosfera é excelente, mas remói até ao ponto em que andamos por andar e ficamos cansados de estar a andar, o que me levou a algumas vezes jogar por jogar, ao invés de jogar porque estou interessado.

Blair Witch encontra-se disponível nas plataformas PlayStation 4, Xbox One e Steam.

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