Para quem já jogou a saga SoulsBorne, viu-se desafiado em maneiras que nenhum jogo já o tinha conseguido. Após terminar essa saga, vejo-me num constante dilema de ponderação antes de jogar qualquer jogo. Isto porque um jogo, para mim, tem de ser um desafio. Mesmo que seja algo como Minecraft, o mesmo tem de criar uma percepção de ultrapassagem de obstáculo. Senão um jogo seria o mesmo que uma série, algo passivo (admito, no entanto, que existem filmes/séries que desafiam a mente). Em Blasphemous, encontramos uma forte inspiração nesta saga.

Soulsbourne

É verdade que muitos jogos são apelidados de Souls-like apenas por serem difíceis ou por não os podermos interromper, entre outros aspectos individuais que caracterizam os Soulsborne. Blasphemous, no entanto, eleva a inspiração a outro nível, tal como no primeiro Dark Souls: não encontramos sequer uma réstia de luz. Mesmo os comerciantes são macabros, fazendo-nos questionar se devíamos mesmo adquirir produtos lá.

Neste jogo encarnamos um Penitente (alguém que se arrepende de ter cometido um pecado), pelo que somos encarregues de completar certos rituais apelidados de The Three Humiliations, com o objectivo de alcançarmos o Cradle of Affliction. Pois à medida que vamos ultrapassando os rituais, novos inimigos aparecem, ainda mais difíceis, para nos lembrarmos que não somos mais que ninguém no mundo mórbido de Blasphemous.

Blasphemous

Dificuldade Acima do Esperado

Quando disse que isto se inspira fortemente na saga Soulsborne, não estava a exagerar. Ao contrário dos tradicionais metroidvania em que os jogadores caem nas armadilhas mas conseguem recuperar, aqui irão deparar-se com armadilhas que vos vão criar cabelos brancos. Isto porque quando caírem, não vão conseguir sair. Estas armadilhas estão espalhadas pelo mundo de Cvstodia, onde um passo errado pode custar literalmente a nossa vida. Além das armadilhas, temos ainda vários puzzles para completar, para nos irmos distraindo de toda a matança que vamos causando.

Mecânicas de Jogo

O combate é bastante straightforward, oferecendo-nos as opções de atacar, deslizar (não é um barrell roll) e fazer parry (o timing está impecável e só falham se forem azelhas, como eu). Prefiro a velha táctica de deslizar o suficiente até queimar as calças e depois golpear pelas costas à sacana. Claro que terão de ajustar a estratégia a cada inimigo pois, por exemplo, temos inimigos voadores que requerem ataques em pleno ar.

Blasphemous

Embora o combate seja simples, temos várias alternativas. Além de podermos melhorar a espada (Mea Culpa), temos ainda vários ataques especiais que nos permitem limpar vários inimigos de uma vez ou aumentar o dano causado em cada golpe, variando a estratégia com que enfrentamos os inimigos.

Visuais e Banda Sonora

The Game Kitchen decidiu adoptar um estilo visual mais crisp, ou seja, não temos uma imagem definida. De forma a acompanhar a decadência do mundo, a equipa optou por uma palette de cores mais fria, transmitindo uma sensação inquietante. O estilo artístico inspirou-se em certas localizações e tradições de Sevilha. O jogo é, obviamente, 2D, de forma a representar o estilo metroidvania que tanto sucesso tem tido nos últimos anos. Este é acompanhado de uma banda sonora discreta, com sinos e pratos a ecoar no background e regressando à vida quando encontramos um boss.

Blasphemous

Conclusão

Como disse anteriormente, tenho preferência por jogos que me desafiem. No entanto, este desafio tem de ser intelectual, não podem ser demonstrações gratuitas de violência como, por vezes, ocorrem em Blasphemous. Com isto quero dizer que a equipa podia ter tentado amenizar a quantidade de dano letal que sofremos, pois obriga-nos a fazer o mesmo caminho 70 vezes, quando podíamos ter feito em 35 e não quebrava o ritmo de progressão.

Blasphemous já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, e na Steam para PC.

Conclusão da Análise
Pecador
8.4