Lançado em 1994 no Japão para a Super Nintendo, em 1996 para o ocidente, e em 2002 para o Game Boy Advance, Breath of Fire II foi o segundo jogo da sua franquia. Este foi um jogo revolucionário para o seu tempo, pois enquanto que o primeiro título esteve mergulhado num mar de clichés, este não só se afastou dramaticamente do seu conceito inicial, como também se afastou dos moldes dos RPG Japoneses da altura. Na verdade, Breath of Fire II é uma verdadeira sequela, contrariamente a todos os seus futuros títulos que já se viriam a tornar histórias independentes (mesmo estando interligados por elementos mínimos ou pequenas histórias paralelas).

Quinhentos anos após a aventura inicial desta franquia, encontramos Ryu, um descendente muito distante do Ryu do primeiro jogo. Nos instantes iniciais (a preto e branco), ficamos a saber que a sua aldeia foi atacada por demónios, e que o ataque resultou na morte da sua mãe. Contudo, para evitar mais mortes, um dragão decidiu sacrificar-se, de forma a selar  a porta pela qual os demónios invadiram este mundo. Passam-se alguns anos, e voltamos a encontrar Ryu, já com seis anos de idade, a caminhar pela floresta, quando este encontra a sua irmã Yua frente ao dragão. A jovem adormece e sonha memórias da sua mãe. Ryu fazendo o mesmo, acorda, mas sente-se estranho, como se tivesse deixado de existir! Será este um sonho ou a realidade?

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Este é só o início de um jogo único, tanto em personagens, como em história. O ambiente e os acontecimentos estão excelentemente retratados para a época. Sumariando a história um bocadinho, temos um grupo de heróis lutando contra uma religião pagã. Os seguidores desta última, são, na verdade, humanos transformados em demónios por um suposto Deus. É certo que este conceito de história não é novidade, aliás Final Fantasy X é de certa forma o primeiro Alundra. Porém Breath of Fire II manifesta e expõe o culto da religião de forma perturbante, negra e adulta. Ao passo que Final Fantasy X consegue evadir estes valores de uma forma mais colorida e corrente.

Estas encarnações, de Ryu e Nina, são possivelmente das mais intensas e humanas de toda a franquia. Conhecemos o nosso herói numa tenra idade, a viver com a sua irmã e o seu pai adoptivo Ganer, numa pequena e simpática aldeia. Saltamos uns anos após a experiência traumática que Ryu viveu, e encontramos o nosso rapaz na companhia do seu melhor amigo, um humanóide canino chamado Bow. Agora enquanto Rangers (uma espécie de caçadores de recompensas), participam em todo o tipo de trabalhos por uma boa quantia de Zenny. Um desses trabalhos, consiste em salvar a irmã de Nina de um bando de malfeitores. Esta Nina é bem diferente das que conhecemos dos outros títulos. Para começar, a nossa jovem é reservada, e tem um grande complexo de inferioridade. Não vive uma vida de luxo e conforto num castelo, pois foi exilada da corte. Isto porque nasceu com “asas negras”, um termo que no folclore Wyndiano, tem o significado de má sorte. Assim a rapariga desde muito cedo, teve de exilar-se do seu reino. No entanto, por esse motivo, esta encarnação possui poderosas magias de ataque, ao invés de cura e suporte.

A dupla mais tarde conhecerá um grupo de personagens anamórficas, e um sem fim de lugares variados e exóticos. Neste ponto, Breath of Fire II, brilha mesmo como um sol numa tarde de verão! O seu mundo é todo povoado por um sem fim de raças e espécies.  Desde plantas, macacos, sapos, tatus até a raças felinas. Eu pessoalmente adoro esta diversidade, porque permite uma variedade de personagens muito interessante.

Breath Of Fire II

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Todas estas personagens têm os seus motivos e conflitos, apresentando verdadeiros valores morais. Estas, acreditam que em todas as nossas acções, existe uma consequência, e temos de estar preparados para a receber. Algumas destas acções apresentam pequenos detalhes, como por exemplo, salvar NPCs com criaturas na cara, ao bom estilo de Aliens. Outras mergulham-nos em algo mais profundo, como é o caso de Katt, uma membro felina, da nossa equipa, que podemos salvar-la de dardos venenosos, num coliseu. Todas as personagens condicionam e escondem finais alternativos da história, sendo que nesta entrega, podemos contar com três: o mau, o bom e o verdadeiro. O melhor de tudo é que estas acções não são entregues nem esfregadas nas nossas caras, existe aqui uma confiança e um elo entre o jogo e jogador.

Tal como no primeiro jogo, cada personagem possui uma habilidade única, que lhe permite não só a exploração, como também a resolução de puzzles. Temos também a possibilidade de evoluir as nossas personagens, através do uso de Shamans, espíritos poderosos de diversos elementos. Conferindo assim, novas habilidades, atributos ou até aparências diferentes.

O mundo de Breath of Fire II é uma extensão do que conhecemos do primeiro jogo. Temos essencialmente os mesmos locais, personagens e até músicas. Mas descansem, que não precisam de jogar o primeiro jogo, embora seja mais satisfatório pois iram assim assimilar mais conteúdo. Para finalizar, este na minha opinião é um dos Rpgs com o melhor desenvolvimento de personagens da Super Nintendo. Podemos acompanhar como cada NPC nos encara, através de cores na nossa caixa de texto. Cores essas desde o verde ao vermelho, simbolizando tanto amizade como animosidade. Em certos julgamentos, estes aspetos serão bem interessantes, atribuindo uma atitude mais activa de pensamento enquanto procuramos uma forma de agir. Também não vão faltar sacrifícios, todos com um enorme impacto nas personagens. Até mesmo numa batalha, os seus instantes finais terão um sabor bem especial de influência quanto a este ponto.

Breath Of Fire II

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Tecnicamente, Breath of Fire II apresenta melhorias significativas face ao seu antecessor, no entanto também produz um efeito estranho. O que já era bom agora é muito melhor, mas também o que era mau também ficou muito pior. Atenção que não estou a referir-me ao grafismo, nesse aspecto não tenho nada a assinalar. O seu mundo é colorido e vibrante, os sprites ,variadíssimos, estão muito bem animados nos combates, e felizmente desta vez trocaram quadros confusos por apenas texto. A banda-sonora penso que mantém o mesmo padrão, estando talvez ligeiramente superior. Isto até porque muitas das localizações aqui existentes são as mesmas que visitámos no primeiro jogo.

O que quero referir de aspectos negativos, é que os combates aleatórios apresentam uma taxa ainda mais acentuada, talvez a maior em toda a série! E isso é demasiado! Em cada três passos temos um combate e para progredir neste jogo, temos de grindar a sério!  Gastando por muitas vezes, imensos recursos apenas para sobrevivermos a uma batalha normal. Penso que Breath of Fire II é um dos RPGs mais difíceis desta era, não chega a ser brutal, mas sim difícil no mau sentido. Em seguida afirmo com toda a certeza que a localização deste jogo esta horrível, enquanto não retira conteúdo, alguns momentos e gramática contribuem apenas para confundir o jogador. Como se não bastasse a mesma persiste na versão do Gameboy Advance, e também na versão disponível na Nintendo Eshop. Na minha óptica, a melhor forma de jogarem este jogo é na sua forma original com um patch de tradução. Ainda referente à versão portátil, estamos na presença do mesmo jogo com ilustrações entre algumas cenas chave e menus, mais próximos da arte da quarta parte.

Breath Of Fire II

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O valor deste jogo está pela narrativa pura e simplesmente. Enquanto o sistema de luta envelheceu mal, a sua constante repetição e dificuldade afasta a partida logo a maioria. No entanto em ternos de personagens e história é uma das melhores, cheia de momentos inesquecíveis, e que fazem muitos jogos hoje em dia corar.

Muitas vezes visto como a ovelha negra da série, ou até esquecido, Breath of Fire II, esconde um jogo intenso e mágico. Não vão faltar aqui momentos memoráveis, muitos deles dignos de qualquer era ou geração e um tributo aquando da Capcom era sinónimo de qualidade e conteúdo. Infelizmente tal como o Clã Brood, este jogo parece ter-se perdido nas areias do tempo. Por favor disponham um pouco do vosso tempo a Breath of Fire II, e depressa ficaram rendidos a toda a sua magia.

Breath of Fire II está disponível para Super Nintendo Entertainment System, Game Boy Advance, Wii, Wii U.

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