Ao escrever a análise sobre o mais recente Call of Duty, deparo-me com uma questão pertinente: será que gostei de Black Ops 4? (Desculpem, recuso-me a desonrar a numeração romana). Porque é que eu penso isto? Porque Black Ops 4 divide-se, a meu ver, em dois jogos: Black Ops 4: S***storm, e Black Ops 4: Battle Royale & Zombies.

Não consigo calcular as horas que despejei nesta saga da Activision. Desde o primeiro jogo até aos mais recentes, tive um carinho especial por Modern Warfare e Black Ops (entenda-se por carinho especial, mais de 200 horas em cada título) o que me leva a ficar bastante desiludido com esta entrada na série. Para um videojogo que eliminou uma metade do trabalho (o single player), era de esperar que a outra metade (os modos multijogador) fosse, no seu todo completa, mas assim não o é.

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Assim que entro no menu de Call of Duty, pronto a habituar-me ao jogo (a beta já foi há uns tempos portanto não me lembrava bem dos mapas), sou plantado numa partida com jogadores de níveis 20’s e acima, chegando mesmo a jogar com níveis 40’s. Pensei então para mim, que a Treyarch tivesse andado a jogar muito Dark Souls, e que queriam que o pessoal sentisse um nível de dificuldade mais puxado. Mas só que não, afinal são só péssimos a configurar servidores, pelo que não conseguem que o matchmaking seja equilibrado.

Pergunto-me em que universo é que é plausível, um jogador bareboned, encarar uma equipa com todos os perks, sendo que não é sequer possível criar uma classe nos primeiros níveis. Esta falta de equilíbrio não incentiva qualquer jogador a esforçar-se por conseguir a vitória, pois sabe que no lado de lá, está um muro praticamente impenetrável. Não interpretem isto de forma errada, felizmente ainda retive muitos conhecimentos dos títulos antigos e safei-me de forma descontraída nos resultados dos jogos, mas este tipo de oposições, ao estilo de David e Golias, é simplesmente impensável em 2018! No entanto, existem milhões que paguem por isto, o que é indecifrável… Quero ainda acrescentar a isto tudo, que este foi o primeiro jogo em 4 anos de Playstation 4, que me crashou para o menu.

Continuando a análise à primeira metade de Black Ops 4… Durante anos, consegui encontrar um fio de jogo nos mapas e nos spawns de cada um, mas neste ano, a Treyarch decidiu aumentar a escala de praticamente todos os mapas, e em todos os modos, não considerando que os mesmos albergam ainda um número reduzido de jogadores. Por outras palavras, se quiserem jogar um Free-For-All, deparar-se-ão com um mapa feito para duas equipas se defrontarem, o que resultará em mais tempo passado à procura de adversários do que a disparar. Dei por mim a jogar mais activamente, num mapa mais pequeno em Team Deatchmatch com 12 jogadores, do que num Free-For-All com 8, pelo que podem tirar daí as vossas ilações.

O design dos mapas, quando adequados ao modo de jogo, revelaram-se bastante interessantes. Nesses, conseguiram conciliar uma escala grande, com várias passagens que se unem em pontos centrais, criando pontos de contacto habituais. Nunca fazendo o jogador dar uma volta maior do que deve. Tiro o chapéu à forma como mantêm a fórmula de ataque rápido e agressivo em Call of Duty, seja a solo ou em equipa.

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Falando em mapas, creio que Call Of Duty se enquadra na categoria que mencionei na análise de FIFA 19, acerca dos jogos anuais. Até que ponto o jogador irá comprar continuamente o mesmo produto com uma máscara diferente? O consumidor é cada vez mais exigente, e as mais recentes polémicas assim o têm demonstrado (EA e Battlefront II), pelo que sinto ansiedade pela implosão que está para breve nas sagas anuais e no tradicional milking.

A personalização já é conhecida pelos jogadores, pela maneira como foi introduzida e melhorada há uns títulos para cá. Temos a tradicional card para também personalizar, com emblemas ao gosto de cada um, tanto predefinidos como originais. Em cada classe podemos ainda conjugar todos os perks com as armas que preferirmos, e felizmente aí deram completa liberdade ao jogador.

Os gráficos são o que são, sinceramente, uma lástima para 2018. Eu jogo bastante Counter Strike: Global Offensive, e jogo em 1024×768, portanto estou habituado a visuais de 2004, mas Call of Duty supostamente teria de estar numa liga acima, pois compete com um titã dos visuais, nomeadamente Battlefield V. Não precisando de recorrer sequer a este último, uso o exemplo de Star Wars: Battlefront, no sentido em que um videojogo que corre a 900p em mapas enormes, tem visuais de tirar o fôlego ao jogador. No entanto, Call of Duty, com todos os apoios da tecnologia moderna, faz o meu irmão perguntar-me se não dá para melhorar os gráficos, pois estão “borrados” de acordo com o próprio. (O jogo foi testado numa televisão Samsung 4K com HDR).

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Dentro de Black Ops 4 nem tudo é mau, felizmente, e incrivelmente, o melhor deste jogo supera por milhas o seu pior, o que o torna algo a ponderar na sua compra.

Chegando à metade boa, encontramos o modo Blackout, vulgo, Battle Royale, e o modo Zombies. O modo Blackout foi uma grande surpresa para mim, e no sentido positivo, pois eu sempre pensei que a jogabilidade de Call of Duty NUNCA, mas NUNCA mesmo, se iria adaptar ao modo de jogo popularizado por títulos como PUBG ou Fortnite. Mas eis que levei uma chapada de luva branca da Treyarch.

É incrível como conseguem manter um ritmo acelerado num mapa de grandes dimensões! É verdade que posso ter tido sorte nos sítios onde aterrei, mas comparado com os títulos que já mencionei, o rácio de tempo de jogo, com jogadores encontrados, é bastante superior em Call of Duty. O que é bastante irónico, pois demoro menos tempo a encontrar um jogador no modo Battle Royale do que num Free-For-All. Infelizmente neste modo de jogo não sou o melhor dos jogadores, portanto nunca consegui uma vitória, mas devo dizer que me diverti bastante. Mais do que em Fortnite ou PUBG.

Ora, deixei para o fim a melhor faceta de Black Ops 4, o modo Zombies. Reparem que quando eu digo melhor, não é a menos má, é a faceta excelente que a Treyarch trouxe para este título. O modo de Zombies em Black Ops 4 está bastante complexo. Não no objectivo do jogo, mas na maneira como podemos aguentar as hordes infinitas de pessoas que correm mais em 3 minutos do que eu numa semana. Ou seja, temos armas especiais, perks novos, amuletos que servem como Jokers, e até, uma revitalização do célebre Pack-a-Punch, mesmo nos mapas já existentes das outras entradas. Falo pois de Classified, também conhecido como Five em Black Ops 1, e de Blood of the Dead, conhecido por Mob of the Dead no homónimo com metade desta numeração).

Mantendo o modo splitscreen, a Treyarch apoia aqui o convívio pessoal, algo que bastantes equipas já o fizeram, ridiculamente. Falo principalmente nos jogos de carros, onde séries como Project Cars ou Driveclub não têm um modo multijogador local, o que me tira do sério pois é dos modos mais incentivantes ao convívio com amigos e irmãos no mundo dos videojogos. Cortando aqui ecrã ao meio, deixam alguns bugs à mostra, mas nada que quebre o espírito do jogo.

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As cutscenes no modo Zombies trazem consigo uma história merecedora de se ver, pois em pouco tempo ilustra-nos o que se passa, e traz-nos ao correntes da situação. Já a jogabilidade é em modo “salve-se quem puder pois centenas de zombies vêm atrás de nós e ninguém tem um lança chamas ou um helicóptero”.

Devo no entanto ressalvar que também este modo de jogo tem as suas irritações, como por exemplo, o facto de não guardar classes do segundo jogador. O que levou o meu irmão a criar a mesma classe cinquenta e sete vezes e meia, (porque o jogo crashou durante uma delas), e mesmo depois de criadas, nunca eram visíveis, pois a minha aparecia sempre sobre a personagem dele, embora nem fosse a que ele estava a usar. Outro aspecto interessante é que somos obrigados a usar a mesma classe, ao estilo dictatorial.

Outro dos modos de jogo é o Specialist HQ, onde conhecemos a história por trás de cada personagem jogável no modo competitivo online. Com cutscenes bem construídas, ganhamos uma percepção da vida de cada assassino que controlamos, mediante o nosso estilo de jogo. Creio que esta foi a tentativa da Treyarch de salvaguardar uma espécie de modo história, e não se safaram nada mal.

Call Of Duty: Black Ops 4 já está disponível para Playstation 4, Xbox One e na Battle.net para PC.

Conclusão da Crítica
Um jogo bipolar.
7.8