O ano de 2018 trouxe consigo grandes indies capazes de enfrentar os colossos que são os Triple A! Jogos como Dead Cells, Return of The Obra Dinn e The Messenger, que apresentam um incrível nível de polimento e mecânicas sólidas, tornando-os verdadeiramente fantásticos!

No entanto, há um certo indie que realmente me tocou bem mais que os outros. Este de que falo, tocou-me não só pela fantástica jogabilidade, que nos dá uma gratificação enorme cada vez que conseguimos superar uma parte difícil, como também pela história que explora um assunto bastante maturo. Falo de Celeste, um jogo que aparenta ser bastante simple. Um modesto platformer que mostra desafiar o jogador.

Foi exactamente assim que Celeste começou, tendo como origem um protótipo criado em quatro dias durante uma Game Jam (evento em que se cria um jogo num curto espaço de tempo), onde Noel Berry e Matt Thorson mostraram um pequeno platformer focado no speedrunning, e que mais tarde se desenvolveu num jogo completo, desenvolvido e publicado por Matt Makes Games, chamado Celeste.

Celeste apresenta-se num estilo pixel-art em 2D, fazendo-nos lembrar os velhos jogos dos tempos da NES e da SNES, mas com uns toques mais modernos, tais como: as fantásticas animações que apresentam grande fluidez, especialmente nas caixas de diálogo; o bom uso de cores, sendo o atributo principal usado para diferenciar os coleccionáveis, os pickups espalhados pelos níveis, ou até armadilhas e superfícies mortais; e os efeitos, que apesar de modestos, são bastante agradáveis aos olhos e não se intrometem enquanto saltitamos e escalamos a grande montanha.

Apesar do jogo se passar inteiramente numa montanha, esta apresenta uma grande variedade de cenários, com cada nível a caracterizar-se por um aspecto único, como as ruínas de uma cidade com um passado misterioso ou mesmo um cume com umas belas cascatas. Esta apresentação é complementada por uma banda sonora que derrete os nossos ouvidos (no bom sentido, claro), com temas calmos e serenos, utilizando apenas uma guitarra ou teclado. Em contraste, encontramos temas mais intensos, cheios de suspense ou até inspiradores, com uma vertente mais electrónica, já com sintetizadores e vários efeitos.

O jogo começa com a nossa personagem principal, de seu nome Madeline, a chegar à entrada da montanha. Mostrando uma grande motivação para subir ao topo, esta está nervosa e ansiosa para começar a sua jornada. Na entrada da montanha, Madeline é confrontada por uma idosa que a aconselha a tomar cuidado, pois a montanha aparenta ser “especial”, algo que se torna um aspecto essencial na história, e que floresce ainda mais as motivações da nossa protagonista.

No meio dos desafios que cada nível nos apresenta, Madeline vai conhecendo várias personagens únicas, com histórias bastante interessantes e um diálogo excelentemente escrito, especialmente quando explora o tema das doenças psicológicas.

Infelizmente para alguns, a execução do diálogo pode ser menos boa, pois o jogo não tem voice acting, apenas apostando em ruídos que mudam de frequência de acordo com o estado de espírito de cada personagem. Apresentando o diálogo com caixas no topo do ecrã, com o texto no centro e um avatar animado do personagem que está a falar à direita, algo parecido com o que foi feito em Okami, um jogo da Playstation 2 lançado pela Capcom.

Com isto tudo, é óbvio que entre estes diálogos e encontros com vários personagens, tens de continuar a subir a montanha e a superar todos os desafios que ela te apresenta. A Madeline é capaz de saltar e de fazer um dash por cada salto, sendo este último representado pela cor de cabelo dela (quando está vermelho pode fazer o dash, quando está azul já não tem dashes), e também consegue agarrar-se às paredes, podendo depois trepar ou saltar. Ela pode recuperar o dash com certos pickups, como uns cristais esverdeados que podem aparecer nos vários níveis, e mais tarde ela ganha ainda a habilidade de fazer mais um dash, sendo possível fazer dois dashes por salto.

Cada nível também traz sempre mecânicas únicas que acrescentam variedade à base estabelecida no movimento da Madeline, como um nível onde tens vento, que pode impedir-te de poder saltar tão longe, ou até ajudar-te e fazer dar uns pulos que fazem o Spider-Man ficar invejoso, ou então, até umas bolhas que envolvem a Madeline e a projectam para uma direcção decidida por ti.

O layout dos níveis aposta numa vertente que equilibra uma progressão mais linear, bem como algo mais labiríntico, sendo dividido em secções ou salas, com várias zonas escondidas atrás de superfícies que podes partir com um dash, ou que estão atrás de paredes secretas, onde geralmente estão os coleccionáveis mais raros dos níveis, como os crystal hearts, e que servem para desbloquear um nível mais tarde, ou os b-side, que são umas cassetes que desbloqueiam uma versão mais desafiante e longa do mesmo nível, juntando um remix do tema do mesmo.

Este level design é bastante intuitivo, sendo que o caminho vai-te sempre levar à continuação do nível, nunca te fazendo perder, com checkpoints que são sempre dados ao início de cada secção e com os morangos coleccionáveis opcionais. Isto faz com que não seja muito frustrante a repetição de alguma parte que seja difícil, pois por vezes há salas bastante complexas, requerendo um raciocínio prévio ou reflexos rápidos, mas quando se consegue superar um desafio desses, há sempre uma forte sensação de gratificação.

Com uma jogabilidade fortemente focada em movimentos e saltos tão precisos, o jogo precisa de controlos que sejam fluídos e que tenham o mínimo de latência possível. Felizmente, Celeste acerta com nota 20 em ambos os lados, sendo bastante fácil e natural de controlar Madeline, bem como todos os movimentos respondem de forma rápida e com uma fluidez incrível, fazendo com que nenhum erro seja por culpa do jogo.

Joguei a versão da Steam, num PC com um i7 4770k, uma AMD RX 480, e 16GB de ram, a 1920×1080. O jogo não tem opções gráficas, apenas tem toggles para fullscreen, vsync e screen shake, mas é incrivelmente leve e fácil de correr, e pode-se justificar a escassez de opções com o seu aspecto gráfico quase 100% artístico.

Celeste já está disponível para Nintendo Switch, Playstation 4, Xbox One e na Steam para PCMac Linux.

Conclusão da Análise
Inspirador
9.6