Lançado em 1995 para a Sega Mega Drive e mais tarde para o PC e Game Boy Advance, Comix Zone foi um beat ‘em up criado pela Sega Technical Institute, uma divisão dentro da empresa fundada por Mark Cerny, o presente-pai da Playstation 4.

Este jogo foi uma autêntica revolução para o seu tempo, já que colocava o jogador em fundos animados renderizados de forma a assemelharem-se a um comic interativo, com todas as suas características e elementos (tais como balões de falas e vinhetas).

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História

Comix Zone coloca o jogador nas peúgas de Sketch Turner, um artista a tempo parcial ilustrador de Comics e músico de rock.

Certo dia, numa noite tempestuosa, este encontra-se a trabalhar na sua mais recente criação: Comix Zone. Este comic retrata a história de uma invasão mutante extraterrestre ao planeta Terra, e a força de defesa do mesmo.

Durante este acontecimento, inexplicavelmente, um trovão penetra no seu comic, fazendo com que uma das suas criações, Mortus, invada o mundo real.

Este poderoso mutante apenas tem um objetivo em mente: tornar-se um ser de carne e osso (uma vez que não possui o poder da realidade) e tornar-se senhor do mundo.

Para tal, envia Sketch para a banda desenhada, enquanto desenha inimigos para acabar com a vida do artista.

Dentro da Comix Zone, este conhece a general Alissa Cyan que lhe indica que Sketch é, na verdade, o herói escolhido, representando a última esperança para resgatar o planeta de Mortus e da ameaça extraterrestre mutante.

Sketch, mesmo muito relutante, viajará de página em página, enquanto derrota toda a espécie de mutantes. Alissa e o seu animal de estimação Roadkill oferecem-lhe assistência.

Antecessores

Antes de mais, convém salientar que este conceito não foi originário deste jogo.

Antes, em 1988, foi utilizado em Batman: The Caped Crusader, e partiu de um vídeo animado para o Commodore Amiga, intitulado “Joe Pencil Trapped in the Comix Zope“, demonstrando não só as potencialidades gráficas do Commodore Amiga, como a possibilidade de integrar elementos de bandas-desenhada num jogo.

No entanto, foi com Comix Zone que este elemento prosperou.

Jogabilidade

O jogo divide-se em três zonas, cada uma com duas páginas. Ao longo de dezenas de vinhetas, Sketch viaja até cidades pós-apocalíticas, templos nas montanhas, torneios de artes marciais, desertos áridos e complexos nucleares.

Comix Zone é um beat ‘em up na sua essência. Porém, esperam-se alguns quebra-cabeças que, embora simplistas, estão bem integrados na sua temática, não destoando em nenhuma fase o seu ritmo de jogo.

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A maioria é executada através da ratazana Roadkill. Como é esquiva, Sketch envia-a não só para desativar interruptores, como para procurar alguns itens valiosos escondidos entre as vinhetas.

Para além de facas, Sketch pode encontrar nas vinhetas do seu comic, garrafas de Ice-Tea (indispensáveis para recuperar a sua saúde), explosivos, e a fantástica Power Glove que, ao colocar na sua mão, o transforma em Super Sketch, destruindo todos os inimigos ao seu redor!

Para finalizar e actuando como movimento secreto, Sketch, em troca de uma grande porção de saúde, pode arrancar um pedaço de uma página, fazer um avião de papel e enviá-lo aos seus inimigos em linha reta.

Convém salientar que este movimento também danifica o artista quando este viajar novamente para a esquerda.

Porém, a demanda de Sketch não será fácil. Na verdade, o jogador sentirá inicialmente muita dificuldade em prosperar. Não só através das monstruosidades que enfrenta ao longo das vinhetas, como dos diversos abismos. E, no final da segunda página, um encontro com um Boss.

Pela sua crescente mestria, no final sentirás que este jogo é demasiado curto. Na verdade, é possível terminá-lo em menos de uma hora, o que confesso achar ser o maior dos seus males.

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Comix Zone possui dois possíveis finais:

No final da aventura, Sketch encontra Alissa enquanto tenta desativar uma bomba nuclear destinada a limpar toda a Humanidade do planeta.

É nesse instante, também, que Mortus frustrado com o progresso dos seus planos, invade a Comix Zone, rapta Alissa e aprisiona-a num reservatório de líquido, enquanto tenta afogá-la. Sketch terá de derrotar Mortus e os seus inúmeros Kreeps em combate.

Se o jogador conseguir triunfar, mas Alissa morrer afogada, surgirá o final agridoce. Se prosperar com a rapariga salva, todos regressam ao mundo real.

Portanto, Sketch torna-se chefe de segurança dos Estados Unidos, e Roadkill recebe uma enorme fatia de queijo mozarella. Também Comix Zone se torna no comic mais vendido de sempre.

Com tanto sucesso e tendo como companheira uma criação sua como bónus, quem nunca?

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Extras

Tecnicamente, Comix Zone é um dos títulos mais impressionantes da Sega Mega Drive.

Os sprites dos cenários e das personagens estão hiper-detalhados e excelentemente precisos para o hardware em questão.

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As faixas possuem até trechos criados por Howard Drossin, um compositor de sucesso, que conta no seu currículo com obras como Sonic & Knuckles, Vigilante 8 ou Afro Samurai.

Aliás, a compra do jogo estava acompanhada de um CD com algumas faixas do jogo, só para terem uma ideia da qualidade sonora deste poderoso título.

Comix Zone também possui alguns dos melhores (senão os melhores) voice samples para a máquina de 16bits da Sega.

É inevitável o jogador não imitar Sketch no final de uma página e dizer “Oh Yeah!” quando Alissa o felicitar pelos seus esforços.

Como não existe um quadro perfeito, a jogabilidade é o elemento mais fraco de Comix Zone. Além de muito robótica, é limitada e repetitiva, sem grande margem para voos mais dinâmicos e complexos.

Afastando este senão, realmente é incrível como a Sega Mega Drive pincelou um jogo deste calibre para a sua máquina. Não só através da sua originalidade como também pela sua enorme dedicação.

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Conclusão

Comix Zone é uma aventura que merece ser explorada. Isto mesmo tratando-se de um jogo para 16 bits nesta era HD de milhões de pixeis. Um título imprescindível em qualquer ludoteca e que merece a atenção de todos.

Mesmo assim, penso que seria fantástico revisitar a Comix Zone em HD com uma nova história e desenvolvimentos.

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