Só porque é inevitável: Crash Bandicoot 4: It’s About Time chegou em boa hora. Com novas técnicas, novidades de conteúdo e inúmeros desafios, a promessa é óbvia: muitas e viciantes horas de jogo! Mais completo, mais complexo e bastante mais avançado, Crash Bandicoot 4 é possivelmente (e ignorando o meu lado nostálgico) o melhor título da série.

Bem, a minha viagem pelo universo Crash Bandicoot começou há quase 20 anos, no auge da clássica e pioneira PlayStation, quando o pequeno marsupial se tornou num dos primeiros protagonistas que conheci do outro lado das consolas. Por acompanhar a série, garanto-te que Crash Bandicoot 4 contribui, sem sombra de dúvida, para a sólida evolução que não tem escapado aos olhares mais atentos. Um crescimento não apenas por factores como os gráficos ou a dimensão narrativa, mas pela nova abordagem ao conceito, que catapulta a experiência de “jogar Crash Bandicoot” para um novo patamar, preservando a essência da linha principal.

Crash Bandicoot 4

Ainda em retrospectiva, creio que, em todos estes anos, nunca precisei de recorrer a tantos botões para controlar o Crash e a Coco. Nem tinha sequer sido necessário um domínio tão exigente de intervalos de tempo, que nem o próprio jogo parece por vezes conseguir acompanhar. Complexidade é possivelmente a palavra de ordem em Crash Bandicoot 4, tanto por este preciosismo desnecessário como pela própria dimensão e pelo desenvolvimento técnico e artístico. É o Crash Bandicoot mais complicado que já joguei, mas também o mais inovador e visualmente elaborado.

Com super-poderes (que acrescentam novas funcionalidades, mas que atrapalham mais do que ajudam), mapas originais e opções de personalização, criatividade não falta! Há que pesar ambos os lados e reconhecer que o histórico da série é marcado por momentos de repetição frustrante, mas também de alegria pela conquista de objectivos desafiantes.

Cenários, ângulos e obstáculos

Crash Bandicoot 4: It’s About Time oferece-te cenários fabulosos e altamente trabalhados. A componente visual é um dos principais pontos fortes desta criação da Toys For Bob, também responsável pela excelente execução de Spyro Reignited Trilogy. Infelizmente, nem toda esta essência gráfica será comunicada tão bem como podia ser, uma vez que, com a avalanche de elementos, obstáculos e adversários em movimento de forma mais ou menos irregular, sobra pouco tempo (e pouco espaço) para apreciar a composição artística. Felizmente, por outro lado, se tiveres um momento para observar o cenário, vais perceber detalhes e horizontes bonitos e muito bem desenhados. E isso é qualquer coisa!

Crash Bandicoot 4

Em contrapartida, os ângulos, as câmaras e a própria perspectiva voltam a aliar-se aos vilões, contribuindo bastante para a entropia visual em termos de posições e distâncias, causando mais derrotas do que as clássicas caixas de TNT, os tubarões enfurecidos e os inimigos voadores ou armados até aos dentes. Por exemplo, a certa altura, deixei de ser capaz ver onde estava e para onde precisava de saltar, porque, sem rotação de câmara e com elementos do cenário opacos a ocupar o primeiro plano, restava-me experimentar e ver como corria o salto. É chato, sim.

Mais plataformas e níveis mais longos

Caso tenhas acompanhado a série ao longo dos anos, vais certamente reparar nisto: estes níveis são bem mais longos do que era habitual. Diz adeus aos percursos simples, curtos e de memorização rápida. Em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, dependendo do teu estilo de jogo, completar uma dada etapa pode levar poucos minutos, muitos minutos ou até mesmo horas; não apenas pelo número inesgotável de vidas, mas pela duração dos próprios níveis. E atenção que são bastantes! Para além dos cinco confrontos com N. Gin, N. Brio, os Drs. N. Tropy e, claro, o Dr. Neo Cortex, existem 38 níveis principais e ainda linhas temporais alternativas que escondem milhares de caixas e centenas de gems (pequenos diamantes) para coleccionar.

Crash Bandicoot 4

Contrariamente ao que costumava acontecer, para conquistares estas gems, precisas de ter em conta quatro aspectos: a quantidade de Wumpa Fruits (ou Bumpa Berries) que encontras, o número de caixas que quebras, a gem escondida e o número de vezes que perdes. Começando por este ponto, como escrevi acima, o número de vidas pode ser inexistente, visto o modelo moderno funcionar numa lógica crescente de tentativas. Para validares este ponto e receberes o prémio, não podes perder mais de três vezes no mesmo nível. E é algo simples, assim que ganhes prática! Em termos de recolha de itens, terás de coleccionar 40%, 60% e 80% das Wumpa Fruits ou Bumpa Berries disponíveis, para conquistares as respectivas três gems. Quebrando todas as caixas, incluindo dos níveis bónus, desbloqueias a quinta gem. Por último, um pequeno diamante está escondido algures em cada nível, por isso mantém-te com atenção! E este conselho serve para praticamente tudo em Crash Bandicoot 4.

Novidades e modos de jogo

Não ignorando o facto de estas tarefas te ocuparem algum tempo, as gems coloridas estão igualmente de regresso, sendo agora apenas quatro e de simples acesso. Ainda assim, como a Toys For Bob não quer aborrecer ninguém, Crash Bandicoot 4: It’s About Time traz novos modos de jogo. Daqui, devo de destacar o N.Verted Mode, que substitui as Wumpa Fruits por Bumpa Berries e espelha os níveis que completaste anteriormente, transformando-os através de novos esquemas de formas e de cores.

É agradável ver também que o multiplayer foi finalmente trabalhado, numa abordagem que outros títulos podiam optar por seguir. Em Crash Bandicoot 4, o multiplayer (local) pode ser conduzido com recurso a um só comando, que é passado entre os diferentes jogadores na sessão, evitando assim que sejam necessários mais equipamentos. Neste tópico, encontras o modo cooperativo N. Pass e os modos de competição Crate Combo e Checkpoint Race, em que os jogadores se enfrentam em provas de precisão e velocidade.

Crash Bandicoot 4

Entre as novidades introduzidas por Crash Bandicoot 4, estão ainda as curiosas Flashback Tapes. Evita quedas ou derrotas e colecciona as pequenas cassetes que diversos níveis principais têm à tua espera. Estas cassetes podem ser inseridas na estação apropriada, desbloqueando novos esquemas de plataformas e conteúdos, que enriquecerão a experiência narrativa do jogo. E isto leva-me a outro ponto relevante!

Mergulha na história

Merecedora de destaque nesta análise é igualmente a composição narrativa, quase inexistente ou pouco elaborada no passado. Em paralelo com a história principal, que introduz enredo, espaço e tempo, protagonistas, aliados e adversários, as linhas temporais constituem um alicerce explicativo para alguns acontecimentos da narrativa central, permitindo-te descobrir novas perspectivas da história, pela mão de personagens secundários como a Tawna, o Dingodile e o Dr. Neo Cortex. A história principal, que podes completar com relativa facilidade, cumprindo os mínimos, é então acompanhada de interessantes linhas temporais, que introduzem novos conteúdos e recompensas.

Por falar conteúdos e recompensas, It’s About Time parece ter aprendido algo com Crash Team Racing Nitro-Fueled, que apresentou um excelente desenvolvimento após o lançamento, alterando a minha opinião inicial em relação ao jogo, que, hoje em dia, receberia uma classificação bem mais elevada, sem qualquer dúvida. Ao contrário do que aconteceu em Cortex Strikes Back ou Warped (na versão melhorada), tens agora oportunidade de equipar Crash e Coco com dezenas de skins, que podem ser desbloqueadas através da recolha de gems e da conquista de objectivos. Todos gostamos de personalizações, e por isso esta introdução empurra, mais uma vez, o recém-lançado para o topo do pódio da série.

Que mais deves saber sobre Crash Bandicoot 4?

Por vezes, os esquemas de plataformas são desnecessariamente complicados, limitando bastante as tuas acções a um padrão de tempo e de espaço demasiado preciso. Uma décima de segundo ou dois centímetros mal calculados fazem toda a diferença entre completares um nível extenso ou ires pelos ares, tendo de repetir uma generosa parte do percurso novamente. E sim: é um eufemismo para escrever o quão impensável pode ser a complexidade crescente de alguns níveis. Ao longo da história, esta exigência acentua-se, podendo levar os menos pacientes a momentos de frustração. Não quero entrar em exemplos específicos, mas é inevitável mencionar o Cortex Castle, um verdadeiro e desesperante pesadelo. Como imaginas, as coisas pioram, quando decides completar o jogo a 100% ou 106%. Mas boa sorte com isso!

Se és trophy hunter, não tenho boas notícias. À semelhança de Crash Bandicoot anteriores, a Platina é complicada de conseguir, assim como uma série de outros troféus e conquistas, que requerem máximos de máximos. Recordo-me do difícil que foi conseguir a Platina de Crash Bandicoot 3: Warped, na N. Sane Trilogy, e (pelo que percebi) aqui é bem pior, mas possível, claro. Desde que com muita prática e, acima de tudo, muito tempo livre!

It's About Time

Antes de terminar, resumo que, em termos gerais, este Crash Bandicoot é visivelmente superior aos anteriores, introduzindo novas técnicas, mais personagens jogáveis e abordagens que enriquecem a forma e o conteúdo. Apesar do preço, está mais do que recomendado para quem conhece e explorou os anteriores, tal como para todos os fãs da série, não sendo um ponto de partida vedado a quem descobre o universo Crash Bandicoot pela primeira vez. No entanto, existindo uma ordem cronológica em termos de evolução e enredo, é provável que ela possa fazer algum sentido.

Crash Bandicoot 4: It’s About Time, lançado no dia 2 de Outubro, está agora disponível para PlayStation 4 e Xbox One.

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