Days Gone é um jogo de acção open world situado num mundo pós-apocalíptico, onde encarnamos a personagem de Deacon (Deek, para os amigos), tendo este como objectivo alcançar a sua segurança definitiva no que toca aos freakers.

Embora seja um cenário bastante utilizado, a Sony decidiu apostar no talento da SIE Bend Studio para concretizar a visão ambiciosa da equipa que já nos trouxe títulos como Syphon Filter. E antes de avançarmos para a análise importa referir que a mesma foi feita com base no jogo pós-patches, pelo que não irei comentar sobre o que aconteceu antes.

Lê Mais:  Saber é Poder: Gerações | Análise

Vou desde já abordar o problema principal de Days Gone, pois é o mesmo problema que atinge 80% dos videojogos que são lançados no mercado: a sobre-exposição. Tivemos uma campanha de marketing inacreditável, fazendo-o parecer o jogo de zombies mais divertido que alguma vez saiu, o que foi errado, e saiu pela culatra, pois levou a que expectativas irrealistas fossem criadas.

Days Gone não é um mau jogo, de todo. É um videojogo muito bem composto, com conteúdo diversificado (embora genérico), onde podemos ir arejando as ideias das missões principais. Mas então, qual é o âmago aqui? O realismo. Este videojogo não devia ter tido o marketing que teve, pois não corresponde à realidade. Days Gone é um videojogo de sobrevivência, onde o mundo é mórbido e a morte nos aguarda atrás de cada árvore.

A história demora a arrancar, pelo que somos presenteados com três ou quatro horas de recados e viagens de um campo para o outro, enquanto vamos descobrindo as nuances do jogo. É apenas ao fim de cerca de cinco horas que conhecemos o verdadeiro Deek, que até então parecia apenas mais um rufia. A personagem acaba por crescer em nós e torna-se identificável, o que é muito importante num videojogo.

Lê Mais:  Nitro Tour Grand Prix | Novo DLC de CTR Nitro-Fueled Já Disponível

Days Gone adapta várias mecânicas de outros videojogos, moldando-as à realidade em questão, o que por vezes resulta excelentemente bem, mas noutras corre de forma inesperada. Posso dar o exemplo dos binóculos. Com estes podemos marcar os inimigos, quando estamos agachados e nos encostamos a uma superfície, mas nesta acção, Deacon eleva-se para os poder ver, ora, isto faria com que fôssemos detectados, mas surpreendentemente não somos. São pequenos detalhes é verdade, mas se o objectivo do jogo é o realismo, tem de ser julgado por isso.

A condução da mota, ao início pode parecer desleixada, mas à medida que vaos desbloqueando melhorias para esta, vamos também percebendo que a sua fase inicial era algo necessária, para que o desenvolvimento da mesma tivesse impacto, pelo creio que foi uma estratégia adequada. Contudo, não concordo com a decisão de que o único veículo que possamos conduzir seja a mota. Embora faça parte da personagem, creio que podiam ter dado asas à condução e elaborado algo como se vê em Dead Island.

O combate é no geral equilibrado mas também é algo que me incomoda em parte. É algo que compreendo, mas questiono. Falo de por exemplo uma seta de uma besta não matar um inimigo quando a disparáramos entre os olhos do mesmo. Acontece aqui, em Assassin’s Creed, e é algo que sinceramente me faz questionar o quão poderosa uma besta é.

Lê Mais:  World War Z | Novo Trailer De Jogabilidade Revelado

Em termos gráficos Days Gone brilha na escuridão, utilizando um motor adaptado dos estúdios internos da Sony, e alcançando uma experiência quase foto realística no que toca à arte do jogo, com os bosques a ganharem vida enquanto passeamos ou fugimos na nossa mota. Os estúdios internos da Sony já são conhecidos pelo foco extremo que aplicam nas suas personagens, e aqui não é excepção, sendo qualquer personagem detalhada ao pormenor.

Contudo, algo que desgosto neste videojogo é o menu (pause). Sou um noctívago, o que me leva a questionar sobre quem desenhou o menu, sendo que dou por mim a dizer bom dia cada vez que preciso de ir ao mapa ou a adquirir uma habilidade. Um clarão que nada condiz com o jogo, o que demonstra uma escolha um pouco abstracta por parte da equipa.

O som é satisfatório no geral, fiquei insatisfeito por não prestarem atenção aos lados de onde o som provém quando utilizamos um headset, o que me deixou confuso por vezes. Deixo aqui uma nota pois costumo ser um grande fã das dobragens dos videojogos da Sony, neste passaram completamente ao lado, ficando uma dobragem aquém do que podia ter sido.

Days Gone já está disponível em exclusivo para a PlayStation 4.

Conclusão da Crítica
Inóspito
7.9