Sabes aquela nostalgia que sentes ao ver os clássicos de terror da grande era da PS2? Com muito suspense, efeitos sonoros completamente exteriores ao ambiente e intensos, texturas que parecem versões pixelizadas dos quadros de Mark Rothko e, claro, aquelas perspectivas manhosas e transições de cenas em que as animações bloqueavam e davam-nos quase um treco?

Ingredientes presentes em jogos como Silent Hills, Resident Evils e, claro, Deadly Premonition já na PlayStation 3 e Xbox 360. Bem, foi a saudade por alguma dessa emoção que me fez agarrar esta oportunidade para me estrear nesta franquia. Isto e o facto de Deadly Premotion 2 – Blessing in Disguise girar em torno de um caso misterioso que tanto tem de horrível como de sobrenatural. 

Sem nunca ter jogado o primeiro jogo, aterrei a pés juntos nesta entrada, e de facto, desde já, posso dizer-te que se és igualmente um estreante neste mundo de Deadly Premonition, poderás começar a tua jornada por Deadly Premonition 2 sem grandes problemas a nível do contexto histórico. Pois as poucas referências ao caso de Greenvale, onde decorreu toda a acção do primeiro jogo, não são muito aprofundadas, sendo apenas meras menções ao passado de Zach e York. 

No entanto, para os fãs de longa data, a receita de Deadly Premonition mantém-se: imensas piadas sobre pizza, as típicas apresentações estranhas de York a estranhos, um recepcionista de hotel que faz tudo, ah, e imensas referências do mesmo a clássicos da cultura cinematográfica… demasiadas até!

Agente Francis York Morgan. Por favor, trata-me por York. É o que toda a gente me chama. 

Estou certa de que já tens uma ideia dos problemas que este jogo enfrenta, pelo que se há algo que gostaria de começar por dizer nesta análise a Deadly Premonition 2, é por te falar da história e ambiente do mesmo. Duas coisas que nos agarram e pelas quais valerá imensamente a pena jogar futuramente esta entrada. Um verdadeira pérola disfarçada por trás de todos os problemas que este jogo possui, e dos quais falarei mais à frente. Talvez seja esta a razão do subtítulo do jogo “Blessing in Disguise”.

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O caso Le Carré

Deadly Premonition 2 começa pelo fim, onde encontramos o agente Francis Zach Morgan algo debilitado numa intensa sessão de interrogatório. Aqui fiquei desde logo absolutamente intrigada com esta personagem. Extremamente difícil de ler, repleta de mistérios, e com hábitos extremamente estranhos. Consegue inclusive falar com personagens de um outro mundo… O que numa primeira sessão deixa o jogador a perguntar-se se tal poder é derivado das substâncias ilícitas que este fuma, ou de alguma demência psicológica, ou se será que existe de facto um outro mundo.

No interior do seu apartamento decrépito, encontramos também a nova agente Aaliyah Davis e o analista Simon Jones. Estes encontram-se a investigar o caso da descoberta de um corpo plenamente conservado em gelo, que estava desaparecido desde há mais de 14 anos. O mesmo, pertencia a Lise Clarckson, e instigou um dos primeiros casos mais importantes da carreira de Zach: o caso Le Carré. Este precede a aventura de York por Greenvale, no primeiro jogo, e na mesma é focado na misteriosa droga ilícita conhecida como Saint Rouge, altamente ligada às Red Trees (árvores vermelhas) presentes em ambos os jogos. 

Esta dupla de agentes decidiu assim interrogar Zach, com grandes convicções de que o ex-agente está relacionado com a onda de corpos que inundou tanto o caso de Le Carré como o de Greenvale posteriormente, encontrando algumas lacunas e incongruências nos respectivos relatórios. Para agravar a situação, deu-se o desaparecimento de Patricia Clarckson, de uma forma muito semelhante ao desaparecimento da primeira vítima à 14 anos atrás, Lise Clarckson, pouco após uma suposta visita de Zach à localidade.

É no meio deste interrogatório que somos convidados a reviver todo este caso, na pele do agente Francis York Morgan. Uma aventura que nos deixa calmamente viver e conhecer a cidade de Le Carré e a sua população. Estamos no Deep South, e de skate na mão, temos todo o tempo do mundo para saborear, explorar e meditar sobre esta pequena localidade e os estranhos desenvolvimentos que vamos desvendando. Daí que o facto de a Toybox ter conseguido construir uma história tão intrigante e sólida, torna esta numa experiência tão deliciosa de ser jogada.

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Mecânicas variadas

Contudo, a forma como entramos neste mundo, refiro-me aos tutoriais, é abrupta, sendo só para despachar. Com efeito, só ao segundo dia é que descobri que já podia sacar do skate para fora e me deslocar mais rapidamente no mapa, e só consegui aceder ao menu de opções e configurações no terceiro dia, pois este encontra-se em segundo plano, quando acedes ao menu do jogo onde tens o inventário, o mapa, as missões, a CRT, etc…

Não obstante, vamos ao longo de todo o jogo desbloqueando algumas mecânicas interessantes, quais te permitem jogar bowling no café local, arremessar pedras pelo rio, customizar o teu skate, entre outras actividades que podes fazer para passar o tempo. Pois as horas são um factor importante que tens de ter em conta para conseguires falar com os residentes e acederes aos edifícios para concluíres as missões. Entre as actividades que podes desenvolver em Deadly Premonition 2, a mais estranha de todas, é a de recolha de partes de objectos e animais… ew. Que ao coleccionares, deves levar à loja de Voodoo local, onde o Basil Hawkins do One Piece te espera para fazer crafting de amuletos que aumentam os teus status.

À parte disto, tens também pequenos momentos onde tens de procurar pistas num local e tentar descobrir como é que tudo se relaciona. Outro aspecto do jogo, é que tens de vigiar certos factores que limitam a actividade de York, como uma barra de vida, de stamina, de fome e de necessidade de dormir. Afinal de contas, para que serve seres um agente especial, se não estiveres sempre pronto a entrar em acção? Outro factor interessante, é que é importante vigiarmos a higiene do nosso personagem, garantindo que os seus fatos usados são enviados para a lanvandaria, que este faz a sua barba, toma banho, etc… até porque o York emana charme por todos os lados.

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Um visual atraente

Falando de aspecto atraente, apesar da fraca qualidade das texturas e de população dos objectos no mundo de Deadly Premonition 2, é de destacar o cell shading subtil que ajuda na amplitude das características das personagens. Embora o visual do jogo seja extremamente idêntico ao do seu antecessor, este detalhe permite realçar pequenos sinais como um sorriso afável, que imediatamente o distingue daqueles sorrisos sobrenaturais e dementes de York no primeiro jogo. 

A animação das personagens, é competente no seu trabalho, mas no entanto possui algumas falhas, nomeadamente no lip-sync, que acho que não era totalmente a ideia principal aqui a reter. Esta é também algo lenta, e saí ainda mais prejudicada pela fraca performance do jogo. 

Parece que a ideia central de Deadly Premonition 2, era dar seguimento directo ao visual do seu jogo anterior, com algumas características que apelassem aos fãs mais nostálgicos da primeira entrega da franquia. Contudo, não é preciso sermos assim tão nostálgicos, nomeadamente, no que tocasse à sua performance… 

O dilema de Deadly Premonition 2

Deadly Premonition 2, trata-se de um jogo que se insere num mundo pequeno, mas um mundo muito subsistente e que nos deixa apreciá-lo com leveza, com uma história que só vai-nos cativando ainda mais a segui-la. No entanto, sofre imenso do estigma que não existia há 2 gerações de consolas atrás: trata-se de um produto extremamente mal acabado, que é lançado para o mercado cheio de problemas de performance e bugs que a equipa decidiu à partida ir resolvendo após o seu lançamento com updates… Isto, é uma política horrível, todos nos queixamos como consumidores mas no entanto o mercado está inundado disto, e de quem é a culpa? Nossa obviamente, que compramos os jogos na mesma pensando destes estarem concluídos e serem um produto pronto para ser usado pelo consumidor, mas depois deparamo-nos com verdadeiras aberrações, que em Deadly Premonition 2 não são poucas.

Nem sou de ligar muito ao frame rate de um jogo, desde que faça o seu trabalho e me dê uma boa experiência, mesmo que houvesse umas quebrazitas aqui e ali, mas para um jogo desta geração, estão-nos a pedir para largar-mos 50€ numa obra que parece saída e pronta a correr numa consola do século passado, com mais de 20 anos. Até não me importaria se fosse o caso, mas estamos a falar de um jogo feito para a Nintendo Switch. Que corre Doom, Skyrim, Breath of The Wild, Wolfenstein 2… Por amor de Deus, não me venham dizer que de alguma forma sentiram-se limitados com o hardware. Para uma PlayStation 2, sim, Deadly Premonition 2 seria um projecto algo limitado mas justificável. Mas para a Switch?! 

Bem, temos ainda, os freeze frames frequentes e longos, nem me faças falar nos loadings… dos loadings, e bugs como ver o interior da cabeça do York só com os olhos e a língua à vista, ou a animação da personagem ficar presa durante uma cutscene e ouvires York a acender um cigarro e a falar, mas na realidade este está congelado numa posição…durante a cutscene. Mas comigo o atrofio chegou a outros níveis, pois em pleno combate, os botões de controlo deixaram de me responder, e tive de desistir, ir à Home da Switch e voltar a entrar no jogo para conseguir recuperar o controlo da personagem.

É assim, se esta parte não estivesse tão mal desenvolvida, este seria sem dúvida um jogo a recomendar-te, e talvez quando este esteja de facto corrigido com updates, aí sim valha o preço a pagar. Apesar dos apesares, eu vou sempre sentir uma enorme gratidão por esta história ter sido tão bem concebida e por ter-me trazido ao mundo de Deadly Premonition, mas as manhosices e as entraves da experiência de jogo, para já não rendem o tempo que vais gastar nisto.

Até lá, digo que fico ansiosa por um futuro Deadly Premonition 3, e que se não tivesse de me deparar com todos estes problemas da actual entrega, daria no mínimo um 6 ao mesmo.


E tu já experimentaste Deadly Premonition 2?

Conclusão da Análise
Uma Pérola Disfarçada
4
Cedo me apaixonei pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.

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