A Quantic Dreams é conhecida por fazer surgir todo o tipo de emoções (eMOTIONS) nos jogadores, sejam elas boas ou más. Detroit: Become Human joga ao máximo possível com as nossas emoções, fazendo-nos optar por caminhos que não queremos, ou que achamos serem melhores para a personagem apesar de prejudicarem o contexto geral do videojogo. Detroit: Become Human foca-se numa premissa futurista, no sentido em que o ser humano se mantém o mesmo, mas a inteligência artificial dá passos grandes em direcção à liberdade de pensamento e à liberdade emocional.

Interpretamos vários papéis neste jogo, tal como em Heavy Rain: Kara, uma andróide que sofria de violência doméstica e pretende fugir às algemas da restrição artificial; Markus, comprado para assistir um senhor de idade nas tarefas do dia-a-dia (pena que não se chame Driss, do famoso filme Amigos Improváveis); Connor, o topo dos andróides no que toca a investigação, utilizando as suas capacidades electrónicas ao máximo na tentativa de desvendar qualquer caso que apareça. Todas estas personagens têm um propósito diferente, mas ao mesmo tempo, todas têm uma luta interior no que toca à diferenciação entre a artificialidade e as sensações humanas. Toca então ao jogador proceder da forma que melhor achar para determinar o desfecho da história.

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É sabido que da parte da Quantic Dreams, a qualidade gráfica é sempre exímia, e é verdade que beneficiam bastante do formato “episódico” com áreas fechadas, mas também nem todos os videojogos têm de ser open-world. Nota-se bastante que o foco na parte visual foi nas personagens, na maneira como reagem, as expressões faciais, ou até mesmo os movimentos corporais. Tudo se traduz num estado de espírito para o jogador poder compreender o que se passa com a personagem em questão.

Apostando num cenário artístico realista, as cidades são desenhadas como futuristas, tendo inúmeras funções que não seriam nada mal pensadas hoje em dia. Deixo esta parte misteriosa para descobrires por ti mesmo. As habitações em si não têm nada de futurístico, ou seja, os prédios e as vivendas mantêm o mesmo design, apenas introduzindo a componente da inteligência artificial e da electrónica como componente do dia-a-dia.

Detroit: Become Human

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A banda sonora adequa-se ao videojogo, com tons melancólicos em situações mais tensas e acelerando o passo nas cenas de perseguição ou de alta volatilidade que caracterizaram tão bem Heavy Rain. Sinto que por vezes existe um excesso de música, onde o silêncio funciona melhor. Colocaram um som ambiente que nem sempre se adequa à progressão da situação pois esta pode variar consoante o desfecho que nós escolhemos.

O meu único problema com o videojogo, que por vezes quebra bastante a imersão, é que nos diálogos temos a opção de escolher a postura que vamos tomar, mas não sabemos o que vamos dizer. Nem sempre a assertividade de Connor corresponde ao que eu quero que ele diga de forma assertiva, o que acaba por interferir com a sua relação com outras personagens, baixando a ligação, o que é bastante incomodativo.

A jogabilidade enquadra-se no género que já conhecemos, as experiências interativas, o que não invalida que seja má, antes pelo contrário. Temos liberdade completa para andar pelos cenários, com movimentos que pretendem simular ao máximo a realidade, o que leva a que as mecânicas se sintam um pouco presas em termos corporais, mas nada que perturbe o bom funcionamento do videojogo.

Detroit: Become Human

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Independentemente de já conhecermos a fórmula dos videojogos da Quantic Dreams, o estúdio esforça-se sempre para trazer ao jogador experiências inovadoras, que causem impacto, não só no tema abordado mas também na impressão que o jogador tem dos videojogos. Não é por acaso que raramente encontramos um videojogo similar, tanto em termos narrativos como gráficos. A equipa dá sempre o seu melhor, o que é um indicador positivo para a comunidade.

Nem sempre cumprindo com o que eu esperava, Detroit: Become Human é uma experiência que se pode prolongar bastante. Não sendo apologista de que todos os videojogos têm de ser extremamente longos, cada videojogo tem a sua duração, não concordo é com os preços que colocam nestes com durabilidade reduzida.

Não obstante, Detroit é um videojogo essencial caso não tenhas jogado nenhuma obra da Quantic Dreams. Esta traz mais uma vez uma experiência bastante elucidativa de um futuro próximo. Caso já conheças os títulos do estúdio, recomendo este videojogo à mesma, apenas não digo que não terás uma experiência igual ou semelhante à de quem nunca jogou estes videojogos.

Detroit: Become Human já está disponível em exclusivo para PlayStation 4.

Conclusão da Análise
Conflituoso
8.3

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