A série de Devil May Cry (a que a partir de agora vou passar a chamar de DMC) é considerada uma das pioneiras no sistema de combate extremamente variado e complexo em jogos de acção. Muitas vezes denominado de hack and slash ou spectacle fighter, neste ser eficiente a lutar não é suficiente, tens de também ter estilo e variar nos teus ataques para triunfares.

Infelizmente, depois de DMC 4 em 2008, a série passou por um estado dormente, apenas tendo um reboot controverso em 2013, intitulado de DmC: Devil May Cry. Este, desenvolvido pela Ninja Theory, apesar de partilhar o mesmo nome da franquia era algo bastante diferente das obras criadas por Hideki Kamiya e Hideaki Itsuno. Pelo que para surpresa de muitos, 11 anos depois de DMC 4, na E3 de 2018, tivemos na conferência da Microsoft a revelação de Devil May Cry 5. Um novo título na série principal, desenvolvido novamente por uma equipa interna da Capcom e dirigido por Hideaki Itsuno, que foi director em DMC 3 e 4.

Como é óbvio, 11 anos para uma sequela criou bastante pressão para a Capcom, especialmente com o reboot pouco aceite pelos fãs. A Capcom tinha de acertar em cheio com DMC 5 e felizmente, a qualidade deste surpreendeu-me tanto como a sua revelação na E3!

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Assim que iniciei o jogo e comecei a ver a sua introdução, usando o motor gráfico em tempo real, fiquei surpreendido com a sua elevada qualidade gráfica. Especialmente no que toca ao detalhe nas personagens e nas texturas, e com animações incríveis, há até o cuidado para algo tão simples como as físicas de um casaco, que nunca atravessam qualquer objecto ou superfície. Há aqui uma verdadeira amostra de que a Capcom tem um motor de qualidade!

A nossa aventura começa com um evento de grande escala, onde Dante luta com um demónio incrivelmente poderoso, mostrando algumas dificuldades em derrotá-lo. Aqui controlas Nero, que se encontra a caminho de Dante para o ajudar. Quando Nero confronta-se com o demónio, Dante já se encontra no chão, um bocado incapacitado, pelo que cabe-te a ti impedir que este inimigo se torne ainda mais poderoso. A história depois salta no tempo, para acontecimentos antes e depois deste prólogo, onde vamos descobrindo melhor os vários personagens e o que originou esta batalha tão desafiante para os nossos protagonistas.

Algo que voltou de DMC 4 foi a capacidade de jogar com vários protagonistas. Temos de volta o Nero, visto pela primeira vez em no titulo antecessor, Dante, o protagonista original da série, e por último V, uma nova estreia no elenco em DMC 5. Nero tem uma jogabilidade semelhante à de DMC 4, continuando a utilizar a sua espada Red Queen e a revólver Blue Rose, mas há uma pequena adição que o muda bastante. Nero tem à sua disposição uma série de braços mecânicos, chamados Devil Breakers, que lhe dão novas formas criativas de esmagar demónios.

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Há vários tipos de Devil Breakers com uma série de habilidades únicas, sendo um dos meus favoritos o Punch Line. Este é um punho que como um foguete, podes disparar contra um inimigo, ficando o braço a girar à volta dele, e atingindo-o várias vezes. Entre outras habilidades, podes também surfar no braço, atacando com vários truques e acrobacias. No entanto, os braços são bastante frágeis, sendo destruídos se fores atingido enquanto os usas, ou se executares um ataque especial único, que no caso do Punch Line, é um uppercut que faz vários inimigos voar, seguido de uma explosão do braço no ar.

O Dante está de volta, e em DMC 5 temos a melhor versão do caçador de demónios. Temos presente o combo clássico da espada Rebellion com as pistolas Ebony e Ivory, bem como a poderosa Shotgun, mas aqui são as outras armas que realmente brilham. Armas como a Balrog, umas luvas e botas que aquecem com ataques e aumentam o seu dano, dando-te a oportunidade para usares mais habilidades, ou a Cavalier, uma mota que se divide em 2 partes, podendo desfazer os demónios com as suas rodas. Também há uma arma de fogo bastante interessante, mas vou deixar a surpresa para quem experimentar o jogo.

Tal como em DMC 4, Dante pode trocar entre 4 estilos livremente: Swordmaster – focado em corpo-a-corpo, acrescentando vários ataques novos como um breakdance que podes fazer com a Balrog; Gunslinger – focado em armas de fogo, dando mais estilo à distância, como poderes mandar uma chuva de tiros com a Ebony e Ivory, enquanto dás uma pirueta de pernas para o ar em cima dos inimigos; Trickster – focado em movimento, dando-te um dodge extra, e também um teleport para te aproximares rapidamente dos inimigos; e finalmente o Royal Guard – focado em defesa, com um block que com o timing certo, acumula a energia dos ataques, podendo depois soltá-la para um ataque explosivo.

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Todas as habilidades de Dante são aumentadas em dano e velocidade quando ele entra no modo Devil Trigger, que é representado por um grupo de barras roxas por baixo da barra de vida. Este modo é bastante divertido, com os seus efeitos exagerados.

Com a sua estreia em Devil May Cry 5, a jogabilidade de V é das mais únicas no género. Sendo este um lutador indirecto, o mesmo utiliza 2 companheiros para lutarem por ele, com cada um desses a ser controlado por um botão. Temos então Griffon – um pássaro que ataca à distância com disparos de electricidade; e Shadow – uma pantera que ataca os inimigos de perto. Os companheiros de V apenas conseguem enfraquecer os inimigos, tendo V de dar o golpe final com a sua bengala. Enquanto Griffon e Shadow lutam com os inimigos, V pode ler poesia para aumentar a sua barra do Devil Trigger, ou então pode aproveitar para mandar uns insultos aos inimigos, pois os insultos aqui são bastante importantes!

V também possui um Devil Trigger, mas este é bastante diferente de Dante, pois consiste num terceiro companheiro, chamado Nightmare, um Golem com uma entrada exagerada que destrói os inimigos sem precisar do controlo do jogador. Apesar de ser mais fácil de se jogar com V, penso que esta personagem foi bem executada. V não tem escassez de habilidades cheias de estilo nem de carácter, pelo que é refrescante ver um personagem novo e único na série vir variar a jogabilidade.

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Independentemente do personagem, o combate é sempre espectacular, e não é para menos, pois és avaliado durante as lutas pelo teu estilo de combate, com uma escala que varia desde Dismal até Smokin’ Sexy Style. O truque para atingires os níveis mais altos, consiste em variar nos ataques, evitar levar dano, e insultares os teus inimigos o suficiente.

Ao longo do jogo, podes adquirir vários upgrades para cada personagem, como um duplo salto, ou um ataque novo para uma das tuas armas. Podes comprar estes upgrades entre missões, ou interagindo com uma cabine telefónica durante as missões para chamar Nico, que tem sempre uma entrada explosiva. Estes upgrades são comprados com Red Orbs que se encontram nos cenários, e que podes adquirir matando inimigos, e também no final das missões.

Há uma grande variedade de inimigos, havendo uma versão moderna de alguns clássicos, como os esqueletos zombies Hell Caina de DMC 3, bem como os Death Scissors, uns espíritos com tesouras gigantes, de DMC 1. Juntamente com estes, há um bom número de novos inimigos, sendo a maior parte deles um híbrido entre insectos. Estas criaturas estão mesmo bem desenhadas, e combinam com o mundo do jogo.

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Temos também uma boa variedade de bosses, que estão incrivelmente executados. Todos os ataques estão bem telegrafados, e os bosses têm várias fases para se manterem interessantes. Os mesmos, são desafiantes, mas não notei presença de dificuldade artificial, pelo que senti que qualquer erro que cometi foi somente devido a uma má decisão minha.

Os níveis têm uma estrutura bastante linear, apenas com alguns desvios para missões secretas, que são pequenos desafios como matar inimigos num determinado tempo ou fazer um percurso sem pisar o chão. Tens ainda coleccionáveis como Gold Orbs, que te podem reviver instantaneamente, e fragmentos de Blue Orbs ou Purple Orbs, que após se juntar 4 de cada, os Blue Orbs aumentam-te a vida e os Purple Orbs o Devil Trigger. Os cenários têm uma boa variedade, com um foco em zonas urbanas, em vez da arquitectura gótica presente nos jogos anteriores.

No final, os níveis são pontuados de acordo com o teu desempenho geral, desde D a S. Ao contrário dos jogos anteriores, onde o tempo e a colecção de orbs afectava a pontuação final, em Devil May Cry 5, apenas o teu desempenho durante as lutas é o que decide a tua pontuação final. Penso que isto foi uma decisão bem tomada, pois ter de andar a correr pelos níveis para ter uma melhor pontuação é algo que impede o jogador de apreciar os cenários e a jogabilidade no geral.

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Por vezes os nossos personagens vão-se encontrar durante a aventura, e nesses casos poderás encontrar outro jogador a ajudar-te no nível, ou à distância, fazendo apenas parte do cenário. Esta vertente online não é intrusiva, e o que o outro jogador faz não afecta a tua pontuação final do nível. Esta pequena adição ajuda o mundo a ser mais credível, dando a entender que os outros personagens não estão apenas parados à espera de entrar quando a história lhes chama.

Como Devil May Cry 5 é um jogo com uma curva de aprendizagem elevada, é normal ao jogador morrer umas quantas vezes durante a aventura. Felizmente, a Capcom arranjou uma forma livre de frustração para quem está com dificuldades. Quando morres, é te apresentado a opção de utilizar um Gold Orb ou um número de Red Orbs para reviver no sítio onde morreste, apenas baixando-te o rank final da missão. Isto é bastante bom para quem não tem interesse em ter uma pontuação alta e que quer apenas superar os níveis.

Sendo um jogo de DMC, existem várias dificuldades que vais desbloqueando à medida que acabas o jogo na dificuldade mais alta disponível, sendo que ao início tens apenas 2 dificuldades, a Human, para os novatos da série, e o Devil Hunter, um modo para os veteranos. Depois vais desbloqueando sucessivamente até mais 4 dificuldades, sendo que a última, Hell and Hell, consiste em morreres com um golpe, com um limite de 3 mortes por missão, sem poderes reviver com Gold ou Red Orbs.

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Durante algumas missões, vais encontrar partes com plataformas para tu saltares, onde a jogabilidade falha um bocado, pois os controlos não foram feitos para tal, mas felizmente estas secções são breves e escassas. Algo que também me incomodou por vezes foi a câmara, pois tende-se a prender atrás de objectos, obstruindo a vista.

Tenho a acrescentar que joguei DMC 5 num PC com uma AMD RX 480, 16 Gb de ram e um I7 4770K, na resolução de 1920×1080. O jogo tem um menu de opções gráficas extenso, e foi extremamente fácil de correr, estando sempre acima dos 60 fps nas definições máximas, uma excelente optimização para o PC.

Devil May Cry 5 já se encontra disponível para a Playstation 4Xbox One e na Steam para o PC.