Agora que miúdos e graúdos se preparam para revisitar a franquia de Dragon Ball no grande ecrã, não há melhor altura para dar a conhecer um dos jogos mais interessantes e únicos das aventuras de Son Goku. Lançado em 1996 no Japão para a Sony Playstation e Sega Saturn, e meses depois apenas para a consola da Sega no nosso país, Dragon Ball Z: Idainaru Dragon Ball Densetsu, (ou Dragon Ball Z The Legend como é conhecido na Europa), é um jogo muito diferente do que conhecemos até à data sobre esta lendária franchise. Este, é também um dos produtos mais fieis desta obra, rivalizando contra o próprio Dragon Ball Fighter Z nesta temática.

Na verdade Dragon Ball Z The Legend, apenas teve lançamento Europeu na França, Espanha e Portugal, e aqui este factor deve-se sem sombra de dúvida, à explosão que Dragon Ball Z teve no nosso país, qual como sabemos, parava para assistir às lutas contra o mal ao final das tardes de segunda a sexta-feira. Por ficar de fora de países como a Inglaterra, o jogo foi todo localizado em francês, à semelhança do que tivemos com os títulos da Super Nintendo e Sega Mega Drive. Este jogo, segue a par e passo toda a história de Dragon Ball Z, retratando desde a invasão Saiyan, até aos confrontos contra as intermináveis formas de Majin Boo. Podem contar com dezenas de lutas, desde as mais icónicas às mais obscuras!

Ao carregarmos no botão Start, apenas temos acesso a dois modos de jogo: o História e o Versus, sendo que o modo Special, é apenas desbloqueado quando terminamos o modo História. Este, apenas consiste numa gauntlet de lutas contra vários adversários, aliás, o grande cartão de visita deste titulo é mesmo a sua campanha. Ao a seleccionamos, somos imediatamente recebidos com várias imagens, narrando os acontecimentos que ocorreram até então. Com isto, é de salientar que as várias imagens que visualizamos são oriundas dos painéis Manga, fazendo deste produto indiscutivelmente o titulo mais fiel à vertente manga da franquia.

Se estão à espera dos tradicionais combates um contra um, esqueçam-nos, pois ao iniciarmos o nosso episódio, escolhemos um trio de guerreiros restritos ao capitulo em questão de onde são inserido. Assim que a nossa escolha é feita, o inimigo surge e começamos a nossa sessão de pancadaria! Os combates começam no solo, tendo rapidamente a tendência de elevarem-se pelos ares. Estes, desenrolam-se no máximo de três contra três, estando o computador a controlar as restantes duas personagens, podendo nós o jogador, alternar o controlo entre o nosso trio.

Dragon Ball Z The Legend

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Embora seja um jogo de Dragon Ball Z, os nossos movimentos são muito restritos. Temos um botão para atacar, outro defender, e outro para disparar pequenas descargas de Ki. No entanto, se esperam emular os combates supersónicos da série, e causar dano nos nossos adversários, têm de recorrer a Connects, Hi Connects, Chain Hits, e Meteor Attacks, pelo que abaixo do nosso ecrã temos uma pequena barra intitulada de Power Balance. Pensem na mesma como uma balança, na qual a cor azul simboliza a nossa equipa, e a vermelha a do nosso adversário.

Ao disferirmos ataques, a nossa barra vai aumentando, no entanto apenas atinge valores consideráveis com vários Connects, Hi Connects e Chain Hits, que sucessivos e em cadeia, são essencialmente os enxertos de porrada característicos de Dragon Ball Z. Com uma meia lua no nosso botão direccional, acompanhado do botão de ataque, encarnamos imediatamente Son Goku e todos os defensores da terra. Este efeito transmite uma espécie de fluxo de combate, e enquanto a nossa, e as restantes personagens que agem de maneira autónoma, disferem golpes, o nosso Power Balance, começa a encher, e só depois de estar cheio e a balança pender para um dos lados, é que é permida à personagem que controlamos, ou à de um adversário, soltar um Meteor Attack!

Estes explodem no nosso ecrã com os eternos movimentos que celebrizaram as suas personagens. Desde os populares Kamehameha, Genki Dama e Final Flash, aos mais obscuros como, Death Beam, Buster Canon e Rocket Punch. Cada personagem dispõe de no máximo dois Meteor Attacks, contudo a forma como surgem é aleatória, e é a única maneira de causar dano na equipa adversária. Convém também salientar que todas as nossas acções consomem Ki, e por debaixo da nossa barra de vida, encontra-se uma barra amarela que representa as nossas reservas dessa energia. Desta forma, tenham atenção que quando a mesma se apresenta vazia, a nossa personagem fica imóvel e sujeita a ataques. Felizmente, e como na série, podemos reunir a nossa energia perdida através da nossa aura.

Lembram-se de mais acima ter referido, que antes dos nossos combates, temos a possibilidade de escolher a nossa equipa? Bem esse mesmo elemento está presente em todo o jogo e devido ao mesmo, o verdadeiro valor de Dragon Ball Z The Legend vem ao de cima. Isto porque podemos retratar na perfeição quase todos os acontecimentos que tão bem conhecemos e adoramos, mesmo enquanto estamos no menu de selecção de personagens. Em alguns eventos, as personagens falam entre si, relatando (em japonês sem legendas) o que decorre no combate. Por conseguinte, estes eventos causam consequências nos combates.

Dragon Ball Z The Legend

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Por exemplo, se Kuririn é derrotado enquanto lutamos contra Frieza no Planeta Namek, e Goku estiver na nossa equipa vivo, este transforma-se em Super Saiyan! Também se retiramos Goku da nossa equipa enquanto lutarmos contra os androides #17 e #18, surge #16 na equipa, e assim que Goku chega, este sai dos combates. Estes são apenas dois exemplos presentes à vossa espera, mas ainda se encontram dezenas por descobrir.  Na verdade, o jogo incentiva o jogador a recriar toda a história de Dragon Ball Z, sendo que no final é atribuída uma percentagem e pontuação referente ao quanto conseguimos recriar da mesma nesse combate. Todos estes condicionantes associados, e como um grande núcleo, transformam, criam e transportam o jogador a toda a série, de uma maneira diferente, original, e muito própria.

Tecnicamente Dragon Ball Z The Legend envelheceu muito mal. Na realidade, nunca foi um poderio visual tremendo, e sejamos sinceros, vivíamos e respirávamos Dragon Ball Z, pelo que até à mais ínfima caganita verde, tudo era um tesouro. Para os mais atentos às animações de personagens, estas oriundam dos jogos Dragon Ball Z Byu Retsuden e Buttoden, isto porque o jogo foi desenvolvido pela TOSE. O problema, é que os modelos e animações estão incrivelmente pixelizados, e que se aliam a cenários que embora sejam destruíveis, são muito despidos, pobres e simples. No entanto, estávamos em 1996, pelo que é espectável encontrarmos um produto assim, porém a Sega Saturn foi um portento 2D poderosíssimo para sua era, e francamente consegue fazer melhor. O problema aqui, foi mesmo a herança da Sony Playstation, que mesmo sendo versões ligeiramente diferentes (sendo a Sega Saturn a melhor na minha óptica), acabou por partilhar vários elementos. A respeito sonoro, as tradicionais musicas de Kikuchi foram postas de parte, dando lugar a faixas de rock ligeiro alternativo e pincelado com épico, o que por mais peculiar que possa ser soam bem. Só é pena que os enxertos de porrada abafem a maioria das faixas.

Cá no nosso país, este foi dos jogos para a Sega Saturn mais célebres e com o maior número de vendas. Era certíssimo cada possuidor de uma consola 32 bits da Sega ter Dragon Ball Z The Legend na sua ludoteca. O jogo teve tanto sucesso, que teve direito a duas versões em que apenas mudava a capa, sendo a primeira edição com capa de cartão e a segunda em caixa de plástico estilo DVD. É de salientar que a tradução francesa podia ter sido melhor… A mesma está cheia de erros e inconsistências, chergemant, Comate e Noelle Force, são alguns exemplos…

Não obstante aos seus senãos menores, Dragon Ball Z The Legend é um produto que merece pelo menos ser experimentado por qualquer fã de Dragon Ball Z. O seu combate, a sua dinâmica, e o facto de tentar ser ao máximo fiel ao material de onde se baseia, é fantástico. É sem dúvida um titulo muito ambicioso, preso por limitações tecnológicas, que mesmo assim na minha opinião foi do melhor que tivemos de Dragon Ball Z na era das 32 bits.

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