Lançado em 1996 pela J-Force, e localizado pela Working Designs no ocidente para a Sega Saturn, Dragon Force foi um projecto único, ambicioso e tão original que ainda continua a ser falado nos dias de hoje. E não, não me refiro a banda britânica que tantos pesadelos causa no Guitar Hero, nem sequer à claque do FCP, falo sim deste genial título.

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A história de Dragon Force transporta-nos até ao continente de Legendra, o qual vivia prospero e em paz, até as forças do mal lideradas pelo Deus Demónio Madruk, invadirem as terras e semearem o terror nos reinos. Tanto o Deus Dragão Hargalt, como a Deusa Astea e os seus guerreiros escolhidos, não conseguiram derrotar esta ameaça, definitivamente. 300 anos mais tarde, o demónio promete vingar-se, enviando 2 dos seus devotos seguidores a Legendra, que imediatamente causam o caos e a discórdia entre os reinos. A esperança para a salvação fica incumbida nos ombros dos líderes de cada reino, cuja mão possui uma marca deixada por Hargalt, simbolizando a sua herança. Estes monarcas devem deixar as suas diferenças de lado, unirem-se, e recuperar o poder do dragão para acabar com Madruk de uma vez por todas!

Em Dragon Force cada líder tem uma história independente, no entanto as campanhas de Goldark e Reinhart apenas podem ser acedidas quando o jogo é terminado uma vez, já que possuem spoilers. O jogo assume diversas formas, tais como RTS ou RPG, e diversas mecânicas consoante o seu meio. Assim que escolhemos qualquer um dos oito líderes, surge o mapa de Legendra, onde deslumbramos os diversos reinos e as frentes em disputa. O jogador começa por enviar via fixa, uma das suas frentes para a conquista de um castelo vizinho inimigo, apoderando-se do mesmo, para desta forma expandir o seu território, o número de recrutas e a sua influência. Caso tanto os generais como o seu monarca abandonem o castelo, este será imediatamente conquistado pelo inimigo. Este detalhe é muito importante visto que o jogo fluí com a forma como cada um encara cada confronto.

Dragon Force

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Quando o jogador encontra um inimigo ou castelo, a jogabilidade muda radicalmente. Antes de cada confronto, podemos negociar com o inimigo, ou bater em retirada. Sendo que se optarmos pela última opção, perderemos algumas tropas ou generais feridos. Consoante a negociação, e se esta não for aceite pelas duas partes, o nosso general e as suas tropas entram em combate num campo de combate horizontal, num misto de jogo em tempo real e em combate por turnos. Além de entrarmos com as nossas tropas em combate, cada líder tem ainda alguns ataques que vão desde ataques físicos, mentais, ou até invocar um tufão para varrer as tropas. Com um máximo de 100 unidades, cada general tem acesso a vários guerreiros, consoante o seu prestígio e natureza. Existem diversas tropas, cada uma com forças e fraquezas. Magos são eficazes contra soldados, samurais contra dragões, Dragões contra zombies… Existem ainda diversas tácticas que o jogador pode utilizar para maximizar estas virtudes. Enviar soldados pelos flancos evita que os mesmos sejam queimados pelos magos, homens-animal são rápidos contra soldados. Desde tácticas de ataque ou defesa, e tropas especificas, podemos virar a nosso favor o fluxo dos combates.

Mas e se ambos generais ficarem sem tropas em combate? A resposta será um duelo! Se ambos aceitarem, o combate só terminará com a derrota de um dos participantes. Porém um general ferido pode ser capturado tanto por nós como pelo inimigo. O combate termina quando todos os generais em confronto batem em retirada, ou são derrotados. Com o passar de cada “semana”, o nosso monarca é chamado a desempenhar tarefas administrativas. Lembram-se de os generais serem capturados no campo de batalha? Neste período, o nosso líder pode dirigir-se até às prisões e tentar negociar com os cativos de forma a fazerem parte das suas tropas. Como forma de tentar encontrar aliados, e alguns itens, que são verdadeiramente necessários para cada general poder controlar tropas diferentes, o jogador tem ao seu dispor alguns generais específicos para a busca.Dragon Force

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Finalmente durante este período e com base na sua prestação em combate, cada general pode ser promovido, podendo assim controlar mais tropas em combate. Estes três procedimentos, são necessários para a nossa conduta e desenvolvimento em Dragon Force já que são indispensáveis. Este é essencialmente todo o fluir deste título, a história é mínima, e a mesma apenas entra em desenvolvimentos ligeiramente diferentes perto do final do jogo.

Tecnicamente podemos considerar o jogo funcional, já que os grafismos cumprem bem os seus objectivos. Sprites detalhados, porém pixelizados quando muito próximos, animações simples, ilustrações ao estilo anime anos 90 em algumas cenas, e personagens chibified são o que podemos encontrar referente a grafismos. As melodias são surpreendentemente agradáveis, até para standards da era 32 bit. Cada general tem uma melodia distinta no mapa de Legendra, e os temas de batalhas são altamente, embora algo idênticos são sempre enérgicos e memoráveis. Quanto a controlos básicos para cada acção, muitos dos mesmos apenas servem para aceitar ou cancelar acções.

Dragon Force

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Devemos agradecer à Working Designs por trazer até às nossas Sega Saturn ocidentais este título genial. Contudo e continuando a sua tradição, este estúdio adorava colocar humor, do mais bizarro que possas imaginar, nas suas localizações. Mesmo não estando dentro dos standards de obras como Magic Knight Rayeheart, Dragon Force apresenta um vocabulário bem estranho, à semelhança de alguns momentos que contrastam com o seria esperado. No entanto, podes ficar descansado/a, pois estes últimos são muito fugazes, e alguns até servem para soltar um riso muito tímido.

Mesmo provido de uma história simples, e jogabilidade que no papel pode ser repetitiva, Dragon Force, é certamente um dos melhores títulos da Sega Saturn. Um jogo que soube reinventar dois géneros, e que realmente já merecia uma nova oportunidade. Numa era onde os Srpg estão a tornar-se cada vez mais célebres, certamente este jogo contribuiria mais para o erguer deste género.

 

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