Qualquer fã de videojogos que se preze, já ouviu falar nos dois titãs da Nintendo, Super Mario e Legend of Zelda, e embora existam mais jogos que sigam esta fórmula (Kirby vem à cabeça), irei-me centrar nos porta-estandartes da marca nipónica.

A partir do momento em que carregamos no botão para iniciar qualquer um destes jogos, sabemos o que nos espera (salvo certas excepções), uma princesa que precisa de ser salva pelo característico vilão, desta vez num mundo ou espaço temporal diferente, onde lutamos com os mesmos inimigos (friso, inimigos, ao invés de bosses). Então, o que é que nos faz comprar a iteração seguinte destas sagas? A viagem.

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A mim pouco me interessa que o Bowser tenha crista com uma t-shirt dos Village People, não é para aí que a Nintendo quer que olhemos, mas sim para a maneira como desenharam e encaixaram o mundo que vamos percorrer enquanto Mario, saltando e girando como sempre fizemos, desde o primeiro jogo. Com tons vibrantes e personagens que embora conhecidas, acrescentam sempre valor à história, e breves “acenos” que nos transportam para os seus antecessores.

Já com um peso mais assente na narrativa, The Legend of Zelda traz-nos, a cada título, uma nova versão temporal de Link, cujo objetivo tende a assentar no mesmo, salvar a princesa Zelda, então porque é que não nos cansamos de salvar sempre a mesma princesa, tal como em Mario? Porque Miyamoto é um mestre na arte de transformar o mesmo caminho percorrido centenas de vezes, criando diversões e personagens cativantes, que nos façam querer saber mais.

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Pegando mais concretamente em Breath of the Wild, que embora bastante desviado dos tradicionais Zelda, nunca nos deixou sentir que não fazia parte do mesmo mundo. BotW deixa-nos no meio do nada, sem memória, apenas sabendo que temos de ir para o castelo. Mas como vamos? Com quem falamos? Do que é que precisamos? As respostas a estas questões mudam a cada TLOZ, cada uma mais extravagante que a outra, para que o jogador nunca sinta o cansaço de ir salvar a mesma princesa, vezes e vezes sem conta.

Como é óbvio não são só as personagens que nos puxam.

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Para os mais atentos, irão reparar que em nenhum destes jogos a banda sonora deixa de ser subtil, lançando sempre tons mágicos que vão criando um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo nostálgico. Esse trigger das memórias tem também um grande peso, sentir o crescimento das personagens e do seu mundo será sempre um factor definitivo na elaboração destes videojogos, apelando à sua leal comunidade, a Nintendo jamais deixará um amante destas sagas ficar desiludido.

Claro que todas as viagens têm altos e baixos, mas a qualidade das mudanças não é tida em conta neste artigo, o que é tido em conta é a capacidade de mudar mas continuar “igual”, para que se algum dia nos lerem uma sinopse do jogo que vamos jogar, sem mencionar qualquer personagem, sabermos que o jogo em questão é Super Mario ou Legend of Zelda, e aí estamos convencidos da compra certa.

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Um dos exemplos mais sonantes deste artigo será Super Mario Galaxy, um jogo que arriscou até não mais com a saga, e, consequentemente, compensou até não mais (continua a ser, na minha opinião, o melhor Super Mario alguma vez feito). Super Mario Galaxy trouxe consigo um universo (literalmente) para se explorar, fugindo à tradicional aldeia que vamos percorrendo, juntamente com uma perspectiva em constante mudança, dada a forma esférica dos astros em que vamos passeando. A história é a mesma, o protagonista é o mesmo, os inimigos são os mesmos, mas que me caia um trovão em cima se não é um dos melhores videojogos alguma vez feitos.

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Poderá parecer-vos que a premissa destes dois morreu, mas a verdade é que não precisa de haver premissa. Podíamos ter um jogo do Super Mario que durasse duas horas e extraíamos de lá mais sumo emocional do que muitos com dezenas de horas e múltiplas funcionalidades. Não é por acaso que a Nintendo faz questão de incluir estas personagens em praticamente qualquer tipo de multimédia que criem, o acaso não entra no dicionário de Miyamoto.

Aclamem, reclamem, sejam apáticos, a verdade é que The Legend of Zelda e Super Mario, mesmo que deixassem de ser feitos hoje, ecoariam pela indústria dos videojogos até a mesma deixar de existir.

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