Qualquer jogador que se preze nesta indústria, sabe que o foco da Nintendo é a possibilidade de incluirmos a família toda nos videojogos que os próprios criam, ora, fruto desse foco nascem inúmeros videojogos que apenas são divertidos quando jogamos em família, uma faca de dois gumes.

Apesar de já ter saído na Nintendo Wii, Go Vacation não vingou como pretendido pela Bandai Namco, o que levou a uma nova tentativa nesta nova consola portátil que tanto tem surpreendido pela positiva. É verdade que sempre foi assombrado pelo rei dos videojogos familiares, Wii Sports, no entanto isto não implica que tenha de se ficar pelo segundo lugar, vem então uma segunda tentativa na Nintendo Switch.

Go Vacation dá o seu melhor no equilíbrio entre quantidade e qualidade de mini-jogos e conteúdo de jogo no geral, optando por uma jogabilidade em free roam, que nos abre as portas a quatro resorts repletos de actividades. Apesar de dar o seu melhor, esta correlação não se encontra como positiva, sendo que a quantidade sobressai relativamente à qualidade como já assim o era antes. Tanto procuraram diversificar que se esqueceram de tornar cada actividade interessante não só em multi-jogador, mas também para um único jogador contra o CPU.

Este é o meu principal problema com Go Vacation, é verdade que o foco do jogo é a diversão com amigos ou com a família, mas quando estou sozinho a jogar no quarto não sinto motivos para sequer abrir o jogo pois sei que não é nem metade da diversão. Isto não invalida a diversidade que encontramos no videojogo, o que também refresca a experiência e a capacidade de o jogarmos horas a fio sem fazermos a mesma atividade mais do que uma vez.

As atividades variam de acordo com o resort onde nos encontramos, ou seja, na neve temos a possibilidade de fazer ski ou snowboard, na praia jogamos vólei de praia ou andamos na mota de água. Isto não quer dizer que se estivermos na neve não possamos jogar imediatamente vólei de praia ou andar de skate, basta irmos ao menu e selecionarmos a atividade que pretendemos jogar, apenas pretendem contribuir para uma maior imersão nas férias que tiramos em Go Vacation.

Os controlos por vezes deixam a desejar, onde certas atividades requerem um controlo com o giroscópio, ora, se estiverem a jogar no modo portátil como eu faço 100% do tempo, andar às voltas com a consola vai impossibilitar ver o que estamos a fazer, digo isto por exemplo na actividade de para-quedismo. De resto os controlos são adequados às modalidades e aos restantes jogos dos respectivos géneros.

Tal como 80% dos jogos que saem na Nintendo, a banda sonora é alegre e relaxante. Independentemente da atividade que estejamos a praticar, sentimos sempre uma sensação de felicidade e diversão, o que já não é tão feliz são os sons que os personagens fazem, como por exemplo o barulho repetitivo dos saltos, ou as “falas” das personagens.

A melhoria foi maioritariamente gráfica, onde os visuais foram remodelados para algo mais realista e ajustado a esta geração. Posso dizer que mesmo em modo portátil nunca senti uma desvalorização gráfica que me obrigasse a jogar apenas com a consola docked, o que para mim é o mais importante neste tipo de jogos, a sensação a jogar na televisão ou na própria Switch, e aí Go Vacation consegue um perfeito equilíbrio.

Go Vacation já está disponível para Wii e Nintendo Switch.