Foi com Heavy Rain que, pela primeira vez, tive o enorme prazer de conhecer a empresa Quantic Dream e não tenham dúvidas que, depois de ter jogado este título, me tornei fanática pelos seus videojogos.

Depois de Heavy Rain, foi Beyond: Two Souls. Explorei um pouco do passado da Quantic com Fahrenheit e joguei recentemente o seu título mais actual, Detroit: Become Human. E que grandes aventuras foram!

A empresa tem conseguido sempre superar as minhas expetativas ao criar jogos interativos muito distintos do que é normal.

Antes de Heavy Rain, a Quantic Dream já tinha lançado dois videojogos, nomeadamente Omikron: The Nomad Soul e Fahrenheit: Indigo Prophecy. Contudo, apesar de estes afirmarem as suas qualidades únicas, não chegaram a obter muito reconhecimento por parte da indústria.

David Cage, director da Quantic, tentou redimir-se ao procurar as falhas dos jogos anteriores, acabando por lançar em 2010 o seu terceiro título exclusivo para a Playstation 3, Heavy Rain.

O jogo foi muito bem recebido pelos críticos e obteve grande sucesso, sendo considerado um dos jogos mais vendidos na plataforma com vários prémios atribuídos.

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Heavy Rain começa a sua narrativa ao apresentar-nos Ethan Mars, um arquitecto que vive com a sua mulher e dois filhos, Jason e Shaun.

Após comemorarem o aniversário de Jason, a família decide ir ao centro comercial para festejar. No entanto, Ethan perde Jason de vista e quando o encontra, este está prestes a ser atropelado por um carro. Ethan tenta evitar o pior, mas sem sucesso. Jason morre e Ethan fica em coma.

Passados 2 anos, Ethan recupera do sucedido e culpa-se permanentemente pela morte do filho. A sua mulher pede divórcio e este passa a viver sozinho numa casa regular, cuidando, sob custódia ocasional, do seu outro filho, Shaun.

O estado mental de Ethan piora drasticamente e este começa a ter bloqueios mentais e a sofrer de perturbações pós-traumáticas.

Um dia quando leva Shaun a passear pelo parque, Ethan têm um apagão mental e quando volta à sua consciência, o filho desapareceu.

A partir deste ponto, Ethan entra em pânico e tenta fazer de tudo ao seu alcance para recuperar o seu filho.

Provas indicam que é provável este ter sido raptado pelo Assassino Origami. O tempo está a passar e cada segundo é precioso… Será que Ethan irá tomar as decisões certas para conseguir salvar Shaun?

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Baseado muito na jogabilidade do seu antecessor “Fahrenheit”, Heavy Rain caracteriza-se por ser um jogo repleto de mistério e aventura, narrando-nos uma história interactiva muito envolvente que vai sendo repartida em quatro personagens diferentes.

Para além do mais óbvio, Ethan Mars, também temos Madison Page, uma jovem adulta que se assume como fotógrafa; Norman Jayden, um trabalhador do FBI que utiliza um aparelho de realidade virtual nas suas investigações; e Scott Shelby, um detective privado, reformado da sua antiga profissão na força policial.

Apesar de serem divergentes, haverá momentos do jogo em que os destinos destas personagens se interligam entre si.

O jogador controla o destino destas personagens, escolhendo entre várias decisões que podem mudar completamente o rumo da narrativa.

Várias cenas dos jogo implicam “quicktime events”, especialmente quando dispõem de mais acção com o meio envolvente, seja em formato diálogo ou em cenas de combate.

Dependendo da versão, o jogo pode ser controlado com um DualShock normal ou comandos da Playstation Move.

Os primeiros minutos do jogo começam de forma muito lenta e calma, de modo que o jogador possa criar empatia com Ethan, vivenciando os últimos momentos felizes que este passa com a sua família.

Contudo, pouco depois gera-se o caos, pelo que Heavy Rain é especialmente conhecido.

A partir do momento em que Shaun é raptado, o ritmo dos capítulos começa a ficar mais intenso e urgente, pois o tempo para o encontrar parece tornar-se limitado.

Os desafios a que Ethan se submete para salvar o seu filho são algo que mexe muito com as nossas emoções e limitações psicológicas, chegando mesmo a despertar os nossos instintos “parentais” (mesmo que estes ainda estejam escondidos, como foi o meu caso).

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Com este jogo também pude realmente experiênciar à “flor da pele” o que os meus pais sentiam quando eu em pequenina decidia esconder-me deles no supermercado. Não foi nada bom, digo-vos já!

Eu relacionei-me de tal maneira com estas personagens, que cheguei a um ponto em que já pensava que o Shaun era mesmo o meu filho e que tinha de o recuperar, senão alguma coisa muito má iria acabar por lhe acontecer.

Um dos aspectos que valorizo bastante em Heavy Rain é a sua história e personagens.

A história depressa se torna cativante, pois retrata acontecimentos que podem ocorrer a cada um de nós. As personagens não são super-heróis e não têm qualquer tipo de super-poderes – são humanas e frágeis, tal como na vida real, e tudo lhes pode acontecer.

O jogo está dividido em vários capítulos com cenários imersivos que nos revelam ambientes realistas e bem intrigantes.

Com a tecnologia de captura de movimento, as acções das personagens tornam-se detalhadas juntamente com as suas expressões faciais, que conseguem ser emocionalmente muito credíveis.

Porém, a forma como controlamos as personagens é que pode ser pouco natural.

Com a minha experiência, estas ocasionalmente ficavam presas em momentos constrangedores e não progrediam na direcção que queria.

Os diálogos, apesar de terem boa qualidade estrutural, por vezes sofrem com um pouco de lag. Não é do nada que a repetição constante dos nomes “Jason” ou “Shaun” ficou conhecida como um glitch famoso ao longo do jogo.

As cutscenes estão muito bem definidas, particularmente quando se apresentam em situações de corte para mostrar perspectivas de planos diferentes. Eis o exemplo da imagem:

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À medida que realizamos as nossas escolhas, começamos a aperceber-nos que estas não são consideradas nem boas ou más pois conforme vamos jogando, as nossas decisões não impedem o desenrolar da história (mesmo quando alguma das personagens principais morre).

Ao contrário de Fahrenheit, Heavy Rain não possui “Game Overs” ou sequências que mostram que falhámos nos capítulos.

Todas as nossas escolhas se adaptam de forma contínua ao desenrolar da narrativa, podendo causar diversos efeitos.

Uma escolha que nos pode parecer mais correta pode trazer várias consequências negativas a longo curso.

Na minha primeira gameplay, houve vários momentos em que me senti arrependida por não ter conseguido salvar certas personagens ou por não ter analisado melhor os contextos das situações.

A pressão da história consegue ser muito intensa e às vezes demasiado rápida. Lembro-me de ter de pausar várias vezes o jogo, de modo a conseguir assimilar tudo que estava a acontecer ou para evitar que o pior se pudesse desencadear.

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A banda sonora de Heavy Rain é muito absorvente, variando entre ritmos lentos e rápidos para acompanhar os momentos certos do jogo. As músicas são sempre muito enigmáticas, compostas por tons abatidos de suspense que condizem com a temática pesada da história.

As formas de jogar podem ser muito distintas consoante cada um de nós. No total, as nossas decisões podem resultar em 22 finais diferentes!

Heavy Rain já está disponível na Playstation 3, Playstation 4 e brevemente para PC (através da Epic Games Store).

Conclusão da Análise
Fenomenal
9
Desde infância que sempre tive uma grande paixão por todo o tipo de videojogos, não consigo passar sem as minhas playstations e adoro explorar todas as aventuras que estas me oferecem. Para além disto, adoro escrever sobre o meu hobby e de partilhá-lo com muitas outras pessoas. Espero que gostem do meu contéudo!