O ano é 2002. Peço a semanada à minha mãe para o que devia ser o almoço/lanche com amigos, mas saio de casa disparado com um único destino em mente: salão de jogos. Hoje em dia, para os mais novos, é difícil compreender que, na altura, para jogarmos os melhores jogos, ou mesmo os jogos multijogador, tínhamos de sair de casa, mas fazíamo-lo com toda a motivação, pois nada batia um serão no salão de jogos.

Chegado lá, tinha sempre as minhas duas máquinas predilectas, House of the Dead e Daytona USA. Para quem não conhece, Daytona USA, além de ser um marco no género, é considerado um dos melhores videojogos de sempre, pela inovação e qualidade que trouxe ao mercado arcade na altura, vincado pelos gráficos realistas e jogabilidade de alto calibre. Se estão a ler isto, devem, pelo menos, fazer lá uma corrida para terem ideia do que escrevo, que é deveras marcante.

Tal como eu, milhões de outras pessoas hão de ter ficado captivadas pelos visuais e a adrenalina que um jogo como Daytona (quem diz Daytona, diz Virtual Racing, por exemplo) empunhava, sendo que estes são, claramente, uma influência de peso no título de hoje: Hotshot Racing.

Hotshot Racing começou o desenvolvimento como Apex Racing, e era suposto ser um jogo mobile, mas houve uma alteração de planos e este jogo de corridas teve o seu lançamento em Agosto do ano passado em praticamente todas as consolas da geração. Mas nunca é tarde para se passar um serão divertido a jogar e comentar o que nos suscitou durante a sessão de jogo. Ora, tendo em conta os parágrafos acima, já sabem mais ou menos onde é que esta análise vai parar.

Seguindo as pisadas destes antecessores, a Lucky Mountain Games, em conjunto com a Sumo Nottingham começaram a trabalhar nesta homenagem aos pioneiros da arcade racing, pegando nos elementos que a caracterizavam e indo adaptando aos padrões da geração actual. Nunca é uma tarefa fácil, incorporar um estilo retro nos padrões actuais e, embora Hotshot Racing tenha as suas qualidades, acaba por pecar em algumas vertentes.

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Iniciando o jogo, deparamo-nos com o clássico modo Grand Prix, onde temos três dificuldades para amestrar em 20 pistas completamente diferentes. Estas pistas são todas caracterizadas por cores vivas e um tom animador, o que nos permite arejar a vista e (tentar) desfrutar do cenário enquanto corremos pelo ouro.

Terminando o GP, temos duas opções: Arcade (até quatro jogadores) ou Time Trial (sincroniza com a tabela online, o que é sempre motivante).

O modo Arcade acarta quatro tipos diferentes de corrida:

Single Race – a clássica corrida personalizável.

Cops & Robbers – onde podemos escolher uma das duas fações, fugindo com o dinheiro ou abalroando os ladrões para recolhermos o nosso prémio.

Drive or Explode – É-nos dada uma velocidade padrão a cada checkpoint que temos de manter, caso contrário, vemos o nosso carro servir de decoração para a estrada.

Barrel Barrage – teremos de chegar à meta em primeiro, sendo que, pelo caminho, temos a hipótese de destruir os carros adversários com barris explosivos.

Todos estes modos são jogáveis desde o início de Hotshot Racing, tal como os pilotos e os seus respectivos carros.

Cada piloto é proveniente de um país diferente, sendo que cada um tem quatro tipos de carros à sua disposição, todos potenciados por características específicas. Temos, então, o mais equilibrado, um com maior aceleração, outro com a velocidade máxima potenciada e o último tende mais para o drift. Estes são personalizáveis em termos estéticos, não é possível alterar o desempenho do carro. A escolha do carro vai depender do vosso estilo de jogo, eu por acaso dei-me bem com o mais equilibrado, pois este não escorrega demasiado, o que permite um melhor controlo.

Falando em controlo, passemos à jogabilidade. É aqui que, na minha opinião, Hotshot Racing peca. Ora, passo a explicar:

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Embora o controlo dos carros seja agradável e permita um bom manuseio, mesmo pelas curvas mais apertadas, existe algo neste jogo (e em quase todos os demais) que se chama inteligência artificial. Mas esta inteligência artificial tem uma regra muito específica chamada “Sai da frente, Guedes”. Com isto, o que quero dizer? Somos, simplesmente, carne para canhão num sistema de rubber banding, onde nenhum dos outros carros quer saber de condução de qualidade, guiando-se por um sistema de abalroamento indiferenciado.

Isto leva a que algumas corridas sejam mais complicadas de completar, não porque a pista em si seja difícil mas porque, como já expliquei, a maior parte dos desvios ou contratempos que vamos tendo são carros que vêm contra nós enquanto estamos na nossa vida. Claro que uma mecânica destas em modo Expert torna Hotshot Racing impossível, algo que acaba por ser desapontante, pois percebemos que, por muito que melhoremos a condução, esta nunca vai ser refletida nos resultados finais.

O rubber banding, por um lado, ajuda-nos a manter no nosso pico de atenção, mas por outro, é simplesmente demasiado. Cheguei ao ponto de fazer um teste que consistia em guardar quatro depósitos de nitro (que é recarregado através de drifts ou slipstreams), e usá-los de seguida. Assim sendo, meti-o à prova, e a verdade é que me distanciei bastante do grupo. Mas passado 2 segundos tinha um carro a ensinar-me como me virava ao contrário.

Seguimos sempre em frente ao som de uma banda sonora característica da era: um misto de músicas com um tempo acelerado com famosos anúncios ou efeitos sonoros que ressoam a nostalgia do arcade. Aliando isto à palette vibrante que Hotshot Racing acarreta, acabamos sempre por sermos transportados para os clássicos (até sermos transportados para fora da pista pelos adversários).

Hotshot Racing encontra-se disponível para a Nintendo Switch, Playstation 4, XBox One, e na Steam para PC.