Seguramente, já te deves ter colocado numa situação em que sentiste alguma dificuldade em comunicar com alguém que não percebe o teu idioma. Uma barreira facilmente transponível, no mais extremo dos casos, através de gestos ou até de sons. Mas, e se te encontrasses amarrado e amordaçado a uma cadeira? Como é que achas que irias conseguir comunicar efectivamente com alguém? É nesta situação que te apresento Last Labyrinth, que chegou à Squared Potato através da Amata KK para analisarmos nos Oculus Quest.

Bem, se achas que te ias sentir um pouco aflito no cenário que descrevi acima, agora imagina que estás numa mansão cheia de armadilhas mortais, onde reina a escuridão, e te sentes apenas na companhia de uma criança. Esta, querendo-te ajudar, tenta comunicar contigo para saber o que fazer, mas as suas palavras são de um idioma totalmente estranho a todas as línguas que possas conhecer.

Uma jornada que te ensina o valor da comunicação 

É precisamente nesta situação que se coloca o jogador de Last Labyrinth, num projecto que me fez sentir um certo arrepio constante na espinha e alguma nostalgia pelos velhos tempos dos jogos de terror da PS2. No entanto, o mesmo também me surpreendeu em particular, não só pela diversidade das mecânicas dos puzzles e do enredo, mas também pela sua uma mensagem forte que não estava de todo à espera de ver.

Last Labyrinth

Respondendo às questões que te devem estar a surgir, começo por explicar que quando inicias Last Labyrinth, simplesmente acordas neste estado: preso a uma cadeira de rodas, com as mãos algemadas, e sem a possibilidade de conseguires pronunciar um único som. Algo que te faz inevitavelmente sentir totalmente desconfortável, meio aborrecido até, e, especialmente, se estiveres a jogar totalmente imerso num dispositivo de realidade virtual.

Logo, uma rapariga que parece saída dos tipicos JRPGs, surge no meio da escuridão, e fala contigo num idioma completamente estranho aos ouvidos de qualquer jogador de qualquer parte do mundo. Esta demonstra querer auxiliar-te, e aguarda as tuas direcções para saber o que fazer.

Last Labyrinth

Sem tutorial (só terás acesso a instruções se saires do jogo e fores ao menu principal), entram então em acção os teus instintos de sobrevivência!

Não irei mesmo spoilar a forma como te vais desenrascar desta. Isto pela pura experiência inicial, em que te sentirás algo desorientado e perdido, até ficares mesmo in-character, e por fim, sentires aquele alívio quando, finalmente, conseguires fazer-te entender com a rapariga. Não é nada de mais o que tens aqui a descobrir, mas sendo a comunicação o pilar principal deste jogo, deixo esta experiência intacta para descobrires por ti mesmo. Digo apenas que este é o jogo em VR com menos controlos que já alguma vez joguei.

Múltiplos finais alternativos que deverás coleccionar

Após quebrada esta barreira da comunicação, o mundo de Last Labyrinth abre-se para ti, mas não te deixará menos confuso… De facto, até o final do jogo me deixa cheia de questões! Nas primeiras sessões do jogo, senti-me mesmo como se estivesse a acordar e a adormecer constantemente, e a sonhar com o mundo lá fora desta mansão, e a despertar novamente na sua escuridão sem entender o que era real ou não neste jogo. 

Last Labyrinth

Isto porque, como cedo perceberás, Last Labyrinth possui vários “finais” que terás de conseguir desbloquear para passares à próxima fase do jogo. Mas logo dás por ti de volta à mansão, com novas secções e puzzles por resolver que, por sua vez, têm mais finais alternativos para coleccionares… E assim sucessivamente.

Ao passo que progrides, começarás também a ser apresentado a uma história (meio macabra, devo já avisar, e nada clara) sobre quem te colocou aqui, e quem vigia as câmaras que vês constantemente nas transições entre cada porta que atravessas. No entanto, devo confessar que acabei este jogo com mais dúvidas do que quando o comecei, e, na altura, atirei-me a esta experiência em VR “às cegas” sem saber muito sobre o jogo…

O que realmente rende em Last Labyrinth, é o seu ambiente esmagador e os seus puzzles

Os grafismos fazem-me arrepiar constantemente, pelo visual decrépito dos cenários, que antecipam uma morte iminente. Aqui e ali estão espalhados adereços de brinquedos de crianças que não combinam em nada com o ambiente antigo e desgastado, frio e escuro que aqui exploramos. Dá quase a volta ao estômago.

Last Labyrinth

Last Labyrinth faz-me ainda recordar os velhos tempos dos jogos de terror da PS2, pelas suas texturas de baixa qualidade e demasiado pixelizadas. Contudo, tal aspecto é propositado e só se aplica mesmo às texturas. Digo isto porque em termos de modelação de objectos e das personagens em si, aí sim, vemos que estamos perante algo mais moderno e detalhado. 

É neste ambiente, onde estamos constantemente à espera de ver algo a saltar por trás de cada porta, de cada corredor escuro, que encontramos imensos puzzles. Cada sala desta mansão interminável tem um puzzle único à nossa espera. O facto de não existir qualquer comunicação para decifrar sequer a gimmicķ presente no puzzle, leva-nos a afundarmo-nos cada vez mais na cadeira de rodas e a puxarmos pelos neurónios.

Last Labyrinth

Com isto, cada quarto oferece-nos também uma nova maneira horripilante de morrermos, caso falhemos a solução do puzzle. Nesta situação, somos obrigados a testemunhar primeiramente a morte da rapariga, antes de sermos também alvo da mesma tortura.

Last Labyrinth é um delicioso desafio para qualquer amante de puzzles, que tenha também uma forte queda por mistérios.

Last Labyrinth já está disponível para Oculus Quest, Oculus Rift, HTC Vive (Steam) e PlayStation 4 (PSVR).