Life is Strange 2: Episódio 5 (Wolves) marca o término desta temporada. Sean e Daniel Diaz descobrem o que os espera e ainda o modo como as tuas decisões afectaram os seus destinos. Um episódio envolvente e nostálgico, que te transporta finalmente para o que Life is Strange tem de melhor. Wolves é o encerrar dramático de um ciclo tranquilo que começou há mais de um ano, em Setembro de 2018.

Considerei-me de certa forma generoso ao analisar e avaliar os anteriores episódios de Life is Strange 2, arriscando uma desilusão das grandes com a chegada deste momento. Felizmente, não foi o que aconteceu. Em Roads e Rules, a aventura desenrolou-se a um ritmo calmo, dando-te a conhecer um pouco mais acerca do contexto e das personagens envolvidas no enredo. Wastelands é o ponto de embraiagem que permite (re)arrancar até Faith, onde se abrem então as portas para o Wolves. Assim sendo, neste último episódio, esperava uma enchente de picos de emoção e decisões complicadas. Mas acabou por ser tudo ainda mais curioso.

Apesar de não conter spoilers, este artigo pode ser sugestivo na abordagem à experiência de jogo. Assim sendo, se preferires jogar primeiro e com total surpresa, aconselho-te a fazê-lo.

Wolves, Dois Lobos

Os cinco episódios da jornada de Sean e Daniel até Puerto Lobos, no México, coincidem assim no tão aguardado final. Confesso que as minhas expectativas eram altas para este capítulo, uma vez que senti nos episódios anteriores a construção discreta e minuciosa do impulso que iria arrebatar o final da temporada. Embora por vezes temesse que tal não fosse acontecer. A história dos dois lobos, metáfora utilizada por Sean, o irmão mais velho, para narrar a Daniel a viagem e as adversidades que ambos enfrentavam, termina de forma inesperada e, como sempre, capaz de nos deixar pensativos antes, durante e após o desfecho.

Ao contrário de Life is Strange (2015), o final agora não depende do que decides no momento. Neste aspecto, Life is Strange 2 apresenta-se como um claro upgrade em termos de construção e enredo. Por outro lado, não são as acções primárias e imediatas que definem acontecimentos posteriores, mas sim as implicações indirectas das decisões tomadas. É importante não esqueceres que as decisões de Sean têm impacto nele mesmo, mas também no irmão e na forma como a relação de ambos e com o mundo se vai desenvolvendo e modificando. De certa forma, é essa a chave de Life is Strange 2 e o ponto forte que o encosta à realidade. Nada é completamente previsível, embora tudo acabe por fazer sentido.

Life is Strange 2: Episódio 5

Nostálgico e Emotivo

Tal como outras criações da DONTNOD neste universo, o quinto episódio de Life is Strange 2 é naturalmente emotivo. Uma emotividade assegurada pela narrativa aberta, onde exploras o presente e o passado com as tuas próprias mãos, num envolvimento progressivo e tocante. Bilhetes e objectos que encontras, memórias e conversas alimentam a experiência e desfazem os mistérios genialmente semeados pelos episódios passados. Wolves é como um nostálgico e quente final de tarde, no qual te despedes de um sítio que (sabes que) não voltarás a ver. Uma desconfortável atmosfera de carinho, perdão e receio brilhantemente criada, com uma excelente banda sonora e uma construção de personagens irrepreensível.

Sou sem dúvida parcial no que respeita a jogos deste género. Sobretudo porque valorizo neles a narrativa e o envolvimento na história acima de praticamente qualquer outro aspecto. No entanto, não posso deixar de notar que Wolves é um complemento e uma evolução quando comparado aos restantes. A imersão é claramente superior, contribuindo para um impacto emocional das escolhas ainda maior.

Life is Strange 2: Episódio 5

O Final do Final

Por último, o principal destaque que retiro de Life is Strange 2 passa, como escrevi, pelo inesperado. O popular factor surpresa. A postura e os ensinamentos que Sean transmite a Daniel ao longo de toda a viagem acabam por ser essenciais no desfecho final, possivelmente mais do que a tua derradeira decisão. Talvez esta vertente mais coerente e equilibrada justifique a ausência de picos, nomeadamente em comparação com o Life is Strange (2015). Trata-se de uma narrativa mais madura, mais real e com maiores implicações. E é por isso que a imersão acaba por ser tão absorvente.

Life is Strange 2 está nomeado na categoria de Games for Impact (Jogos com Impacto) nos The Game Awards deste ano. E não me surpreende que assim seja. A completa e natural abertura na abordagem a realidades particulares e a perspectivas individuais de encarar a vida e a sociedade, aliadas a um envolvimento baseado no storytelling na primeira pessoa, tornam-no uma excelente reflexão acerca do mundo e de como todos podem encontrar os seus caminhos, coexistindo de forma harmoniosa. Por outro lado, questões como a xenofobia e a imigração ocupam claramente um espaço considerável na esfera narrativa do jogo, sob problemáticas tão próximas da realidade que nos levam inevitavelmente a considerá-las numa perspectiva ainda mais pessoal. Empatia, tolerância, perdão e respeito: conceitos e mensagens fundamentais que Life is Strange 2 faz questão de reforçar. Muito bem. E muito obrigado.

Life is Strange 2: Episódio 5

Life is Strange 2: Episódio 5 (Wolves) está agora disponível para PlayStation 4Xbox One e através da Steam. Os quatro episódios anteriores estão igualmente disponíveis para as mesmas plataformas.

Conclusão da Análise
Espectacular do início ao fim.
9