No dia em que fomos brindados com o anuncio de Luigi’s Mansion 3 para a Nintendo Switch, tivemos também a alegria de festejar um port do primeiro título da série para Nintendo 3DS. Verdade é que gostaria imenso de poder ter todos os títulos da franquia na híbrida nipónica.. mas para já, isto é melhor que nada. Pois há anos que pedíamos por um novo Luigi’s Mansion, bem como um port decente do primeiro. Bem, sem mais rodeios, vou contar-te se os nossos sonhos foram realizados.

História

A história deste jogo é um pouco acessória, embora tente ter algum pé de fundura. Saiu a sorte grande ao Luigi, embora o malandro nem se tenha dado ao trabalho de se inscrever no sorteio! Algumas pessoas tem mesmo muita sorte nesta vida.. ou não. O irmão mais novo de Mario, foi notificado de que foi o feliz contemplado a ganhar uma mansão, mas quando finalmente consegue visitar a mesma, depara-se com uma realidade terrível. A casa está assombrada e repleta de fantasmas! Pior! Com esta boa nova a chegar aos ouvidos de Mario, o mesmo decidiu vir visitar a nova casa do irmão, e acabou por ser raptado pelo King Boo. O génio por trás de todo este sorteio falso, o rei de todos estes fantasmas, cujo seu plano tem por finalidade aprisionar os dois irmãos.

Felizmente nas imediações, vive o prof. E. Gadd, um cientista com vários anos de carreira na profissão de caça fantasmas (if there’s something strange in your neighborhood..). O mesmo intervém nesta aventura, pois o King Boo de alguma forma conseguiu libertar os fantasmas que este mantinha cativos na sua galeria de quadros, e agora todos estes assombram os corredores desta mansão misteriosa. Esta nem existia ali até à poucos dias atrás, revelou o mesmo. Tudo parece muito estranho. Mas uma coisa é certa: se Luigi quer salvar o seu irmão, terá de purificar esta casa para reduzir o poder do King Boo e das forças inimigas.

Luigi's Mansion

Jogabilidade

Luigi’s Mansion embrulha-te num véu de mistério e suspense, através do qual sentes a pressão do coração apertar-se ao passo que desbloqueias cada nova sala desta mansão sombria. Sendo um jogo da família do Mário, não estava mesmo nada à espera de me assustar nem um pouco. Mas aconteceu. Estamos tão habituados aos cenários realistas e ao gore que assola todos os videojogos deste género, que é de facto surpreendente o impacto que este jogo, mais cartoonista e divertido, consegue ter no jogador.

Como Luigi, aqui imergimos na escuridão, num cenário totalmente desconhecido tanto para o jogador como para o personagem. Para que tudo corra bem e consigamos salvar o Mário, tudo o que temos de fazer é espantar e sugar umas centenas de fantasmas com a ajuda do nosso Poltergust 3000! Um aspirador modificado pelo Prof. E. Gadd para aprisionar todo o ectoplasma que possas imaginar, sem precisar que lhe mudes o saco ou que o ligues a qualquer tipo de energia. O Poltergust 3000 possuí ainda uma luz ultravioleta capaz de ofuscar estas criaturas medonhas que assombram a mansão, dando-lhes um efeito de stun que nos permite sacar do aspirador e começar a sugá-las. Este Prof. E. Gadd é mesmo um visionário! Para além da função de sucção, o inverso também é possível nesta fantástica máquina (“que pode ser sua pelo fantástico preço que vê no ecrã”). Com isto, podes expelir poeiras (“porque me relaxa, percebe?”), bem como equipar alguns elementos como água, fogo e gelo, que podes atear para resolver puzzles.

Para além destas invenções, contamos também com a ajuda do Game Boy Horror. Um aparelho que homenageia o Game Boy Color, e que permite-nos perscrutar certos detalhes, enquanto utilizamos o giroscópio da consola, para olharmos o cenário em volta. O Game Boy Horror revela-nos não só o coração de certos fantasmas especiais, como também nos dá pistas de como os podemos despertar dos seus desejos mais profundos, para a ira de um combate renhido. É de se deixar nota, que cada um destes fantasmas tem uma espécie de puzzle, que gira em volta de uma lógica distinta e adequada à personalidade de cada um, que devemos resolver de forma a obtermos a oportunidade de sugá-lo e de desbloquear uma nova sala.

Luigi's Mansion

Com a ajuda destes gadgets, libertamos a mansão dos fantasmas, re-aprisionamos os mesmos nos seus respectivos quadros da Galeria do Prof. E. Gadd, onde estarão seguros. Tentamos também sugar o máximo de Boos que conseguirmos de forma a enfraquecermos o poder do King Boo e termos melhores chances de salvar o nosso irmão. Cada Boo que apanhas, é também uma oportunidade de fazeres save ao jogo. Perante todo este ectoplasma, fica a pergunta “Who you gonna call?”. Sim, nesta versão podes chamar outro jogador para te auxiliar em co-op localmente! Este irá surgir no ecrã sob a forma de um clone do Luigi, Gooigi, outra criação do Prof., transborda uma gosma verde distinta. Desta forma, o videojogo tornou-se ainda mais divertido, mas em contrapartida ficou muito mais fácil.

Luigi’s Mansion consegue de facto ser um jogo assustador e desafiante ao mesmo tempo quando jogado a solo. Isto porque se um fantasma incomoda muita gente, muitos fantasmas incomodam muito mais! E existem imensos tipos de fantasmas ao longo deste jogo que te vão dificultar a vida! Existem diversos tipos de fantasmas regulares que vais apanhar, para além dos Boos e dos fantasmas especiais dos quadros que já mencionei. Estes por serem regulares, não só estão por toda a parte, em maior número, como estão divididos em várias classes e requerem uma abordagem diferente para capturar cada tipo. Há uns que merecem destaque aqui por ganharem o troféu dos mais chatos com que te podes deparar, pois abraçam-te e andam às tuas cavalitas enquanto te sugam a vida e o Diabo esfrega o olho…

Controlos

Apesar de tudo isto, Luigi’s Mansion é um jogo fácil de se assimilar. Só tens de controlar o personagem num plano tridimensional, e preocupar-te em apontar o aspirador na direcção certa. O que admito que nem sempre me foi fácil, pois não soube logo de início da existência de um botão para centrar a pontaria, bem como não achei muito ergonómico estar a posicionar a personagem com o circle pad no espaço e ajustar o ângulo caso necessário com o D pad. Para além destes, os controlos mais importantes são sem dúvida o controlo da luz ultravioleta, e os botões de sucção e assopro do aspirador, seguidos pelo botão de activação do Game Boy Horror. Este último, embora os controlos por giroscópio dêem um toque interessante à experiência, não me pareceram muito práticos..

Luigi's Mansion

Visuais

Luigi’s Mansion, tal como qualquer outro título da família do Mário, tem o mesmo tom cartoonista e divertido de sempre, marcado pelas cores vivas e texturas simplificadas dos seus cenários, que procuram sair do ecrã. É o tratamento a que já estamos habituados, mas agora com um traço mais medonho, inserido num género ligeiramente mais pesado. Em relação à versão para a Gamecube, este port traz-nos um visual refinado e mais suavizado, com um UI mais simples de se ler. Em termos de animação, esta é satisfatória, pois também é mais do mesmo. Contudo há certos problemas que sobressaem, como o ciclo de animação de Luigi que me parece um pouco estranho, e certas acções demoram mais que o que deveriam, dando tempo para os fantasmas abraçarem-nos uns atrás dos outros. Contudo, é genial o toque da animação que acrescentaram, em que Luigi é visto a rastejar os pés, enquanto se mostra meio amedrontado, meio contrariado em ir para onde o forçamos a andar.

A banda sonora é simplesmente icónica, pois de certeza que se nunca jogaste nenhum dos jogos desta franquia, ao menos já a deves ter ouvido em algum lado. Algumas pessoas aqui até a usam como toque de telemóvel… O que a início me fez confusão enquanto jogava o jogo com elas. São vários os temas que te ficam na cabeça, mas é sobretudo aquele que Luigi assobia para ele próprio para se acalmar dentro da mansão, que se destaca. Facilmente dás por ti a assobiar este tema, e um detalhe interessante é que há diversas variações do mesmo. Pelo que quando Luigi se sente seguro, consegues mesmo ouvi-lo a assobiar este tema com mais confiança. É genial!

Luigi’s Mansion já está disponível para Nintendo 3Ds e Nintendo Gamecube.

Conclusão da Análise
Uma aventura divertidamente aterradora!
7.8
Cedo me apaixonei pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.

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