Atravessamos uma fase na indústria em que os videojogos são levados mais a sério, não só pelo público que os joga, como também pelas próprias equipas que aproximam os seus jogos o mais possível do realismo. É verdade que saem indies e alguns jogos como Knack ou Ratchet and Clank, mas num período da história marcado pelo negativismo e alguns acontecimentos chocantes (Hong Kong), não estará na altura de tentarmos animar a indústria?

Não descarto experiências humanísticas como The Last of Us, Detroit: Become Human ou até mesmo Death Stranding, são videojogos que elevam o patamar actual e cimentam a indústria como uma das mais cativantes, no entanto se colocarem estes três em perspectiva, giram todos à volta do mesmo, caos e solidão.

Eis que a Other Ocean Emeryville decide refazer parte da aventura de Sir Daniel Fortesque, retratada no jogo MediEvil. Se é mais um cash grab da Sony? Talvez seja, no entanto é um remaster que traz consigo alegria e diversão. O que é irónico visto que somos um esqueleto que anda à pancada com zombies (só isto para mim já é engraçado).

MediEvil

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Brincadeiras à parte, recebemos com bastante entusiasmo a versão melhorada de MediEvil. Ansioso por reviver os meus tempos de infância, parti à descoberta pelo mundo de Gallowmere. A história é exactamente a mesma, tendo o feiticeiro Zarok regressado, com intenções de dominar o mundo. Resta-nos a nós, no papel de Sir Daniel, com a ajuda dos nossos camaradas triunfar sobre as forças e obstáculos que este vilão nos impõe.

Quando forem jogar, nada vos será familiar. O trabalho visual neste remaster é simplesmente incrível, reanimando de certa forma o mundo de Gallowmere, mas mantendo sempre o ambiente mórbido, os efeitos acrescentados trazem uma visão mais cativante do que nunca. Com bastantes cores, explorar este mundo é uma tarefa entusiasmante. Também o som foi remasterizado, não só a banda sonora como os próprios efeitos sonoros foram reimplementados, criando uma envolvência mais imersiva.

Irão reparar nas minhas análises que falo bastante em imersão nos jogos, valorizo bastante este ponto, jogando sempre com headphones, pelo que vos aconselho a fazer o mesmo pois o resultado é muito diferente.

Aliada a esta mudança temos a Dan Cam, algo que sinceramente não dei muito uso pois não é necessária. No entanto foi agradável ver que adicionaram mecânicas novas ao jogo, embora sejam duvidosas o número de vezes que esta em especial será utilizada. Gostaria que tivessem incluído outras mudanças, como por exemplo comprar Energy Vials na gárgula comerciante, mas percebo que talvez começasse a tirar a essência do original.

MediEvil

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Toda a remasterização é de louvar, no entanto, tudo tem um custo. É aqui que MediEvil peca, e de que forma. Vamos ter em conta que a versão original saiu em 1998, logo o trabalho que a equipa teve foi bastante. No entanto todas as equipas têm de fazer uma escolha hoje em dia: sacrificar os visuais por framerate ou vice-versa. Aqui a escolha não correu lá muito bem. É verdade que toda a remasterização foi bem trabalhada, mas no entanto não falamos de um jogo que seja open world ou que tenha centenas de NPCs a deambular na mesma área. Posso-vos dizer que o máximo de inimigos que vi num nível foram cerca de 30.

As falhas na framerate felizmente não acontecem em todos os níveis, mas quando acontecem, são assustadoras para o tipo de jogo que é. Saliento o último nível, na batalha anterior a Zarok, pensei por momentos que a minha Playstation 4 ia explodir. Não querendo desvalorizar o trabalho da equipa mas este tipo de quebras não devia acontecer em Outubro, já pedir as 60 frames por segundo é bastante sabemos, no entanto o mínimo são as 30 estáveis, o que não acontece.

Posso dizer com sinceridade que há muito tempo que não me divertia nem me sentia tão colado ao ecrã como com MediEvil. Foram 22 horas (só para acabar o jogo, ainda vou fazer a platina portanto acredito que cerca de 30 horas devem chegar para 100%). É pena que jogos AAA se tenham rendido ao realismo, deixando de parte o extravagante. Compreendo que o orçamento deva ser aplicado de forma a dar resultados, no entanto creio que existe um mercado para todos, e MediEvil veio contrariar as tendências.

MediEvil tem data de lançamento marcada para 25 de Outubro em exclusivo para a PlayStation 4.

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