A saga de Monster Hunter já conta com quase duas décadas de jogos, evoluindo a cada geração, ficando cada vez mais aperfeiçoada e complexa, mantendo o interesse sem sair da sua ideia original.

Penso que, após tantos jogos, há certos aspectos que são a raíz do que torna um jogo um bom jogo de Monster Hunter, sendo estes: os monstros (obviamente), a qualidade da jogabilidade e controlos, e, por último, os pequenos detalhes e os toques de amor que a equipa coloca que dão singularidade à saga.

Hoje trago-vos Monster Hunter Rise, a mais recente iteração, que herda algumas mecânicas de Monster Hunter World, trazendo de volta outras de Monster Hunter Generations e, supreendentemente, ainda nos traz bastantes mecânicas novas e melhorias.

Antes de iniciares a tua jornada para te tornares num grande caçador, irás criar a tua personagem, juntamente com o teu palamute e o teu palico, com centenas de opções e variáveis para personalizar, desde cabelos, olhos, boca, padrões do palico e do palamute, entre outros.

Após a criação da personagem, tens uma pequena introdução, onde conheces alguns dos personagens principais da história, e onde tens conhecimento de uma rampage que ameaça a aldeia de Kamura.

A rampage é uma invasão de monstros que sofreram de uma alteração de comportamento por algo, e o teu papel é caçares os monstros para proteger Kamura e também tentar descobrir a causa da rampage e pará-la.

A história nunca foi o foco de Monster Hunter e, apesar de termos alguns personagens interessantes, a história em Monster Hunter Rise não veio para revolucionar, é uma história simples que dá contexto ao jogo, e tenta não se meter no foco principal do mesmo, que é a jogabilidade.

Algo que o que me impressionou de imediato foi o hub do jogo: a aldeia de Kamura está cheia de detalhe e vida, com todos os personagens – sendo importantes ou não – com o seu próprio nome, e a reagirem à tua personagem a se aproximar, e também com animações cheias de charme!

Penso que este é o melhor hub já feito na série, tudo encaixa para uma aldeia que te faz sentir em casa, juntamente com umas músicas de fundo simplesmente espectaculares.

No momento em que entras no menu principal do jogo, tens uma amostra da qualidade da banda sonora em Monster Hunter Rise. Os arranjos orquestrais com um som oriental dão-te uma sensação épica quando estás frente a frente a um monstro, e os arranjos mais calmos com vocais excelentes no hub fazem disto uma das melhores bandas sonoras da série.

O hub está dividido em várias secções, sendo que cada uma compete a um fragmento do jogo: temos os Steelworks, onde podes fazer crafting, comprar itens ou ir numa village quest, a Buddy Plaza, onde podes por os teus palicos e palamutes em várias actividades passivamente, e o Gathering Hub, onde tens acesso às hub quests.

As village quests são uma série de missões exclusivas a um jogador, onde segues parte da história enquanto vais subindo nas categorias, que são representadas pelo número de estrelas, onde os monstros nas categorias com mais estrelas são progressivamente mais difíceis.

Estas missões são a perfeita introdução para quem se está a estrear na série, pois oferecem versões mais fáceis dos monstros, dando tempo para aprender sem frustrar muito o jogador.

Depois de seres introduzido às várias secções do hub, irás ter liberdade para ir então em uma missão e começar a caçar, e é aqui que temos a parte mais interessante do jogo.

Antes de te aventurares numa missão, podes aproveitar para ir à cantina comer dango, aumentando a tua vida e stamina, e também escolhendo entre três buffs especiais, como receberes menos dano, ou melhorar a tua resistência a uma blight, como fogo ou gelo. Estes buffs têm uma probabilidade de ser activados, representados pela percentagem quando os escolhes, e ficam activos durante apenas uma missão.

Ao começares uma missão, vais reparar que tens uma interface com bastante informação: temos a barra de vida e stamina do teu hunter e do palamute e palico, um pequeno quadrado para os itens como poções e armadilhas; informações relativas à arma, como a sharpness, e também uma visão geral do mapa, dividido em secções, cada uma com o seu número respectivo.

Algo que se repara facilmente é o tamanho dos mapas. Tirando um pouco de Monter Hunter World, temos mapas enormes, sem qualquer loading entre áreas, completamente livres para tu explorares ininterruptamente. Mesmo estando a correr numa consola portátil, a qualidade gráfica e a arte criam paisagens lindas, com cascatas, ruínas e vegetações espetaculares.

O que penso que realmente brilha nos visuais são sem dúvida as animações, com cada ataque com a tua arma a ter um impacto realista, e os monstros com várias nuances e movimentos que lhes dão mais realismo e naturalidade, há bastante atenção ao detalhe com as animações.

Uma das mecânicas novas que foram introduzidas é o wirebug: um pequeno insecto que tece uns cabos que podem ser utilizados para ajudar a personagem no movimento com saltos e dashes.

Com a adição de verticalidade nos mapas, temos agora bastante liberdade na forma como nos movemos, pois a personagem pode subir basicamente qualquer superfície, desde que tenha stamina suficiente para chegar ao topo. Uma das formas que tens para estender uma subida é saltando para trás e usando o wirebug para te puxar de volta à parede, recuperando um pouco da stamina para continuar a subir.

Também podes usar o wirebug para fazer um salto longo, de modo a saltar para outras superfícies, fazendo com que seja mais fácil e rápido de te moveres pelo mapa.

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O jogo encoraja-te a explorar esta verticalidade, pois agora temos vários pequenos ajudantes que nos dão buffs e itens bastante úteis espalhados pelo mapa, chamados de endemic life.

A endemic life, como já tinha referido, são vários insectos e animais pequenos, que te podem aumentar a vida, a stamina, o dano ou a defesa, e também tens alguns que servem mais como utilidade, como atrair um monstro.

Algo que te pode ajudar a mover pelo mapa é o teu palamute, pois podes montá-lo, dando-te um aumento de velocidade bastante significante, facilitando o teu caminho até ao monstro. Enquanto estás montado no palamute, podes usar itens sem teres de parar, dando muito mais fluidez ao movimento pelo mapa.

Depois de explorares o mapa, colecionando vários itens e endemic life, eventualmente terás de te encontrar com o monstro ou monstros que irás ter de derrotar, e é aqui que temos o grande foco do jogo, dado o seu título literal.

Eu tenho um certo carinho pela jogabilidade mais old school de Monster Hunter Generations, mas tenho de admitir que Monster Hunter World trouxe demasiadas mudanças que melhoraram a fluidez geral do combate, desde poderes-te mover quando tomas poções, a teres movesets refeitos e melhorados de todas as armas.

Monster Hunter Rise traz consigo várias mecânicas do Monster Hunter World, mas penso que, no que toca às armas, temos possivelmente a melhor representação do combate da série já alguma vez feito.

Obviamente que, primeiro que tudo, os monstros são incrivelmente bem desenhados, especialmente as estreias, com ataques telegrafados e animações extremamente divertidas.

E que selecção de monstros temos, possivelmente uma das melhores que alguma vez tivemos num jogo base de Monster Hunter, com muitos favoritos a voltar e, como já referido, excelentes estreias.

Tal como os 2 últimos jogos da série, há 14 armas ao dispor para escolheres, cada uma com um moveset e uma jogabilidade distinta, como por exemplo o martelo, uma arma lenta, sem grande capacidade de atacar muito longe, mas com grande potencial para deixar um monstro caído e atordoado, e a insect glaive, uma arma rápida, com grande capacidade de movimento e controlo aéreo, podendo quase ficar no ar por tempo ilimitado.

Monster Hunter Rise Capcom

Estas armas trazem todas uma série de combinações e ataques únicos, em que terás de descobrir alguns sozinho. Como já é habitual da série, há aqui uma pequena inspiração em jogos de luta com os controlos e o foco em utilizar várias combinações de botões e ataques para se ser mais eficaz.

Cada arma traz consigo dois skillbind attacks, onde um deles pode ser trocado por outro do mesmo género. Estes são ataques especiais onde usas o teu wirebug, como por exemplo um salto para a frente com o martelo, dando cambalhotas e atacando o monstro ao mesmo tempo.

Qualquer ataque ou acção com o teu wirebug utiliza o teu wirebug gauge, que é representado por dois insectos na interface, onde cada uso gasta um insecto,  que depois vai recuperando com o tempo.

Monster Hunter Rise Capcom

Também tens a capacidade de trocar 2 ataques do moveset base de cada arma, com as switch skills, dando bastante capacidade de personalizar ainda mais o teu modo de jogar, pois nenhuma switch skill ou silkbind attack é objectivamente melhor que outra.

Claro que, durante a luta, tanto o teu palico e o palamute vão-te ajudar, com o palico a dar-te suporte com as suas bolhas que recuperam vida, e o palamute a atacar o monstro e a dar-te buffs ofensivos ou defensivos com os seus pergaminhos.

Algo que mudou bastante também é a forma como montas monstros. Nos jogos anteriores, apenas ataques aéreos contavam para conseguires montar um monstro, onde depois terias um pequeno mini-jogo, e no final deixavas o monstro no chão atordoado por um tempo.

Em Monster Hunter Rise, tantos os ataques aéreos como os silkbind attacks, e também ataques de outros monstros, quando eles lutam entre si, contam como dano para montar.

Quando o monstro está vulnerável para ser montado, ele fica num estado cansado, com vários wirebugs a rodeá-lo, e só precisas de atacar ou interagir com ele para o montares.

Quando montas o monstro, tens uma série de opções, podes mover-te, fazer um charge contra a parede, fazendo dano ao monstro, fazer um evade, ou atacar outro monstro, tudo num tempo limitado, apresentado pou um relógio na parte inferior do ecrã.

Este sistema novo é bastante divertido, e dá-nos mais opções quando montamos, podendo até utilizar outros monstros no mapa para atacar o nosso alvo principal.

Depois de derrotares um monstro, podes fazer carve ao mesmo para teres materiais para criar armas e armaduras novas, e é assim que a tua personagem irá ficar mais forte.

O crafting é bastante semelhante aos anteriores, onde podes criar armaduras com várias skills passivas, como mais chances de fazer um crítico, ou algo como dar as propriedades dos itens que usas ao teu grupo, fazendo com que cures toda a gente perto de ti quando bebes poções.

Em relação às armas, aqui tens várias secções com dezenas de opções, onde tens uma weapon tree, que te dá acesso a caminhos enquanto fazes upgrade às mesmas, podes querer sair do teu trajecto e ir para uma arma que se foca mais em ter melhores chances de fazer um crítico, ou até uma arma que tenha um bom valor de dano de fogo, por exemplo.

Algumas armas, especialmente as mais rápidas, beneficiam da criação de várias armas, cada uma com um elemento diferente, de modo a tirar o maior partido de fraquezas a elementos que alguns monstros têm.

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Algo que voltou de Monster Hunter Generations é o crafting de decorations, que são pequenas jóias que podes colocar em algumas peças de armadura que acrescentam skills ao mesmo.

Penso que isto é sem dúvida uma melhoria do grind pelas decorations em Monster Hunter World, pois facilita a criação de builds e tira maior parte do factor aleatório que estava presente.

Enquanto sobes nas categorias das missões, irás encontrar alguns NPCs com uns balões de fala. Estes NPCs têm missões e requests, que envolvem, por exemplo, apanhares certos itens ou matar algum monstro, e desbloqueiam-te certas conveniências e extras que te irão ajudar bastante mais tarde, como por exemplo mais opções quando comes.

Também irás desbloquear várias secções da Buddy Plaza, como a Argosy, onde podes mandar os teus palicos e palamutes que contractaste para tentar arranjar itens comuns, como ervas, insectos e mel, para criar poções ou armadilhas.

Em certas partes da história, irás ser posto a proteger Kamura da rampage, e é aqui que temos o novo modo de jogo em Monster Hunter Rise, o modo Rampage.

Este modo é inspirado em jogos de tower defense, onde tens uma base, com várias zonas onde podes meter unidades, como balitas, canhões e bombas, para tentar derrotar e atrasar os monstros, de modo a não destruirem as defesas e chegarem à aldeia.

O jogo dá-te um tempo para te prepares ao início, onde tens um número de unidades limitadas, apenas tendo balistas, mas depois, à medida que progredes e a tua base aumenta de nível com os monstros que derrotas, vais desbloqueando outras unidades para colocar.

Aqui, podes usar uma das balistas ou qualquer arma para atacar os vários monstros que invadem, sendo que cada arma é mais eficaz com certos monstros, e como já é habitual nos jogos de tower defense, à medida que avanças nas hordes, elas vão-se tornando progressivamente mais difíceis.

Caso estejas a recuar muito e a sentir que não irás conseguir parar os monstros com sucesso, podes sempre usar uma das unidades especiais, apenas limitadas a uma vez por missão, para dar bastante dano aos monstros. Estas unidades especiais geralmente são NPCs da aldeia, e têm ataques especiais, como o Fugen the Elder, que tem um ataque com uma espada numa área enorme, derrotando quase tudo o que se encontra na mesma.

Também tens ao dispor várias armas especiais, como o dragonator, uma série de brocas longas e gigantes que perfuram e atacam um monstro várias vezes, fazendo bastante dano. Estas armas especiais ficam inactivas durante bastante tempo, portanto tens de planear bem quando as usar.

O final da missão consiste em teres o monstro principal a atacar, e vais ter de te focar bastante nestes monstros, pois eles geralmente são bastante fortes e resistentes, muitas vezes fazendo-te recuar e planear a tua estratégia enquanto te aproximas da aldeia.

Penso que este modo está bem executado, mas definitivamente é um dos pontos mais fracos do jogo, pois a jogabilidade das missões normais já é tão sólida e divertida, que penso que este modo não adiciona muito à experiência. Felizmente, há poucas rampage quests obrigatórias durante a história.

A qualquer momento podes ir até ao Gathering Hub para fazer as hub quests, que seguem outra parte da história, e também te dão a opção de as fazeres sozinho ou num grupo de até quatro pessoas.

Quando estás a jogar com amigos, irás apenas ter acesso a um dos teus companheiros, podes escolher entre levar apenas o teu palamute ou o teu palico, de modo a equilibrar o maior número de jogadores, pois já não irás precisar de tanto suporte.

É aqui que penso que maior parte da diversão está, lembrando uma jogabilidade mais tradicional, com missões mais desafiantes, e os risos que se tem a jogar com amigos que obviamente aumentam o factor de diversão do jogo.

A experiência online também é bastante sólida, sendo raras as situações de lag ou desconecção.

Algo que é bastante conveniente é o facto das missões se equilibrarem de acordo com o número de jogadores, ou seja, se algum dos tens amigos sair a meio por algum motivo, o monstro é ajustado de modo a equlilibrar a dificuldade para o novo número de jogadores.

Caso queiras fazer as hub quests sozinho, também é perfeitamente possível, penso que a dificuldade se mantém bastante próxima independentemente do número de jogadores, dando-te a liberdade de fazeres as missões como quiseres.

A saga de Monster Hunter nunca se vendeu pela sua capacidade de criar uma história ou um mundo que te faz pensar. Por vezes precisamos apenas de algo que se foque num aspecto específico, e neste caso temos uma fantasia de lutar contra monstros e criaturas com meios criativos. Penso que a arte de Monster Hunter sempre foi o seu charme e o facto de não se levar a sério, tendo sempre este ambiente mais relaxado e divertido, fazendo-te simplesmente rir e divertir.

Monster Hunter Rise foca-se no aspecto principal de um jogo, que é a diversão, e não só acerta tão bem, mas também consegue-nos dar um esplendor de arte, música excelente e, mais uma vez, um dos jogos com as mecânicas mais sólidas que existe.

Monster Hunter Rise já se encontra disponível para a Nintendo Switch, com lançamento planeado para o PC em 2022.


E tu, já experimentaste Monster Hunter Rise?