É bom saber que existem, na indústria dos videojogos, alternativas às grandes produções e experiências online. Não precisamos de ir atrás do Red Dead Redemption II ou do Fortnite, se procurarmos algo diferente. Afinal, existem diversos jogos independentes, como Celeste Equilinox, que se distinguem pelo seu carácter experimental e fora da moda…

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… e cómico, como em “Cthulhu saves the world”

Contudo, pode ser necessário promover e incentivar estas iniciativas, para ganharem visibilidade. E é aqui que entra o evento Fantastic Arcade, assim como os seus pacotes de jogos experimentais. Mas comecemos com as devidas apresentações!

O que é o Fantastic Arcade?

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Alguns jogos têm as suas próprias arcadas caseiras. Foto de Emi Spencer.

Fantastic Arcade promove-se como sendo “uma celebração do indie e dos videojogos de culto”. Este evento anual é uma oportunidade para criadores de videojogos independentes promoverem as suas criações, com a oportunidade de serem divulgados e premiados. Desde a sua primeira edição (2010), já por aqui passaram clássicos como Nidhogg, Fez, Donut County e Untitled Goose Game.

Pacote anual de jogos – Fantastic Arcade 20XX

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Em conjunto com o festival, a Juegos Rancheros (curadora do evento) publica anualmente um pacote de 5 a 6 jogos desenvolvidos propositadamente para o evento, por personalidades ilustres nos indie, como Moppin (Downwell) e Saltsman (Cannabalt).

Se estiverem (possivelmente depois de ler o artigo) interessados em adquirir alguma das 3 compilações já lançadas, podem consultar os links em baixo:

Os jogos dos Fantastic Arcade

Neste artigo, não pretendo apenas falar do Fantastic Arcade e do seu contributo para os videojogos experimentais. Pretendo também partilhar a minha experiência com as obras disponíveis nas compilações e que, na minha opinião, promovem conceitos deveras interessantes.

Para este artigo, vou falar apenas de 3 jogos: Alphabet, Pipsqueak e The stakes are too high.


Alphabet

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Até a tela principal segue o conceito do jogo!

AVISO: este jogo só faz mesmo sentido com teclado

Alphabet foi criado por Adam Saltsman (Cannabalt) e… Keita Takahashi?! O louco responsável por Katamari Damacy, um dos melhores “MAS-QUE-RAIO-JAPÃO” que já joguei? Agora mal posso esperar para ver o que vai sair daqui…

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Ora FKUEYSA para ti também!!!

O objectivo de Alphabet é mover letras da esquerda para a direita, e controlamos cada letra através… da tecla correspondente? Ok, faz sentido pressionar a tecla para a letra associada correr, e largar tal tecla para a letra saltar… mas é frequente termos várias letras para controlar!

Existem 10 desafios com obstáculos e itens especiais que transformam todas as letras numa só, até uma delas defecar… tudo perfeitamente normal, para um jogo do Takahashi!

Como cada tecla corresponde a uma letra diferente, pode-se assumir que Alphabet se adequa a vários jogadores em simultâneo… até podem tentar um jogador por letra, mas duvido que uma experiência com 26 pessoas no mesmo teclado seja agradável…

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Mesmo com um teclado destes…

É clara a influência dos autores em Alphabet, tanto na jogabilidade à base de um botão (Saltsman) como no aspecto animado e nos extras bizarros (Takahashi). Mas o mais bizarro é tudo isto ter resultado numa obra com potencial educativo!


Pipsqueak

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devia chamar-se LEGS!

Pipsqueak tem um conceito simples: chegar à saída de cada tabuleiro, existindo extras para apanhar e inimigos para evitar.

Mas o que torna este jogo especial é a mecânica de movimento: só podemos mexer individualmente as pernas do personagem. A seta esquerda e direita mexem a perna correspondente para a frente, sem a possibilidade de recuar (excepto quando se colide com uma parede). Este conceito gera (propositadamente) alguma confusão, mas possibilita movimentações como rotação (mexer a mesma perna duas vezes de seguida) e faz de Pipsqueak um desafio de coordenação digno do Ben Foddy.

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Ben Foddy: “pai” dos “coordination games”, como QWOP

Apesar dos visuais animados, Pipsqueak pode dar a impressão de ser algo incompleto, com a falta de música e efeitos sonoros reduzidos. Contudo, tal não deve ser motivo para ignorarem esta experiência louca e autêntica.


The stakes are too high

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Conseguiu chegar ao meta

Nem sei como descrever este “jogo”, composto por “cenas” onde pouco mais podes fazer que “contemplar” e empurrar objectos. As etapas não têm objectivos, parecem incompletas, e podem ser terminadas com o pressionar de uma tecla. Mas estas características encaixam na história que o jogo relata.

O jogo relata as experiências fracassadas de um artista que está desesperado para fazer um videojogo. E isso explica como transitamos de um cenário de puzzle para um de corrida, e não só!

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5 actos para chegar à jogabilidade?!

The stakes are too high é uma peça de teatro que nunca teve guião! E é uma aventura sobre o AMERICAN HEALTHCARE SYSTEM — nem me perguntem como –! E é uma experiência sobre experiências! Mas é único, e isso ninguém pode negar!

Em suma, se está tudo normal na vossa vida e gostariam de… “corrigir” isso, dediquem alguns minutos a este “meta-jogo”.

Mundo Indie - Mario
Posso entrar no nariz do Molyneux? 10/10!

1 Comentário

  1. Sou fã de jogos indie (e retro também), mas desconhecia este Festival. Muito fixe, obrigado pela partilha e puxarem por estes estilos 😉

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