Será novidade para poucos que a saga Souls deixou uma forte marca na indústria dos videojogos, inspirando um novo sub-género, caracterizado maioritariamente pela elevada dificuldade dos inimigos e a falta de checkpoints ao longo de cada nível. Na senda deste sub-género, a Team Ninja encontrou mais uma oportunidade de mostrar ao mundo do que é que são feitos, criando a saga retratada na análise de hoje: Nioh.

Para além das melhorias apresentadas na Nioh Collection, dado que ainda não temos análise de nenhum dos jogos, eu, juntamente com o Diogo Lopes (já perito em souls-like, e que se encarregou do Nioh 2) iremos fazer um breve resumo de cada uma das entradas nesta colecção.

Nioh chegou em 2017,  tendo sido lançado originalmente na Playstation 4, chegou mais tarde ao PC.  Este apresentou a mesma fundação utilizada nos Souls para o seu jogo, introduzindo novas componentes, como o cenário (altamente inspirado num cenário mitológico japonês), a introdução de vários estilos de luta melee, como as tonfa, ou as kusarigama, o que não só amplia as opções disponibilizadas no início do jogo, como permite uma maior variedade em cada New Game+. Para além destes elementos, encontramos também uma história linear, com um protagonista predefinido falante.

nioh 1  

William é um soldado ao serviço do reino britânico que se depara com um ser sobrenatural que aprisiona o espírito que o acompanha. Vendo-se obrigado a recuperá-lo a qualquer custo, a sua viagem leva-o para o Japão feudal, ocupado por espíritos chamados Yokai. À medida que vamos progredindo vamos também conhecendo algumas caras novas (ou ate já conhecidas) que nos irão assistir em certos níveis.

Derivado também da história e localização de Nioh, os cenários tendem a ser um pouco repetitivos, insistindo maioritariamente em tons escuros e ambientes fechados, sejam eles grutas ou túmulos, com a maioria do tempo a ser passada no ambiente rural.

Seja no primeiro ou no segundo jogo, a concentração da Team Ninja foi maioritariamente focada nos bosses, com designs e cenários fantásticos, cada luta final fazia-nos realmente sentir que tínhamos subido um degrau, fosse na dificuldade do jogo, ou na nossa capacidade bélica e estratégica, pois à semelhança do sub-género, não é com um simples spam dos botões que se triunfa, é requerida uma postura muito mais dedicada de forma a ultrapassarmos os desafios propostos.

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nioh 2  

Em Nioh 2 (2020) notou-se que a Team Ninja é uma adepta do famoso lema: “em equipa que ganha não se mexe”. O plano deve ter consistido em tentar apontar tudo o que não estivesse ideal no jogo anterior e refinar estes elementos, mantendo os demais no estado em que já se encontravam (também ideais).

Para começar, a personagem, de seu nome Hide, é totalmente personalizada, sendo que é dada completa liberdade ao jogador, seja no género ou até no tipo de franja que o cabelo deve ter. Podemos também incluir tatuagens ou outros tipos de marcas, o que demonstra um alto nível de cuidado na maneira como preparam o protagonista da nova entrada. Hide é um protagonista silencioso.

À semelhança do primeiro, mantém-se o forte ênfase mitológico. Temos agora uma maior variedade de inimigos (que, no primeiro, se resumiam maioritariamente a corpos com forma humana, fossem mesmo humanos ou zombies), e também uma maior variedade de cenários, incluindo ambientes como a neve ou níveis em florestas. Acrescidos a esta variedade temos claro, uma maior fidelidade visual.

nioh 5  

No primeiro Nioh, dispomos de uma Living Weapon, um poder sobrenatural concedido pelos Guardian Spirits, estando estes divididos em elementos (Fogo, Água, Terra, Relâmpago) e sub-dividido por animais (cão, touro, entre muitos mais). Na segunda iteração, passamos a ter o Yokai Shift, que nos confere a capacidade de nos transformarmos num demónio, estando agora dividido em 3 tipos diferentes:

Brute – Enorme bastão mas lento;

Feral – Duas facas e extremamente rápido;

Phantom – Através de uma lâmina teletransporta-se para o inimigo que aponta.

O Yokai Shift traz consigo uma barra de Anima, sendo esta utilizada para executar habilidades como, por exemplo, ataques de outros Yokai, através dos soul cores que estes deixam cair ou para efectuar um burst counter, que é um parry para os ataques que normalmente não o podem ser (aura vermelha). Esta barra enche à medida que vamos derrotando inimigos.

nioh 3  

Para além destas inovações temos ainda as Dark Realms, que são localizações onde um Yokai mais poderoso expandiu a sua realm (área onde a recuperação de stamina é atrasada), chegando mesmo a cortar shrines (os checkpoints dos jogos). Os responsáveis destas áreas estão sempre envoltos de uma aura vermelha, pelo que se quisermos recuperar as condições “normais” de jogo teremos de o defrontar.

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Nioh 2 é, na sua essência, uma versão melhorada de Nioh, não dando passos maiores que a perna, joga as suas cartas com base no que já conhece, ou seja, não tomando grandes riscos, o que não é de todo mau, antes pelo contrário, se é bom queremos é mais, e assim foi.

nioh 4  

Passemos então às versões remasterizadas:

Os visuais foram remasterizados apenas a um nível superficial, no sentido em que não existiu uma reconstrução dos assets, mas antes um polimento aplicado às superfícies de forma a parecer mais nítidas. A Team Ninja peca aqui pela oportunidade perdida em talvez perder mais meio/um ano, mas lançar versões que realmente aproveitassem as vantagens da nova geração, ainda para mais tendo em conta que Nioh 2 não saiu nem há 1 ano. Percebe-se a vontade de trabalhar em novos IPs, mas com certeza que teria um impacto ainda maior.

Podemos então escolher entre três modos:

  • 4K/60fps com as definições gráficas a variar entre o Low e High;
  • 4k dinâmicos/60 fps com as definições no máximo;
  • 900~1080p/120fps com as definições no mínimo. Este modo em específico pode não manter os 120 fixos, mas são raras as vezes em que cai.

Nota: para quem não tem conhecimento, de forma a poderem jogar em 120fps, necessitam de ter um ecrã com taxa de actualização de 120hz, sendo que a maioria das televisões não as possui, o que significa que a vossa melhor aposta será um monitor.

Os loadings foram drasticamente reduzidos. Até poderia estar a utilizar a palavra drasticamente de barato, mas digo-vos que tempos de carregamento de 30 segundos são agora 3 meros segundos até voltarmos à acção, e acreditem que num jogo desta dificuldade, terão de voltar bastantes vezes à acção.

The Nioh Collection está disponível para a Playstation 5.


E tu, já experimentaste a Nioh Collection? Qual o teu veredicto?

Conclusão da Análise
Em equipa que ganha não se mexe
8.8