Para muitos jogadores a geração de 16-bit foi a era de ouro dos JRPG. Essa, está cheia de títulos intemporais como Final Fantasy IV, Final Fantasy V, Final Fantasy VI, Chrono Trigger, EarthBound, Phantasy Star IV, entre outros. Isto excluindo outros grandes jogos que roçam o género, por exemplo, a série Shining.

Com o lançamento de Final Fantasy VII, o género foi levado para o mainstream, para o 3D e o JRPG desdobrou-se ainda mais em direcções diferentes. Com isto, abriu-se mais um buraco para vender coisas mais tradicionais à malta mais nostálgica, como já é de costume.

Octopath Traveler é um JRPG feito pela equipa que nos trouxe Bravely Default, inspirado principalmente pelas entradas da série de Final Fantasy lançadas na SNES. O videojogo foca-se em 8 histórias individuais, cada uma com o seu protagonista. Cada uma delas ocorre de forma independente, sem nunca se intersectar, expecto na jogabilidade e num extra no final do jogo. No início da aventura, o jogador escolhe a personagem que servirá como seu avatar, e esta permanecerá sempre na party até que a história focada nessa mesma personagem termine completamente.

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Naturalmente cada personagem tem as suas características: Olberic é o típico cavaleiro com ataques que usam a sua perícia com espadas e lanças; Cyrus é um académico perito na analise de inimigos e em magia dos 3 elementos básicos de Final Fantasy (Fogo, Gelo e Eletricidade); Tressa é uma mercadora com habilidades à volta de dinheiro e do elemento de vento; Ophilia é uma clériga com feitiços de cura e de luz; Primrose é uma dançarina que dá buffs temporários à party e com habilidades do elemento da obscuridade; Alfyn é um farmacêutico com técnicas e cura e de manipulação de estados negativos; Therion é um ladrão com foco na velocidade e no roubo de itens; e por fim H’aanit, uma caçadora que captura e usa monstros. A 2/4 do decorrer do jogo ainda podes equipar jobs secundários aumentando mais o número de habilidades que cada personagem pode fazer.

Tirando uma página dos RPG ocidentais, podes completar os capítulos pela ordem que tu quiseres, focando-te só em quatro personagens de cada vez, por exemplo. Isto, para não falar de quests opcionais e locais extra que trazem mais conteúdo ao jogo. A qualidade de tanto este conteúdo como da história principal varia muito… Também dependendo dos gostos do jogador. Por exemplo a história de Tressa é uma simples aventura de uma adolescente à volta do continente, em contraste com a de Primrose onde ela sacrifica a sua dignidade numa tragédia onde ela tenta vingar a morte do seu pai.

E por falar em WRPG… Cada personagem também tem uma habilidade exclusiva que pode usar enquanto estamos no mapa mundo. Tressa e Therion podem adquir itens dos NPCs, comprando ou roubando respectivamente, Olberic e H’aanit podem lutar contra NPCs, Ophilia e Primrose podem recrutar NPCs para ajudar nas batalhas temporariamente, e Alfyn e Cyrus conseguem adquirir informação pessoal dos NPCs. As habilidades que são semelhantes entre as personagens, variam do seguinte modo: embora possas usa-las sempre que queiras, a taxa de sucesso está ligada a uma probabilidade ou a uma habilidade que te permite que corra sempre bem, mas esta última tem um nível mínimo como requerimento. Se falhas demasiadas vezes, a tua reputação na cidade onde te encontras vai pela pia abaixo, e deixas de poder utilizar estas habilidades até pagares uma penalização com o teu dinheiro. Mecânicas simples, mas que trazem variedade a um videojogo que procura ser mais tradicional.

Octopath Traveler

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O verdadeiro ponto alto de Octopath Traveler, e aquilo que faz o videojogo ser uma compra imprescindível para qualquer fã do género, é seu sistema de batalhas por turnos. Até mesmo nas lutas contra inimigos normais, seleccionar “Atacar” atrás de “Atacar” não basta para limpar o ecrã. O foco principal é encontrar os pontos fracos dos adversários e aproveitá-los a nosso favor. Estes variam desde usar um tipo de arma específico, a usar os tipos de elementos indicados. Depois de atacar os pontos fracos, um determinado número de vezes indicado no ecrã, as defesas do adversário são quebradas e eles ficam o turno actual e o seguinte sem poder atacar. Jogar assim é essencial para poderes sobreviver, porque os inimigos, especialmente os bosses, usam tudo e mais alguma coisa para te verem realmente morto. Aqui não há “festinhas” de goblins ou slimes como as vezes vejo por ai fora.

No início de cada turno, cada personagem ganha um BP… Excepto quando gastas BP na verdade. Estes pontos servem para aumentar o número de vezes que a personagem ataca normalmente, ou para aumentar a força de um ataque especial, e podes usar até 3 pontos em cada turno. Planear quando estes devem ser usados para aumentar o dano o máximo possível é outra parte importante que o jogador tem de incluir na sua estratégia. É um sistema extremamente semelhante ao que se encontra no Pier Solar, mas que é divertido de usar.

Os ambientes de Octopath Traveler são tridimensionais, mas com texturas com aspecto gráfico retro. O resto é puramente representado em 2D. As personagens usam o mesmo estilo artístico do Final Fantasy VI sem tirar nem pôr, claramente tendo o mesmo publico alvo, apesar de a história seguir um formato mais em linha com o Live A Live. É realmente lindíssimo, pena a quantidade abusiva de bloom.

Octopath Traveler

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O aspecto das batalhas é sem dúvidas baseado na estrutura pré-FF VII com a party, representado a tua equipa com sprites pequenos à direita, e os inimigos com sprites maiores à esquerda. E isto sem se quer mencionar o tamanho abusado que os bosses têm. É um sistema que sempre foi um pouco ridículo. Ainda me lembro do Golbez do FF IV ser gigantesco na sua batalha de boss, e depois aparecer em tamanho mais pequeno, mais tarde quando ele se junta ao lado dos heróis. Mas pessoalmente não desgosto nada, tem o seu charme e dá para ver que foi feito por aqueles que conhecem bem a sua clientela.

No departamento musical, o número de faixas deixou-me um pouco desapontado, pois a música ambiente mal chega aos calcanhares das faixas da tal era de ouro dos JRPGs. Mas as músicas de batalhas… Essas sim são realmente fantásticas! Nunca dá para um jogador se fartar delas.

Octopath Traveler já está disponível para Nintendo Switch.

Conclusão da Análise
Mágico
9.0
Sou um mago vermelho da cromice, sou fanático de todos os média mas mestre em nenhum. No entanto os meus pontos estão alocados principalmente para os videojogos. Ao contrário do que é esperado da minha laia, eu adoro o ar livre, principalmente do campo. Adoro esticar as minhas pernas e apanhar muito sol... Será que algum dia vou conseguir a minha promoção para feiticeiro vermelho?

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