Depois do sucesso enorme que foi Outlast e o seu DLC Whistle Blower, já se adivinhava uma sequela. Já se sabia que a Red Barrels tinha essa intenção, mas para mim esta franquia podia muito bem ter passado sem continuação. Embora já se saiba que vêm aí um 3º capítulo nesta franquia. Isto porque sou daquelas pessoas que gosta de deixar as obras apurarem-se. Outlast foi algo tão perfeito que não achei que devesse ser sobre explorado para tentar-se esticar a franquia ao máximo, até essa diluir-se na busca pela sua continuidade. Agora, já que tive a oportunidade de jogar Outlast 2, através da Red Barrels, acho que este é o momento para afastar o nevoeiro de opiniões que este videojogo levantou entre a sua comunidade de fãs.

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Outlast 2 não é uma continuação exacta do primeiro jogo

Outlast 2 é um pouco posto de parte por não pegar exactamente na história do primeiro videojogo e continuá-la. Mas talvez essa tenha sido a melhor escolha possível a ser posta em prática para garantir o sucesso da continuação desta franquia tão poderosa. Vejamos, o videojogo não continua exactamente o anterior, mas, clarifica aquilo que são as bases da franquia e que farão de todos os videojogos de Outlast, sempre um Outlast.

Vejamos então, como no primeiro videojogo, o jogador desempenha o papel de um repórter. O que sempre é a desculpa perfeita para andarmos munidos com uma bruta câmara. Tal como no primeiro videojogo, também estamos envoltos em acontecimentos muito estranhos. Neste caso, o desaparecimento de uma mulher grávida que se presume morta, leva-nos a um novo cenário, o deserto do Arizona. Um espaço mais amplo e mais aberto que Mount Massive Asylum, mas que tal como o hospício, é povoado por personagens insanas que dão esta dimensão sobrenatural à franquia. Freaks mesmo, mas não tão memoráveis como os pacientes do primeiro videojogo. Como não podia deixar de ser, também esta população culmina numa adoração pouco ortodoxa a um padre que controla tudo e todos, e uns sinais estranhos…

Como repórter, também aqui tens a missão de descobrires e testemunhares os mistérios e horrores que envolvem esta população. Blake Langermann irá descobrir as raízes desta população, à semelhança de Miles Upshur no primeiro jogo na corporação Murkoff. O que era suposto ser só uma investigação sobre um caso de desaparecimento, rapidamente tornou-se numa catástrofe. Tudo começou quando tu e a tua esposa Lynn, também ela uma jornalista, sofreram um acidente de viação. Tudo aconteceu enquanto gravavam uma peça da reportagem do acontecimento.

Do nada, um dos motores falhou e o veículo acabou por se despenhar. Quando acordas, descobres que Lynn foi raptada para assumir um papel num culto satânico de um padre maluco. É então que partes à aventura nesta embrulhada toda para a salvares. Conseguirás sobreviver para contares esta história? Tal como no primeiro videojogo, a tua personagem não irá lutar pela sua sobrevivência, tendo só as opções de correr, esconder-se ou morrer em situações extremas.

Outlast 2 Screenshot 1

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Com isto tudo, acho que estão aqui reunidos todos os principais elementos que ligam ambos os videojogos e provam a existência de uma receita para se fazer um “Outlast”. Agora já sabemos com o que poderemos contar no futuro, já que a Red Barrels revelou que já está a trabalhar num Outlast 3. Talvez esse videojogo esteja a ser forçado a tornar-se uma ponte mais clara entre os títulos antecessores, mas acho que podemos agora concordar que mantendo estes elementos em vigor, podemos muito bem aceitar outro título título tão misterioso quanto este.

Uma atmosfera constante

Bem, feita esta separação entre a sequela e o primeiro videojogo, é altura de falar-te da experiência de jogo que Outlast 2 oferece. Apesar de todas estas mudanças, posso dizer-te que tens aqui uma experiência muito sólida. O videojogo mantêm o ambiente sombrio e intenso da prequela, mas agora adensa-se com grandes novidades a nível de mecânicas. Sendo a mais importante de se destacar, a adição de um microfone direccional à câmara de Blake.

Com isto, quero dizer que agora é possível gravares e veres em simultâneo o nível do som captado pelo microfone. Bem como a direcção de onde esse provêm. Isto é mesmo genial! Quando tens de te esconder ou desconfias que andam inimigos por perto, só tens de sondar cuidadosamente o ambiente à tua volta, em busca de registos sonoros como movimento ou até mesmo diálogos. Esta nova mecânica é sem dúvida uma jogada muito bem implementada pela Red Barrels.

Outlast 2 Screenshot 2

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Também a nível de gravações de vídeo há uma certa novidade que alguns fãs irão louvar. Enquanto que em Outlast tinhas de adivinhar quando é que deverias sacar da câmara e gravar certos acontecimentos para conseguires coleccionar todas as notas escritas por Miles, aqui esses momentos estão devidamente sinalizados. Claro, em vez de notas, podes contar com um registo audiovisual do repórter. No entanto, só podes aceder a todos esses registos e aos documentos que encontras ao longo do videojogo, através do menu principal. Assim esses registos não estão logo acessíveis quando estás a jogar. Fazendo-te passar por alguns loading screens para alternares entre o modo de jogo e o menu. No entanto deixo-te descansar dizendo-te que nunca és obrigado a fazer essas gravações de vídeo. A sua sinalização também não é muito óbvia. Só é visível se estiveres com a câmara ligada e a apontar para o ângulo certo.

Gráficos tão bons como a sua prequela

Os grafismos a pender para o realismo caracterizantes da prequela estão também aqui presentes. No entanto dada a natureza dos espaços, o ambiente parece mais sobrelotado com objectos. Os cenários são muito mais complexos e diversificados, mas com eles surgem detalhes inesperados que são muito bem vindos. Entre esses destaco o filtro que surge na perspectiva do personagem quando esse emerge da água. O ecrã parece estar encharcado. O que turva um pouco a visão do jogador por uns momentos, mas torna a experiência muito realista. As texturas tiveram um upgrade desde o videojogo anterior, e já essas não eram nada más! A nível de qualidade podes contar com uns sólidos 1080p e 60fps nos ports para a Xbox One, Playstation 4 e PC. Já na Nintendo Switch esta mantêm os 30fps e a resolução de 1008p utilizada no port do primeiro videojogo.

Outlast 2 Screenshot 3

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A sonoridade de Outlast 2 devo confessar que me deixou um pouco desapontada. Lembro-me que em Outlast até o som de pausar o videojogo era arrepiante, mas aqui esse aspecto foi um pouco colocado de parte. No entanto o que me desaponta mesmo é a fraca expressão sonora nos momentos em que morres. É aquela coisita, meh… mas visualmente esses momentos são mais recreativos do que já conhecíamos do primeiro videojogo, o que sempre escapa. Mas isto são detalhes a nível de efeitos sonoros. Já no campo da banda sonora, essa continua com uma boa dose de adrenalina e arrepiante como antes, mas muito mais suavizada. A sonoridade é uma parte muito importante neste género de videojogos. Pois o tom e o ritmo influencia imenso as emoções do jogador. Provoca os momentos de suspense mas sobretudo amplifica os jumpscares, que não são poucos neste videojogo!

Outlast 2 já está disponível para Steam, Xbox One, Playstation 4 e Nintendo Switch.

Conclusão da Análise
Segue "o rasto de sangue" do primeiro jogo
8.5
Cedo me apaixonei pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.

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