A experiência que te trago hoje foi desenvolvida com uma forte inspiração em grandes clássicos do género de Stealth na cultura dos videojogos. Sendo-lhe inegável a forte influência de Metal Gear, já sabes que podes esperar daqui uma experiência furtiva, onde a chave para sermos bem sucedidos se resume a quilos de paciência e muita, muita cautela.

République VR é uma experiência episódica que chega até nós através da Camouflaj, o seu estúdio desenvolvedor, num port realizado muito recentemente para os Oculus Quest. No entanto, é de frisar que o projecto fez a sua grande estreia nas plataformas mobile Android e IOs em 2013. Alcançou um tamanho sucesso que o catapultou directamente para as consolas caseiras PlayStation 4, Xbox One e claro para a Steam em 2015. Com os olhos postos no futuro, e na cada vez maior acessibilidade ao mercado de experiências de realidade virtual, foi assim dado mais um grande salto na história deste projecto. Vamos então ficar a conhecê-lo melhor?

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Uma história mais complexa do que dá a entender

Em cerca de cinco episódios, République VR pretende contar-nos uma história muito mais profunda do que esperávamos testemunhar num jogo que começou a sua aventura nas plataformas mobile. Antes de mais, se calhar seria melhor começar por te explicar como é que funciona o mundo onde esta história se passa, sem dar pistas para quaisquer mistérios ou spoilers.

Primeiro que tudo, é importante entender que esta é uma visão futura, de um mundo onde a sociedade está completamente consumida pelo caos. No entanto, nós não temos uma visão do que realmente se passa aqui. Até porque grande parte da nossa aventura é passada no interior de um complexo, onde um ditador procura educar e erguer uma nova sociedade.

O Overseer, como é chamado, procura eliminar a memória do que foi outrora a nossa cultura. Sendo de notar, sobretudo, a sua grande fixação em proibir e queimar todos os exemplares dos grandes clássicos da literatura. Os quais suscitam ideias de libertinagem e de que todo um mundo incrível nos espera lá fora. Com efeito, o crime que desponta toda esta experiência é precisamente o incumprimento desta sua vontade.

Aqui, interpretamos o papel de um hacker, que é contactado pela personagem principal. Hope está desesperada, pois foi apanhada a ler um livro proibido que vai contra os ideiais do Overseer. Sendo o seu crime punível com pena de morte (porque aqui ninguém está para brincadeiras), a mesma recorre aos nossos serviços para que a tentemos ajudar a fugir. O que implica que, de facto, exista todo um mundo exterior a este enorme complexo.

République VR

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Posto isto, os primeiros dois episódios conseguem infiltrar-nos na trama principal e deixar-nos bem conscientes dos conflitos existentes no background desta história. A minha sensação foi a de estar a andar sobre areias movediças, e a encontrar-me cada vez mais subterrada nos seus conflitos complexos. Com sede de procurar saber mais através dos detalhes espalhados pelos cenários, que surgem sobre a forma de objectos, jornais, quadros, avisos, etc…

Jogabilidade diferente para cada tipo de batata

Algo de valorizar nesta experiência, é que como temos uma gama tão variada de “famílias” de plataformas, temos também formas diferentes de jogar este jogo. Com isto, começando pela experiência do VR em si, é de salientar que logo de início foi-me perguntado se preferia jogar com os Oculus Touch ou com um outro comando de jogo normal.

Algo que a início me pareceu estranho, mas que mais tarde vim a perceber que, de facto, tem o seu propósito. Pois apesar do VR em si ser uma mais valia em termos de imersão na experiência, não representa para mim, de todo, a melhor forma de jogar este jogo. Isto porque Repúblique VR é, sobretudo, para ser jogado sentado. O que implica que praticamente só consiga mover a cabeça para perscrutar melhor o espaço em volta, e valendo-me dos comandos para controlar tudo o resto. O que resultou numas boas dores de pescoço depois de cada sessão, e um certo tédio da minha parte. Contudo, há que dizer que os controlos dos Oculus Touch se demonstraram extremamente intuitivos e muito bem adaptados, pelo que se procuras uma experiência mais imersiva esta é a melhor opção para ti.

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Como disse acima, tudo o que conseguia fazer fisicamente neste jogo era olhar em volta. O que se deve ao propósito de durante todo o jogo estarmos “presentes” através das câmaras de segurança. Pois, através destas, e mantendo contacto com o telemóvel da personagem principal, navegamos pelo cenário para conseguimos ajudar a Hope a saber quando e para onde é que se pode mexer, tendo em conta os guardas e até os puzzles que temos de resolver. Dito isto, se me dessem a escolher, preferia mesmo ter jogado este jogo numa consola caseira, onde podia controlar tudo com o comando, o que não difere muito desta experiência VR em si.

É, ainda, importante referir que há diversos “modos” de jogo que vem a ajudar ou a dificultar a tua prestação. Posto isto, quando inicias o jogo, é-te dado a escolher como é que queres jogar, através do uniforme que escolhes para a Hope. Com isto, é possível jogares num modo mais dedicado a speedrunners, ou noutro onde podes utilizar o taser ilimitadamente.

Habilidades de hackeanço

Importa referir que, sendo um jogo onde desempenhamos o papel de um hacker, temos várias habilidades que podemos utilizar para interferir com os guardas e com o cenário. Mas para desbloquearmos cada uma destas, temos de encontrar informações valiosas nos cenários, para que as possamos vender na internet e com essas possamos comprar novas habilidades.

Estas permitem-nos ter acesso aos emails nos computadores, causar distracções, ver qual é o trajecto de cada guarda, ouvir as gravações telefónicas, desbloquear portas e etc… Sendo que para conseguirmos aceder a certos sítios, temos de lidar com o custo de energia de desbloquear essa passagem, e com o requisito de termos uma versão melhorada do software do telemóvel da personagem. Sendo que só conseguimos fazer update ao nosso software conforme progredimos na história principal.

République VR

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Arte

République VR apresenta-se como um jogo muito rico em termos composição gráfica. Com uma direcção de arte bem trabalhada, envolve-nos no ambiente da acção. Contudo, as suas texturas estão a um nível abaixo do mediano. Não dão muita margem de manobra para detalhes. Mas ao mesmo tempo também não comprometem em muito a experiência visual do jogador. Já no campo da banda sonora, esta é praticamente inexistente. Pelo que és deixado a sós com a Hope, para te concentrares na missão de alto risco que tens em mãos.

République VR já está disponível para Oculus Rift / Go e Gear VR. No entanto, podes encontrar a versão não VR, République, nas plataformas PlayStation 4, Xbox One, Android, iOS e na Steam para PC.