Wonder Boy é a série com a numeração mais confusa do mundo dos videojogos… Metal Gear e Final Fantasy não chegam aos joelhos desta franquia no que toca em esforço para decifrar a listagem de títulos.

Vamos então pegar no segundo Wonder Boy, intitulado de Wonder Boy in Monster Land, que é também a primeira entrada da sub-série Monster World. Este título é uma prequela directa de Wonder Boy III: Dragon’s Trap, que é na verdade o quarto Wonder Boy e o segundo Monster World. Porquê o “III”? Provavelmente por ser o terceiro jogo a ter sido lançado na Sega Master System, pois o videojogo é apenas chamado de Monster World II no Japão…

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Mas atenção! Wonder Boy in Monster World na Mega Drive é uma entrada completamente diferente de Wonder Boy in Monster Land! Pois o jogo da consola de casa de 16-bit é na verdade o quinto Wonder Boy e o terceiro Monster World. Afinal de contas o seu nome no Japão é Wonder Boy V: Monster World III.

Monster World IV e Monster Boy and the Cursed Kingdom que pertencem ao mesmo universo são Wonder Boy? Os Adventure Island contam? Sei lá, não me faças tantas perguntas complicadas!

Onde é que eu ia mesmo?… Ah sim! A versão de arcada de Wonder Boy in Monster Land foi remasterizada num porte da linha Sega Ages da M2. Este videojogo, será alvo da nossa retro-análise, onde veremos se o mesmo aguentou ou não a passagem do tempo com esta nova pincelada.

O original não tinha sido lançado fora da terra do sol nascente, na altura em que tinha sido produzido. No entanto vários portes para hardware pessoal viram a luz do dia nos países ocidentais, com a versão mais conhecida a ser lançada na Sega Master System. Portanto Monster Land não deixa de ser alvo de nostalgia por muitos de nós.

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A História vale a pena? É preciso jogar para perceber as sequelas?

A história desta franquia é praticamente nula, como é de esperar dos videojogos desta época. No entanto Wonder Boy, e por consequência Monster World, tem alguma continuidade entre eles. Notavelmente, o nível final onde lutamos com o antagonista principal, um poderoso dragão que faz parte dos primeiros momentos da sequela directa (o Dragon’s Trap), cuja personagem jogável é exactamente a mesma.

O malfadado réptil em si não marca presença noutros jogos além destes dois, mas ele está relacionado com outra entidade, que essa sim é uma presença recorrente de forma directa e indirecta no resto da franquia.

É completamente necessário começar por aqui? Nem por isso… Dá para pegar em qualquer entrada sem problema nenhum, visto o enredo ser extremamente leve.

Mas até existe um número elevado de referências que só percebes se tiveres um conhecimento generalizado da série. Algo que nem era assim tão comum nesta altura! É algo que fica a critério de cada um.

Até porque…

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A Jogabilidade era boa? Envelheceu bem?

Wonder Boy in Monster Land, tal como o seu antecessor e predecessor, é um jogo de Arcada. Foi feito para comer moedas. É realmente de jogabilidade muito difícil, pois as entradas feitas de raiz para as consolas são brincadeiras para bebés em comparação com estes jogos.

No entanto ao contrário de Wonder Boy e Wonder Boy III: Monster Lair (o verdadeiro III), este não é um mero jogo de plataforma/shooter. É um RPG de acção e aventura com vilas onde compramos equipamento, e adquirimos magia e lutamos com monstros de espada na mão.

Como é que foi aplicado este formato aos salões de jogos? O jogo é mesmo assim estruturado por níveis sequenciais, sem a possibilidade de voltar a áreas anteriores. Monster Land é pequeno, mas é impossível de acabar numa partida só. Informação vital é adquirida nos bares e isso custa dinheiro valioso que pode ser usado para protecção mais resistente.

Para não falar da presença constante de uma ampulheta que te corta a vida aos poucos quando o tempo acaba. A areia pode ser reposta apanhando novas ampulhetas ou corações. Se estás mais familiarizado com as entradas modernas, deves reconhecer este sistema do modo Hard do remake de Dragon’s Trap.

O original é sem dúvida mais difícil do que a versão de 8-bit na consola da Sega. Mas em contrapartida tem continues ilimitados… Até chegares à área final, cuja derrota te convida a ver a tela inicial sem qualquer outra alternativa.

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Os controlos deixam muito a desejar com movimentos que parecem que custam a executar, principalmente no início, quando não tens equipamento nenhum. Se estavas esperançoso por encontra alguma gema perdida do gamming aqui, bem podes esquecer.

A nova versão da M2 além de incluir a versão normal, incluí um modo onde podes reter todo o equipamento que adquiriste entre partidas, aproximando o jogo ligeiramente mais a um RPG normal. Em contraste há um modo onde adquirir ouro ainda é mais difícil que o normal, sem poderes recorrer a qualquer tipo de truque.

Como extras tens 2 Time Attack, onde lutas contra a esfinge e o dragão com vida ilimitada e um Score Attack com um 1-hit e uso exclusivo da magia de fogo com carga infinita. Nada muito notável, sinceramente.

Mas no fim do dia a base do jogo é a mesma e o tempo nada fez para mitigar os seus problemas. No entanto se fores algum fanático ou se o jogo marcou o teu coração no passado, este relançamento é definitivamente algo que deve ser colocado debaixo do teu radar.

Sega Ages Wonder Boy

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Os gráficos? E o som?

O estilo artístico é simplista e não no bom sentido. A interface cobre uma grande pare do ecrã deixando-te com uma área de jogo diminuta. Em Phantasy Star, isto não é problemático, visto ser um jogo por turnos, mas aqui é algo notável nos momentos mais apertados. É estranho uma sequela ter menos detalhe que a primeira entrada…

Mas claro que a versão de arcada (e consequentemente a versão Sega Ages Wonder Boy in Monster Land) não deixa de ser superior aos restantes portes. Se tens de pegar em algum Wonder Boy 2, é neste aqui.

No que toca à música, a instrumentalização também não é nada de outro mundo, mas as faixas musicais por si só já são outra história. Foi aqui onde se ouviu pela primeira vez as primeiras iterações de vários temas icónicos que estão presentes até mesmo em Monster Boy. Incluído obviamente a famosa Last Dungeon que é praticamente o hino da série!

E olha a M2 até colocou um Sound Test nas opções e tudo.

Sega Ages Wonder Boy in Monster Land já está disponível na eshop japonesa da Nintendo Switch, com data de lançamento na Europa por anunciar.