Apesar de ter deixado os jogadores extremamente curiosos com a sua apresentação no painel da Ubisoft na E3Starlink: Battle For Atlas foi um videojogo que acabou por passar um pouco despercebido, mesmo durante o seu lançamento. Contudo, sendo que já tive a oportunidade de jogá-lo através da Nintendo Portugal há uns meses atrás, e de me surpreender com alguns dos aspectos do jogo, a curiosidade manteve-se comigo até ao momento do seu lançamento. E agora que finalmente consegui jogar a sua versão final, trago-te a sua análise. Aperta o cinto, e vamos descolar!

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História

Starlink: Battle For Atlas, conta-nos a história da equipa da Equinox. Uma equipa de indivíduos inadaptados à sociedade, que foram convidados a trabalhar juntos ao abrigo do cientista St. Grant. Este, detém grandes planos para revolucionar Atlas com a sua fonte de energia Nova. Uma fonte de energia que acaba por atrair o maior vilão deste lado do universo: Grax, que se acha o escolhido pelos Guardiões da Galáxia (não são esses guardiões em que estás a pensar infelizmente) para restaurar uma máquina aterradora. Grax, têm vindo a explorar Atlas e a sobre-explorar os planetas deste sistema, em busca de energia para revitalizar a máquina, espalhando o terror entre os poucos sobreviventes que subsistem nestes corpos celestes.

No geral, esta foi uma história curta, mas que me surpreendeu pela sua mensagem e sobretudo pela emoção que conseguiu despontar em mim. Sentir o impacto destes momentos e explorar em liberdade estes mundos, fez-me sentir como se estivesse dentro do ecrã e temer o pior por estes ecossistemas. Sentir-me tão aliada à história, é algo que não tem sido muito frequente. Pelo que neste sucessivo carrossel, chegar ao fim e olhar para trás, é de facto relembrar boas memórias a jogar este jogo. E quer me parecer que o mesmo terá mais conteúdo em breve, pelo que talvez não fiquemos por aqui…

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Jogar como Star Fox, personagem exclusiva da versão para a Nintendo Switch, foi talvez um elemento que teve mais prós que contras. Por um lado ao não estares a jogar como uma das outras personagens, não te habituas tanto às mesmas; por outro, tens toda uma aventura extra, que é bem mais curta que a história principal do jogo, onde por coincidência dás por ti em Atlas à procura de Wolf e de descobrir os seus planos maléficos. Uma aventura que foi bastante divertida e agradável até porque Star Fox veio acompanhado dos seus amigos do costume: Peppy, Slippy e Falco, para matarmos saudades.

Jogabilidade

Em termos de jogabilidade, a liberdade que Starlink nos oferece é em certa parte uma simplificação da experiência que sempre quisemos ter em jogos de naves e de exploração espacial. Imagino o enorme sucesso que seria, se surgisse uma adaptação desta obra para o mundo do Star Wars, aliás Battlefront II bem que nos deu um cheirinho disto mesmo. Entre navegarmos pelo espaço aberto, sermos abordados por um grupo de bandidos espaciais e nos embrulharmos numa luta escaldante entre os corpos de asteróides, ou mergulharmos num planeta e sermos maravilhados por toda a sua fauna e flora tão característica, o jogador imerge e vive uma experiência que o deixa deslumbrado.

Melhor ainda, é mesmo jogar em co-op com um amigo ao lado, travando estas batalhas estelares que te esperam se seguires as missões principais. Devo dizer que essas não são pêra doce, e se de facto não estivesse a jogar em coop, dificilmente conseguiria progredir na história, pois notei uma diferença de dificuldade enorme entre as mesmas e as restantes batalhas que tinha disputado até então.

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Apesar de muitos dizerem que Starlink é uma experiência repetitiva, baseada numa fórmula de encher chouriços, devo dizer que mal senti o tempo passar neste jogo. É verdade que a certo ponto da história, tens de viajar entre vários planetas, lutando em cada um deles por libertar esses mesmos da Legião que é comandada por Grax. Algo que só o podes fazer, derrotando os diferentes tipos de postos que eles detêm, e criando postos aliados à tua causa, até puderes finalmente derrotar o Primer (o boss) de cada planeta. Mas, como os postos a conquistar até oferecem tipos de desafio diferentes, não me senti aborrecida por repetir mais ou menos o processo nestes planetas.

No entanto, para dar uma melhor variedade de desafio ao jogador, a Ubisoft podia simplesmente ter pensado em adequar os inimigos, o que incluí sobretudo os Primers, ao ambiente do planeta em que se inserem. Desta forma, poderias ter Primers e postos de extracção com armas de gelo e de outros elementos. O que sempre forçava o jogador a trocar de armas, visto que desde o início ao fim sempre utilizei as armas de fogo e de gelo que vêm no starter pack com a Arwing, sem sentir necessidade de arranjar outras. Por falar nas armas, ao longo do jogo não vais conseguir desbloquear mais nada a menos que compres mesmo as peças ou os pilotos ou as naves, digital ou fisicamente. Uma vez que as naves que possuís são as tuas vidas, e que cada piloto tem uma habilidade exclusiva que pode invocar, deves ponderar então muito bem o que deves ou não adquirir.

Peças Físicas VS Digitais

Por ter mencionado o starter pack, vamos já dirigir-nos ao elefante nesta sala: o formato toys-to-life, as peças que podes comprar em formato físico. Desaconselho-te vivamente a pensares em adquirir seja o que for neste formato, a menos que o faças por coleccionismo. Tudo bem, as naves são lindas, os pilotos são feios, porque a uma escala tão reduzida dificilmente encontras figuras melhores, o sistema de troca de peças é mágico pois as mudanças são imediatamente copiadas para o jogo conforme interages com as peças físicas, e ao contrário do que poderias pensar, o conjunto todo mal se sente sobre o comando. MAS, estarás a gastar rios de dinheiro nisto tudo. Desde já, só o preço do starter pack com a Arwing custa tanto quanto adquirires a versão digital já com uma boa quantidade de naves, pilotos e armas. Isto é muito importante, pois cada nave representa uma vida que tens no jogo. Se morreres, tens de re-iniciar a missão a menos que tenhas outra nave para substituir a actual.

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Além disso, há diferenças entre jogares com as peças físicas e jogares com as peças digitais. São modos de jogo diferentes e uma vez que escolhas jogar fisicamente, tens de ter outra nave física para substituir a tua actual caso morras. Caso contrário, tens de sair do modo físico para passares para o digital, e aí estás limitado às restantes peças que compõem o pack que compraste. O starter pack físico do Star Fox, só para teres ideia, vêm com 1 nave física (a Arwing) e outra que só podes usar em modo digital, bem como com as duas armas físicas e uma adicional de elemento neutro (digital), dois pilotos, um grip alterado para os joycons, e o jogo. Um pacote muito inferior ao que podes comprar em formato digital com o jogo, que te traz muitas, muitas mais peças.

Controlos

Como disse, fisicamente quase não sentes o peso das peças montadas sobre o teu comando, e esta foi a primeira curiosidade que tive em relação ao jogo. A outra, foi referente à magia que acontece quando trocas as peças no modelo físico, pois as mudanças no videojogo são praticamente instantâneas.

Quanto aos controlos em si, estes são muito fáceis de dominar, sendo que com os gatilhos disparas as armas, com os manípulos analógicos controlas a nave e a câmara como já é costume. Tens também botões para as funções básicas, como ligar o turbo, saltar, fazer doge, interagir, descolares ou aterrar e ainda activar a habilidade do piloto. Não é mesmo nada de por aí assim além, e o mapa de botões em si entrega-nos as funções que já são intuitivas e esperadas de cada botão quando te passam o controlo para as mãos.

Arte

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Como disse anteriormente, cada planeta é único e têm aqui todo um ecossistema muito próprio. A paleta cromática, é portanto ajustada ao ambiente do mesmo, mas no entanto consegue-te surpreender visualmente. Haven, por exemplo, é um autêntico paraíso com mantos de ervas, ora azuís ora magentas ora verdejantes, que me enchem os olhos. Vylus é por outro lado um planeta com uma fauna ainda mais interessante que desafia as leis da gravidade, mas que parece extremamente perigosa. Com tanta cor e tanto conceito fruto de uma mente criativa que se tenta distanciar do que é para nós a realidade, é impossível não me sentir maravilhada. Contudo temos uma pouca variedade de fauna e até de inimigos, mas também estes não deixam de se revelarem interessantes, especialmente os habitantes dos planetas, porque os membros da legião vão ser sempre semelhantes em qualquer corpo celeste.

Quatdo às naves, apesar de lindíssimas e com detalhes eficientes, há algo que escapa facilmente à imaginação do jogador, mas que deve ser tido em conta. Nós aqui vemos o mundo em 3rd person na perspectiva de um veículo, contudo o mundo inteiro está adaptado à escala desse mesmo e não há do piloto que o dirige. Quer isto dizer que os planetas que aqui exploramos têm gramas de erva mais altas que as nossas personagens? Yep. Se desse para tirarmos um piloto da nave, o jogador possivelmente teria imensas dores de cabeça só a tentar encontrar a sua personagem no meio disto tudo. Não faz muito sentido, e não deixa de ser um facto estranho cada vez que jogo e penso nisto.

Em termos de animação, o jogo é competente e ágil de forma a nos despertar a adrenalina para controlarmos a nave eficientemente. Em termos de cinematicos, esta oferece-nos momentos sentidos, que se intensificam ainda mais com a banda sonora, que se encaixa perfeitamente com a atmosfera da situação em que nos encontramos. Desta forma, foi me permitido imergir totalmente no jogo e devo dizer que é dos poucos que actualmente em que ainda visito de vez em quando para matar o vício.

Starlink: Battle For Atlas já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.