É normal por vezes ligar a televisão, andar de canal em canal, e parar num filme genérico de acção cujo enredo é algo deste género: Tipo duro e mal disposto, mas com o coração no sitio certo, anda à porrada com vários tipos de uma organização criminosa, com o objectivo de limpar a cidade e/ou salvar um ente querido. Jogar Beat ‘em up não foge muito desta ideia, sozinhos ou com um colega de equipa, andamos à pancada com os molhos de mafiosos que nos aparecem à frente.

Contudo, a origem do género dos Beat ‘em up e dos fighters está muito interligada, sendo que na altura em que surgiram, havia pouca distinção entre os dois, e estas etiquetas por vezes causavam confusão. A separação, deu-se principalmente com Street Fighter II (1991), que contendo múltiplas personagens jogáveis e um maior investimento na competição multi-jogador, veio a delinear o que nós chamamos de um fighter nos dias de hoje, e com títulos como Double Dragon (1987) e Final Fight (1989) a dar a cara ao que nós hoje temos em mente quando pensamos num Beat ‘em up.

Videojogos de fantasia e outras temáticas também inundam o género, mas o mais natural é andar à batatada nas ruas mais duvidosas das metrópoles. É um tipo de videojogo muito ligado à cultura das antigas arcadas. Eu pessoalmente devo ter torrado uma boa quantidade de trocos só no Cadillacs and Dinosaurs (1993) à duas décadas atrás. Em casa, cá por Portugal, na popular Mega Drive da Sega, o pessoal jogava principalmente os videojogos da série Streets of Rage.

Streets Of Rage

Lê mais:  Yakuza Like a Dragon | Datas de lançamento reveladas!

A primeira entrada da franquia data de 1991, e segue a história de Adam, Axel e Blaze. Ex-policias que se comprometeram a salvar a cidade onde habitam, do controlo do sindicato criminoso de Mr. X. Com a opção de jogar sozinho ou com outra pessoa a ajudar, cada jogador escolhe uma destas personagens para percorrer os 8 níveis disponíveis. Cada personagem tem o seu próprio estilo de combate, sendo que Adam é forte mas lento, Axel é mais equilibrado mas não consegue saltar muito alto, e Blaze compensa a sua falta de força física com movimentos rápidos.

No decorrer da acção, o jogador é atacado por vários capangas genéricos, cada qual com a sua maneira de te abranger e atacar, e na maior parte dos níveis, lutamos com uma personagem boss na sua conclusão. Nos controlos, temos acesso a um botão de ataque para executar combos básicos, e outro de salto que podemos usar em combinação. Imitando a magia de Golden Axe (1989), ainda temos um ataque especial limitado em número, onde o campo de jogo é bombardeado por um antigo colega da polícia.

Espalhadas por ai fora, temos também acesso a facas, tubagens em ferro e outros objectos que podemos usar até se partirem. Quem jogou outros videojogos do mesmo género, consegue perceber que Steets of Rage é extremamente parecido com Final Fight, o que é visível até mesmo no aspecto de alguns locais e inimigos, mas com um pouco mais de personalidade. Com o Final Fight talvez a ganhar em reconhecimento graças à sua presença na série de Street Fighter.

Lê mais:  Street Fighter 2010 | Retro-Análise

Mas a “homenagem” não se fica por ai. Sobre certas condições, perto do final do videojogo, é possível replicar a batalha final de Double Dragon, e ter acesso a um final alternativo. Mas o detalhe que mais se destaca é música, conhecida pela melhor que a Mega Drive consegue produzir: uma banda sonora electrónica de Yuzo Koshiro que causava alguma inveja na malta da Super Nintendo.

Mas infelizmente, o videojogo por muito excelente que seja, não é equiparável ao que era oferecido pelas arcadas na altura, com limitações de tamanho, personagens mais pequenas que o normal, e sem ajudas como barras de vida para todos os inimigos, entre outros… Problemas que seriam rectificados na sequela, que é considerada por muitos, como o melhor Beat ‘em up de sempre.

Onde Streets of Rage falha na originalidade, compensa com sua competência de execução, e na sua capacidade de entretenimento. Um jogo que não deve faltar nas bibliotecas retro de qualquer gamer ou para aqueles que não gostam mesmo nada de alguém conhecido, que por coincidência até se chama Garcia.

Sou um mago vermelho da cromice, sou fanático de todos os média mas mestre em nenhum. No entanto os meus pontos estão alocados principalmente para os videojogos. Ao contrário do que é esperado da minha laia, eu adoro o ar livre, principalmente do campo. Adoro esticar as minhas pernas e apanhar muito sol... Será que algum dia vou conseguir a minha promoção para feiticeiro vermelho?

Deixa uma resposta

Por favor deixa aqui o teu comentário
Por favor deixa aqui o teu nome

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.