A indústria dos videojogos sempre foi conhecida por quebrar padrões. Sejam eles mecânicos, visuais, ou no desenvolvimento de personagens. Cada jogo tem uma história, mas poucos criam uma história que realmente nos cativa até ao fim. Aliando a quebra dos padrões à elevada capacidade de contar uma história, a Dontnod apresenta-nos Tell Me Why (doravante TMW), o seu mais recente videojogo protagonizado por dois gémeos, um deles sendo um transsexual.

O que na altura gerou borburinho, rapidamente é tratado com extrema naturalidade (como deve sempre ser) assim que pegamos em TMW. Claro que temos indicações, como dias de tomar testosterona marcados no calendário, ou livros pousados em cima de mesas, mas a Dontnod esforçou-se para que este tema não seja o destaque da história.

Porquê mencionar então? Porque mais uma vez quebrámos um padrão. Este é o primeiro videojogo AAA protagonizado por um transsexual. Uma congratulação à Dontnod pelo corajoso gesto. Passemos então à análise do jogo em si.

tell me why

TMW conta a história de dois gémeos que não se vêem há bastante tempo, Tyler e Alyson. Após uma introdução que nos explica que Tyler (novo, e antes da mudança) assassinou a sua mãe, dado esta o ter ameaçado por cortar o cabelo demasiado curto, percebemos que será uma viagem emocional. Damos início à história com a preparação de cada um para o reencontro, marcado pela antecipação com que os ouvimos planear e uma ligeira recordação da personalidade de cada um.

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Após a reunião, regressam a Delos Crossing, uma cidade fictícia no Alaska, onde presenciamos um misto de reacções ao regresso (e mudança) de Tyler. Teremos todo o tipo de reacções, incluindo uma em que Tyler vinca o pé na mensagem que a Dontnod (e milhões de pessoas) pretende(m) transmitir: “Habituem-se, porque nós não vamos a lado nenhum”.

O primeiro episódio apoia-se maioritariamente no desenvolvimento de Tyler, talvez até demais, pois para uma história protagonizada por duas personagens, Alyson acaba por passar demasiado tempo na sombra no primeiro acto para quem carrega um trauma de igual peso.

tell me why

Durante o resto do jogo, verão os gémeos sempre juntos, presenciando memórias de ambas as perspectivas, uma mecânica deveras interessante, e muito bem explorada pela Dontnod. É nesta mecânica que nos cativamos, pois vemos duas memórias, igualmente factuais, mas de duas perspectivas completamente diferentes, onde uma pequena diferença no contexto da situação gera uma discórdia ao jogador, deixando-o indeciso sobre que “versão” se apoiar.

As personagens que vamos conhecendo à medida que progredimos na história deixarão também a sua marca, cada uma com a sua personalidade marcante, incluindo, uma perspectiva real por parte da cultura Tlingit, consultada pela Dontnod para que não seja deixada informação ao acaso.

Embora tenhamos jogado os 3 capítulos e gostássemos de vos transmitir mais acontecimentos que são marcantes, não é um objectivo nosso estragar a história, pelo que o resto é deixado à curiosidade do jogador. O formato episódico apenas beneficia TMW, permitindo um encaixe conciso na maneira como a história é contada.

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tell me why

A atmosfera de TMW é forte, mantendo um tom de suspense à medida que vamos progredindo, o que nos permitirá ver paisagens lindíssimas, contribuindo apenas positivamente para esta belíssima peça. Visualmente, é o jogo mais forte da Dontnod, tal como a banda sonora que o acompanha.

Tell Me Why já se encontra disponível nas plataformas Xbox One, Xbox Series X e Microsoft Windows.

Conclusão da Análise
Marcante
8.4

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