Já faz algum tempo que acompanho a Super Massive Games e cada vez consigo ficar mais surpreendida com as suas criações no que toca ao horror. Ainda não tive a oportunidade de jogar o começo da Dark Pictures Anthology, Man of Medan, apenas assisti à sua jogabilidade. No entanto, dentro do meu currículo de jogadora, já se encontram títulos como Until Dawn e Hidden Agenda, jogos que também influenciaram Little Hope em aspectos preponderantes.

Little Hope foi desenvolvido pela Super Massive Games e publicado pela Bandai Namco Entertainment, estreando a 30 de Outubro deste ano, mesmo a tempo do Halloween! Tal como os seus antecessores, Until Dawn e Man of Medan, The Dark Pictures: Little Hope segue a fórmula de história interactiva e muito terror para colocar os nossos ossos a tremer. Apesar de trazer um contexto narrativo um pouco cliché, a história torna-se cativante e aberta para teorias desde início até ao fim.

Tudo começa com um acidente de autocarro. O professor John e os seus alunos Andrew, Angela, Daniel e Taylor ficam presos na cidade fantasma de Little Hope, encurralados por um estranho nevoeiro. A única solução que resta ao grupo é seguir em direcção à cidade, na expectativa de encontrarem o condutor do autocarro e um telefone com sinal. Little Hope parece estar de alguma forma conectada ao grupo e a única maneira de escapar poderá estar ligada a uma pequena rapariga. O objectivo é tenta escapar e, ao mesmo tempo, desvendando mais sobre o passado da cidade e eventualmente acabar com a fonte do mal.

Não vou mentir que a premissa de Little Hope me pareceu frequentemente tirar algumas inspirações de Silent Hill, uma cidade coberta de nevoeiro que é assombrada por monstros e por um passado obscuro de bruxaria. Contudo, conforme avancei com o jogo, fui percebendo que estes elementos possuem a sua própria dinâmica. Cada monstro possui um significado profundo e não descansa até apanhar a sua personagem alvo, enquanto o nevoeiro serve para bloquear a saída das personagens num loop constante. O sentimento de esperança das personagens vai transformando-se progressivamente em desespero, à medida que o nevoeiro desvenda o estado abandonado da cidade.

The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Cada escolha afecta o decorrer da história e as relações entre as personagens. O parâmetro das relações assume um papel importante no que toca a decisões neutras ou naquelas que não são feitas por nós. Por exemplo, quando escolhes não dizer nada ou quando não vais a tempo de selecionar uma opção, a personagem opta sozinha uma acção com base no nível de amizade que possui entre os elementos do grupo. As escolhas destas personagens possuem impacto não só na versão atual da cidade de Little Hope, mas também na versão do século XVII. Porquê perguntas tu? Tens que jogar para ficar a descobrir!

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Em termos de sobrevivência, quick-time events são determinantes em todos os momentos, por vezes, basta falhares um para ser “game over” para uma personagem. Little Hope também cria a sensação de que o perigo está sempre à espreita para todas as personagens e que um momento de segurança pode transforma-se em algo demasiado passageiro…

The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Os ângulos de câmera ajudam a culminar a impressão de que algo nos está a observar, aumentando o nosso nível de inquietação e estado de alerta. Estes ângulos ficam posicionados de forma a dar destaque ao ambiente que nos envolve, especialmente à nossa retaguarda. Um grande exemplo, para mim, foi o segmento do museu abandonado, conseguia ver os manequins que estavam por trás das personagens e ficava sempre com medo que se começassem a mexer. Contudo, a alternância repentina entre os ângulos da câmera por vezes confundem o nosso sentido de orientação pelos cenários.

As músicas de fundo permitem criar um ambiente de suspense arrepiante, mas são os ligeiros ruídos e sons indecifráveis que fazem a nossa mente dar alas à imaginação e criar cenários de horror que não estão realmente presentes. Uma crítica que tenho a apontar é que por vezes os gritos relativos aos jumpscares tornavam-se algo previsíveis, mas mesmo assim conseguiam pôr-me a saltar da cadeira.

The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Os visuais são de boa qualidade e nota-se que cada personagem foi feita com imensa atenção ao detalhe. Os demónios da cidade também aparecem com bastantes pormenores macabros e características específicas que os permite distinguir uns dos outros. Lembro-me que havia um que tinha correntes à sua volta e era pelo sons dessas correntes que o conseguia reconhecer à distância. Os atores de voz fizeram um excelente trabalho a realçar expressividade no diálogo e eu os louvo por terem conseguido recriar tão bem sotaques antigos com pronúncia. As cenas que envolviam muita aflição e gritos estavam igualmente muito bem conseguidas.

Tal como em Man of Medan, podemos explorar o ambiente e os seus objetos para descobrir mais sobre Little Hope. Através de fotografias também conseguimos ter acesso a certos eventos que podem ou não acontecer, dependendo das nossas ações. Contudo, uma nova adição que achei interessante foi a mecânica de acompanhar o batimento cardíaco das personagens, isto servia para acalmá-las em situações de medo e evitar que a sensação de pânico se apoderasse.

The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Tendo em conta que joguei Until Dawn e Hidden Agenda na PS4, Little Hope foi uma experiência mais divergente por o ter experienciado no PC. Ao todo, existiam três opções de jogabilidade que podiam ser alternadas a qualquer altura.

A opção point & click permitia um controlo mais intuitivo e fluído da ação. No entanto, por vezes os quick-time events tornavam-se bastante complicados, isto porque para os acertar dependia muito se o cursor do rato estivesse afastado ou próximo do ícone. Mesmo com um sinal de aviso prévio, é muito comum falharmos devido a isto, especialmente se o evento tiver uma duração curta. Controlar as direcções das personagens também pode tornar-se algo confuso quando clicamos no ecrã, porque por vezes pensamos que estamos a direccionar a personagem para um lado, mas afinal foi para outra direção.

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The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Os controlos com o teclado e rato davam maior controlo sob o movimento das personagens. Tanto neste modo, como no point & click, o rato dá acesso à rotação total da câmera, mas em certos momentos parece que fica mais fixo na personagem jogável. Fazer pontaria com o rato pode tornar-se bastante complicado, porque o ato de arrastar o cursor até ao alvo parece ser propositada e excessivamente lento, ainda por cima quando temos tempo limite contra nós.

Little Hope também surge com a opção de utilizar comando. No meu caso, experimentei com o Steam Controller. Por estar habituada ao comando DualShock da Playstation, senti que jogar com um comando facilitou a minha jogabilidade em todos os aspetos. Tinha os botões todos ao meu alcance e conseguia desempenhar as ações de forma muito mais natural e rápida. Através do joystick conseguia explorar abertamente o ambiente à minha volta e ter maior margem de manobra quando aparecia eventos de pontaria.

The Dark Pictures Anthology: Little Hope

Little Hope possui dois modos de jogabilidade como Man of Medan. O modo co-op Movie Night provou ser uma experiência agradável. Tem a mesma história, mas podemos escolher as nossas personagens preferidas e jogar com outras pessoas por turnos. Pessoalmente, o que achei mais interessante foi poder ver a reação da pessoa com quem estava a jogar. Infelizmente, não pude experimentar o Share Story, ou seja, o modo online multiplayer, porque não tenho amigos na Steam com o jogo.

Em termos de duração, Little Hope foi relativamente curto como o seu antecessor, durando cerca de 3 horas. Contudo, recomendo fazer várias pausas para conseguires absorver certos momentos “menos bonitos” que acontecem ao longo da história. No total, Little Hope também conta com 6 finais diferentes. Cada final é desbloqueado através dos itens que encontras e das ações que realizas durante o jogo, por isso mantêm-te atento. Apesar do jogo abordar temas pesados e moldar bem a narrativa em torno destes, sinto que o elemento sobrenatural que desencadeia a história acaba por ficar meio que em pontas soltas. Se calhar é para continuar a fazer parte do mistério?!

The Dark Pictures Anthology: Little Hope está disponível para a PS4, PC e Xbox One.

Conclusão da Análise
Vale a pena o susto!
7
Desde infância que sempre tive uma grande paixão por todo o tipo de videojogos, não consigo passar sem as minhas playstations e adoro explorar todas as aventuras que estas me oferecem. Para além disto, adoro escrever sobre o meu hobby e de partilhá-lo com muitas outras pessoas. Espero que gostem do meu contéudo!

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