Desenvolvido pela Supermassive Games, The Inpatient é um exclusivo para PlayStation VR, que desafia o jogador a sobreviver em primeira pessoa aos horrores do Sanatório Blackwood. Aqui, testemunhamos os eventos trágicos que aconteceram 60 anos antes da trama principal de Until Dawn. Tal como neste último, temos também aqui presente neste videojogo de realidade virtual, o efeito borboleta sobre o enredo do jogo. Pelo que temos o poder de decisão sobre o rumo que a nossa história vai tomar…

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Sem revelar muito sobre esta história, deixa-me dar-te um contexto introdutório. A nossa personagem, com género e tom de pele a definir pelo jogador, encontra-se com amnésia. Pelo que desempenhamos o papel de um paciente do Sanatório aos cuidados do Dr. Jefferson Bragg. Desta feita, a primeira vez que abrimos os olhos neste mundo virtual, deparamo-nos com um ambiente escuro, pouco iluminado e que se sente algo frio. Com o olhar, perscrutamos a sala onde nos encontramos, e não reconhecemos aquele lugar meio obscurecido pelas sombras em redor, e pior, não reconhecemos nenhumas das caras que nos recebem neste mundo ao passo que ganhamos consciência sobre o mesmo.

Com isto, como podes imaginar, todo o tipo de perguntas que ficcionalmente passariam pela mente da nossa personagem, são as nossas mesmas questões que queremos colocar. E aqui começa a brilhar uma das grandes cartadas deste jogo no que toca à imersão: o reconhecimento da nossa voz, captada pelo microfone do PlayStation VR. Desta feita, quando nos encontramos perante algumas escolhas de diálogo para a nossa personagem, podemos ser nós próprios a vocalizá-las, ou a decidirmos simplesmente manter o silêncio. Desta forma, temos um nível de interacção com o ambiente e as suas personagens, que quebra algumas das barreiras que normalmente nos constringem nestas experiências ficcionais.

The Inpatient

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Contudo, é claro que podes optar por jogar esta experiência sem o recurso a esta função, e utilizar os comandos em substituição. Quanto a esses, The Inpatient pode ser jogado tanto com um comando Dualshock 4, como com um par de comandos Move. Por ter à disposição os Move, é claro que optei por estes, pois permitem ao jogador libertar-se novamente de algumas amarradas dos jogos convencionais, e “tocar” no ambiente em redor com liberdade de movimentos. Com isto, devo dizer que a experiência dos controlos foi bem pensada para garantir o melhor nível de imersão possível nesta obra. Contudo, só tenho um reparo a fazer, na medida em que não podias andar na direcção do teu olhar, mas sim nos eixos que prendiam a câmara a uma variada dose de ângulos em torno da nossa personagem. Aqui, acho que o pessoal que utilizar os Dualshock tem uma ligeira vantagem, mas perdem tudo o resto. Com isto, há também outro tipo de controlos que só irás utilizar numa situação ou outra, implicam que faças certas acções, como ficar completamente imóvel, como se a tua vida dependesse disso…

Com um ambiente visualmente brutal, em que somos deslumbrados pelo jogo de luzes e sombras de mestre que atravessam os cenários, as texturas e os detalhes nos mesmos também não desapontam. Como resultado, até certo ponto conseguimos sentir-nos “presos” nesta realidade, e se há coisa que podes ter a certeza absoluta de que vais sentir, é um misto de receio e desejo de te evadires deste local, não sabendo o que podes encontrar pelo caminho, e sentindo que algo te espera a cada esquina que contornas. No entanto, é importante referir que o factor de horror deixou-me um pouco a desejar. Pois não encontrei muitos momentos de grande tensão, de sustos, nem muitas situações de desespero. No entanto, tenho a certeza absoluta de que os meus vizinhos ficaram com uma impressão diferente…

The Inpatient

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Em cerca de 2/3 horas de jogo, posso dizer-te que The Inpatient demorou um pouco a arrancar totalmente, pois o jogador acaba por passar demasiado tempo dentro do seu dormitório, enquanto instiga sobre tudo o que parece estar a acontecer para além da sua porta de entrada. Há sem dúvida uma boa trama principal que vamos descortinando ao longo deste jogo, e a que precisamos de estar bem despertos para apanharmos todos os seus pormenores que nos vão sendo revelados. Contudo algumas questões irão ainda persistir depois do final do jogo. No entanto, no meio desta tragédia toda, acabei por conseguir criar de alguma forma um certo tipo de laços emocionais com certas personagens que aqui conhecemos.

Estas, nutrem uma certa humanidade, mas é importante referir que nem todas se sentem tão bem desenvolvidas. Algumas, existem sem qualquer tipo de alma e interagem connosco como pãezinhos sem sal. Aqui é importante também referir que joguei com as opções para dobragem em português, para sentir as vozes calorosas da nossa língua materna, mas que por alguma razão voltam a fazer-me sentir que não pertencem totalmente a este mundo e a estas personagens. Não obstante, este é sem dúvida um jogo de que me irei recordar por uns tempos, e que aconselho a quem tiver a possibilidade de o jogar.

Conclusão da Análise
Consegue deslumbrar-nos.
6.8
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.