Originalmente lançado em 2015 para a Steam, The Park é um indie desenvolvido pela Funcom, onde vives uma aventura de horror psicológico. Aqui exploramos o Atlantic Island Park, ao passo que conhecemos, na perspectiva de primeira pessoa, o drama de Lorraine. Esta é uma mãe solteira que procura o seu filho Callum, que se perdeu algures no parque, após se recusar a ir embora sem encontrar o seu ursinho de peluche. Se isto te parece um início fofinho para uma história, prepara então esse estômago para o que aí vem.

The Park chegou à Nintendo Switch há pouco mais de um ano atrás. Na altura, achei-lhe alguma piada só pelo conceito que vemos explorado no seu trailer, e acabei mesmo por o arranjar para a consola da Nintendo, no meio de uma avalanche de jogos que, entretanto, tinha de analisar no seu devido tempo. No entanto, nesta semana que passou, deparei-me novamente com o jogo intacto na minha biblioteca e pensei: é desta! Nem tinha muito bem pensado se iria ou não fazer esta análise, mas terminada a nossa volta ao parque, achei-la necessária. 

Como expliquei acima, The Park explora de forma breve a trama de uma mãe que procura pelo seu filho num parque de diversões. Com isto, a par e passo que exploras este local, a mecânica principal para saberes guiar-te e progredires, é chamares pelo teu filho para onde quer que vás, na esperança de que ele te responda e o encontres. Com isto, e partindo de um princípio tão simples, a camada maternal que banha esta história, de como são exemplos os dilemas com que Lorraine se debate, foi o que me puxou a dar esta volta ao parque, e antes de mais, quero sublinhar que essa é a faceta melhor explorada nesta obra. 

The Park Funcom Steam

Lorraine teve de enfrentar os desafios de ser uma mãe solteira e todas as dificuldades que isso acarreta. A sua vida e as responsabilidades de educar o pequeno Callum sozinha, afectaram-na severamente, como afectariam qualquer mãe/pai, especialmente dadas as condições psicológicas e económicas em que esta se encontra. No entanto, esta não se consegue decidir se está a ter ou não um bom desempenho no seu papel, e entre as frustrações de ter de lidar com a fuga de Callum e o horror de não o encontrar, esta pergunta-se ainda se não será ela mãe e bruxa ao mesmo tempo. Isto porque a nossa história é uma espécie de reinterpretação do velho conto dos irmãos Grimm, Hansel and Gretel. 

Com isto há uma evolução psicológica ao longo do jogo que presenciamos através dos monólogos de Lorraine, quais nos vão conduzindo e descortinando a vida e o passado destas personagens, bem como o seu envolvimento com o parque. Em pano de fundo, vamos também descobrindo através de notas e de alguns pormenores, os horrores que exercem a sua influência sobre este local que ao cair da noite parece inóspito e amaldiçoado. Uma onda de acidentes mortais e episódios bizarros, fizeram com que os seus visitantes fugissem a sete pés das suas infrastructuras. Pequenos pedaços de história incompletos que vamos descobrindo e que conseguem manter o jogador algo intrigado em terminar o circuito desta aventura e descobrir os seus mistérios.

The Park Funcom Steam

No entanto, este é um circuito muito breve, que poderá só consumir uma hora do teu tempo a terminar, sendo, portanto, dos jogos com história mais rápidos de completar que me lembro de alguma vez ter jogado na Nintendo Switch. Isto, e o facto de que só podes basicamente interagir com algumas notas escritas e gritar pelo teu filho, faz com que The Park possa ser considerado quase um walking simulator, sem mais opções de interacção, sem mais sumo. 

Mas eis então que tudo o que fazia sentido nesta obra, e que tinha alguma consistência, cai por terra com a introdução dos vilões, que embora algo assustadores, não dão uma para a caixa. Temos algum interesse em saber mais sobre eles, mas The Park não nos sacia a curiosidade, assim como os pedaços de história que descobrimos sobre o parque nunca completam o puzzle. 

The Park Funcom Steam

Pior que não vermos uma história consolidada é, no entanto, o final de The Park, que borra a restante pintura toda. Não há qualquer justificação possível e coerente para o desfecho que testemunhamos para a história de Lorraine e Callum. Pior, The Park deixa-nos de barriga vazia e com um trago amargo sem qualquer sentido. Olhando para trás, nunca vimos realmente motivos que levassem esta mãe a fazer o que fez.

Pondo, também, em perspectiva tudo o que assimilei, pouco foi o horror que testemunhei em The Park, poucas foram as suas respostas às premissas de que partiu, e muito francamente, teve pouquíssimo para oferecer aos 60min que gastei da minha vida nisto.

The Park Funcom Steam

E, no entanto, descubro agora que The Park está a 9,99€ nas lojas… The Park não vale nem metade disso, com todo o respeito, só tendo em conta o trabalho criativo e de programação da equipa por trás deste título! Especialmente depois do final que desfez a pouca consistência que o jogo tinha, o entretenimento que retiro desta experiência é zero. Não nos acrescenta nada.

Conclusão da Análise
Uma volta ao parque da amargura
3
Cedo me apaixonei pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.

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