É com bastante orgulho que escrevo a análise de Those Who Remain, pois é a primeira vez que analiso um videojogo criado por uma equipa portuguesa, a Camel 101!

A Camel 101 é uma equipa fundada por Ricardo e Bruno Cesteiro, dois irmãos que sempre estiveram integrados no mundo da informática, tendo iniciado o percurso nos videojogos como hobby até que tomaram a corajosa decisão de seguir com o seu instinto e passar a desenvolver jogos em full-time, acompanhados de Boris Raguza, um modelador e animador 3D croata.

O Contexto de Those Who Remain

Those Who Remain opta por um estilo que vem na senda do anterior título dos Camel 101, Syndrome, um videojogo de terror que decorre numa nave à deriva no espaço, sendo que neste último, tínhamos combate, algo que foi deixado de parte em Those Who Remain, decisão curiosa, que apoio.

Aqui, encarnamos Edward, um ser comum que vive com a sua mulher e filha, com o que podemos considerar um trabalho trivial, tendo apenas um aditivo volátil na sua vida: um caso com Diane, a sua amante.

O jogo começa connosco a tomarmos a decisão de cancelar o caso, esta epifania ocorre pouco antes de nos encontrarmos com Diane num motel, que será o catalisador da nossa história. Sendo aqui que se inicia uma sucessão de eventos paranormais, que colocarão à prova a nossa sanidade mental, à medida que tentamos regressar a Dormont, uma cidade nos arredores do motel.

A narrativa é sólida, mantendo-nos interessados ao longo das notas que vamos lendo, e as personagens que vamos conhecendo, deixando-nos cientes de que as nossas decisões terão impacto no decorrer da história.

Those Who Remain não te vai dar a mão (decisão da qual sou sempre a favor), portanto terão de se saber desenrascar.

Those Who Remain

Nunca te sentirás sozinho…

O fio condutor do jogo é uma batalha entre a luz e a escuridão, pois cada vez que olhamos à nossa volta, temos pelo menos umas dezenas de olhos apontados para nós, como quem espera que cometamos o erro de dar um passo na sua direcção. Grande parte do jogo passará por encontrarmos a luz para seguirmos em frente, com puzzles e alguns confrontos (que serão de evitar) à mistura. Teremos também uma realidade alternativa, que nos irá ajudar a ultrapassar obstáculos, que na nossa realidade seriam impossíveis de resolver.

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Todo este contexto é interessante, e passível de ser explorado, no entanto, em Those Who Remain, muitas vezes vemos esta ideia ser abafada por problemas técnicos e inconsistências com o mundo em que nos encontramos.

O protagonista começa por ser uma mixórdia de valente com medroso, pois existem momentos em que estamos rodeados do que presumo que sejam centenas de entidades, e estamos ali numa boa a falar com uma rapariga que apareceu do meio do bosque. Eis que esta rapariga o avisa com um tom deveras alertado de que a mãe vem aí e Edward, no máximo da sua apatia e curiosidade, pergunta calmamente, “a tua mãe está aqui?”.

Não só em conversas, quando nos aparece pela primeira vez um monstro, a sua reacção, completamente serena, é a de dizer ao jogador que não pode ser visto, o que é aceitável por si, mas reparem na frase seguinte. Realcei aqui apatia, no entanto, o mesmo ser que de forma brava se manteve no mesmo sítio a falar com uma rapariga, ouve um objecto cair numa casa que não é dele mas lá entrou à mesma, e solta um “oh! O que foi isto?!”.

Those Who Remain

Jogabilidade

Os puzzles são também uma maneira divertida de ir progredindo no jogo, obrigando o jogador a procurar e a interessar-se pelo mesmo. No entanto, estes por vezes acabam por atrasar o ritmo do jogo, que já vai tendo uns cortes na jogabilidade com algumas paragens, mas que no geral segue um caminho fluído. Chegamos a um ponto em que damos por nós a andar às voltas para resolver um puzzle, ou para encontrarmos o caminho correcto.

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Na realidade alternativa que descrevi acima, existem momentos que se revelam acessórios e não encaixam com outras interacções na mesma. Falo por exemplo de uma bomba de gasolina onde entramos na tal realidade alternativa para movermos uma palete que supostamente é demasiado pesada para ser movida, não dando sequer para ser deitada no chão?

Atmosfera

ThoseWhoRemain

Não obstante estas inconveniências que referi, o jogo tem factores bastante positivos, como por exemplo, a sua incrível atmosfera. Não joguei dezenas de jogos de terror, mas há duas coisas que têm sempre maior efeito quando os encaro, o silêncio e a impotência. Nestes dois factores, a Camel 101 acertou na mouche, conseguindo uma atmosfera arrepiante, seja com, ou sem fones.

Na senda de encontrar um caminho correcto, dei por mim a ter dificuldades em interagir com certos objectos, como portas de armários ou mesmo apontar a câmara para os interruptores, notando uma fluidez incrível com o rato, no entanto, liguei um comando e andei à caça das interacções com o analógico direito, nada prejudique a experiência, e com certeza fácil de corrigir.

Encontramos pequenos, mas curiosos pormenores que possam aludir a Resident Evil (hell yeah!), como a necessidade de utilizar um herbicida para prosseguirmos na história, ou uma mansão com quartos onde apenas acedemos depois de completar um puzzle. Claro que isto se tornou algo geral nos jogos, mas não deixa de ter a sua mística e cria uma sensação claustrofóbica quando nos encontramos perante uma ameaça num quarto com dimensões reduzidas.

Those Who Remain já está disponível para PlayStation 4, Xbox One, e na Steam e Utomik para PC. O jogo está ainda previsto chegar à Nintendo Switch, neste Verão.

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