Para quem acompanha as minhas análises, sabe que sou um defensor acérrimo da Ubisoft. Não defendo o seu percurso na íntegra, mas defendo o esforço que a empresa fez para se afastar da Vivendi, e, consequentemente, se aproximar dos jogadores. É verdade que uma empresa deve ouvir o máximo possível dos jogadores e implementar o máximo de ideias que causem sinergia num jogo, mas a questão aqui é, existirá um limite para o número de ideias num videojogo? Vamos ver se é o caso de Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint.

Lê Mais:  Bloodborne | Já Podes Jogar O Videojogo Na Playstation Now!

(Esta análise não reflecte o jogo completo, dado que um jogo desta dimensão tem sempre imensas melhorias e actualizações nas primeiras duas semanas, decidi fazer uma análise apenas ao que joguei, sendo que brevemente irei complementar este artigo com uma visão actualizada do jogo.)

Caso não tenhas jogado Ghost Recon Wildlands, ficas a saber que é um tactical shooter situado num mundo aberto. Ora, esta fórmula funcionou na perfeição, tendo o jogo um agregado de análises bastante favoráveis, sendo esta uma experiência bastante agradável e divertida para jogar com os amigos (ou a solo, tendo os 3 npcs como camaradas).

Se Ghost Recon Wildlands funcionou na perfeição, o que é que a Ubisoft podia fazer para evitar dar um passo atrás? Creio que neste momento a equipa viu-se bastante indecisa com o futuro da saga. Então recorreu aos títulos que têm caracterizado o sucesso da empresa francesa, nomeadamente Far Cry, Watch Dogs, Assassin’s Creed e The Division. Existem muitos elementos que definem cada uma das sagas que nomeei, pelo que depreendo que a Ubisoft tenha procurado elementos comuns entre estas, como a introdução de armadura com estatísticas que aumentam ou diminuem o nosso grau de defesa.

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint

Lê Mais:  Red Dead Redemption 2 | Análise

Se analisarmos num contexto individual, esta ideia faz sentido, mas até que ponto algum jogo da Ubisoft consegue manter a sua identidade caso estes continuem a implementar todas as mecânicas de sucesso em cada um dos lançamentos? É aqui que Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint perde para o seu antecessor, pois enquanto tínhamos em Wildlands um jogo que nos distanciava de toda a complexidade que os jogos da Ubisoft envolvem, no menu de vestuário e aquisição de recursos, neste momento temos aqui mais um jogo onde temos de procurar recursos, construir, e estar constantemente a melhorar a nossa armadura, parece-vos familiar? Pois é.

Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint começa tal como Wildlands  se apresentou ao mundo, numa missão de helicóptero. No entanto, desta vez estatelamo-nos no meio de Auroa, uma ilha fictícia no meio do Oceano Pacífico. Porque é que desta vez é uma ilha fictícia? Porque quando a Ubisoft nos tentou dar uma dose de realidade com a Bolívia, o próprio país deu entrada de um processo legal, colocando em causa os problemas relacionados com a droga que o jogo retrata.

Chegados à ilha, somos introduzidos ao novo mundo que aguarda a nossa exploração com um tutorial que decorre durante a missão inicial, onde temos de procurar a nossa equipa. À medida que vamos avançando, vamos dando de caras com mecânicas que já caracterizavam o antecessor e novas mecânicas introduzidas, como o equipamento buffed. Chegamos ao esperado ponto em que descobrimos o nosso antagonista, o famoso Jon Bernthal (também conhecido como Punisher na famosa série da Marvel).

O mundo de Ghost Recon é repleto de mecânicas novas, e aliado a estas mecânicas temos um mundo com paisagens lindíssimas. Tendo optado por um estilo de arte realista, a Ubisoft excedeu-se (no bom sentido) na dosagem de vistas panorâmicas, fazendo-nos perder uns belos minutos a vaguear pelo mundo. Tal como no antecessor, o clima varia consoante a zona em que estiverem, existindo climas para todos os gostos.

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint

Lê Mais:  Tom Clancy’s Rainbow Six Siege | Novos Subscritores PS Plus Terão Acesso Gratuito Ao Jogo

Com meu sistema modesto (GTX 1060 3GB & i3 8350k), consigo correr o jogo em 1080p, com a maioria das definições em Ultra/Very High, tendo apenas de colocar as texturas em médium pois a memória da minha placa gráfica não aguenta mais do que isso. O jogo corre-me a 60 fps estáveis, com alguns soluços no carregamento das texturas, algo que não é frequente mas convém ser corrigido para não quebrar imersão.

Ao contrário de Wildlands, Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint concentra-se mais na história, embora tenhamos a mesma liberdade para explorar, notamos um investimento da equipa num guião que tenta aproximar-se ao máximo do realismo, com um misto da chamada série de pipoca. Eis que a Ubisoft tenta alinhar esta experiência de protagonista vs. antagonista com a exploração em equipa, o que por vezes parece desviar o propósito da história.

Algo que eu gosto bastante neste jogo (que por exemplo em jogos como Assassin’s Creed por vezes me irrita), é o facto de um tiro na cabeça fazer exactamente o que um tiro na cabeça faz, uma morte imediata. Independentemente do nível em que o vosso inimigo se encontra, pontaria certeira é fatal.

Seguindo na linha dos títulos de maior sucesso, a IA deste jogo não é bem o que se espera para um jogo táctico, com inimigos a deambularem sem qualquer preocupação. Preocupa-me em 2019 eu estar num armazém com um só inimigo, disparar para um sítio, ele ir lá investigar e, caso veja que não está lá nada, volta ao seu posto habitual, como se nada tivesse acontecido.

Foi ainda adicionada uma barra de stamina, sobre a qual ainda não consegui decidir se gosto ou não, pois creio que acrescenta uma camada realista ao jogo. No entanto, na maneira como se esgota facilmente, quebra a imersão imediatamente. Por exemplo, eu estou a subir uma montanha, dou três passos e estou a cair pela montanha abaixo porque a mesma se esgotou.

Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint

Lê Mais:  Gamescom 2018 | Os Grandes "Vencedores" Desta Edição Já Foram Divulgados!

A principal inclusão nas mecânicas é o sistema de classes. Temos então quatro tipos diferentes de classe, cada uma tendo uma habilidade e um item característico sendo estas:

Assault

Granada de Gás

Excelente para espaços fechados, com um simples arremesso os inimigos começam a sofrer dano sem sequer lá estarmos. Atenção, funcionando de maneira realista (como devia ser em todos os jogos), não convém estarem no meio do gás.

True Grit

Durante o efeito desta habilidade, a resistência ao dano aumenta e o coice das armas diminui. À medida que conseguimos matar inimigos prolongamos o tempo da habilidade e vamos recuperando vida.

Medic

Medkit

Basta atirarem para o chão e cura imediatamente qualquer jogador que lhe toque, exceptuando lesões críticas. Ganhamos ainda um bónus de vida durante um curto período de tempo.

Drone Médico

Através de um drone especializado, conseguimos lançar dardos que recuperam a vida a aliados, este tem as mesmas características que o nosso drone normal, sendo que possui 3 dardos, possibilitando assim a recuperação dos 3 aliados de uma vez.

Pantera

Spray de Camuflagem

Aplicando este spray em plena furtividade, estaremos indetectáveis para os drones durante 60 segundos. Caso o façamos enquanto estamos na mira de um, os disparos não nos conseguirão acertar com tanta eficácia.

Cloak & Run

Usando esta habilidade, cai em torno de nós uma camada de fumo, fazendo com que os inimigos nos percam de vista, terminando assim o modo de Combate. Dentro do fumo seremos invisíveis, tal como durante 5 segundos após sairmos da nuvem.

Sharpshooter

Lança-sensores

Lança uma granada que marca todos os inimigos nas redondezas. Poucos segundos após o scan conseguirão ver as silhuetas dos inimigos através de paredes.

Armor Buster

Temos direito a três balas especiais, que poderão ser carregadas em qualquer sniper ou arma semi-automática, sendo que estas balas estão embutidas com um buff no dano, alcance e perfuração. Funciona especialmente bem em veículos blindados!

Estas habilidades trazem consigo um compromisso, pois como em qualquer jogo com classes, escolhendo uma abdicamos das outras e dos seus benefícios. Por um lado percebo a especificação, por outro não gostei que tivessem tirado isso pois era o que fazia Wildlands tão apelativo, o facto de podermos juntar elementos de várias classes e formar o soldado que queremos ser.

Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e na EpicUplay para PC.