Era uma vez uma criança muito curiosa que ao fazer zapping na televisão, encontrou uma jóia muito preciosa no canal da Ginx. Como podem presumir essa criança fui eu, e foi exactamente desta maneira que, pela primeira vez, ouvi falar de The Unfinished Swan. Um jogo simples e sereno, que conseguiu cativar instantaneamente a minha atenção, por apresentar um mundo demasiado diferente do que alguma vez já vira em outros videojogos.

Com a colaboração de outros estúdios, Giant Sparrow, lançou o seu primeiro jogo para a Sony em 2012. Muitos analistas depressa o comparam a títulos como Journey por transmitir as mesmas sensações de calma e pacificidade, já para não dizer que o jogo em si até têm um pequeno Easter Egg que faz referência a esse mesmo exclusivo. A verdade é que The Unfinished Swan, apesar de não ter ficado conhecido pela sua popularidade, viria a destacar-se por outras razões específicas, acima de tudo pela sua história e a maneira incomum que cada nível do jogo se apresentava.

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A história é contada através de um livro, similar àqueles contos de fadas que sempre fomos habituados a ouvir, acompanhado pela leitura de uma voz feminina muito doce e maternal. A mulher misteriosa, vai revelando o passado do protagonista: um menino órfão chamado Monroe, que após a morte da mãe, herda todas as suas pinturas inacabadas e o pincel prateado que esta sempre utilizara. Contudo, ele só podia levar uma obra para o orfanato, e este escolheu um quadro que, nas suas memórias, era o favorito de sua mãe: o que tinha um cisne inacabado.

Durante a noite, Monroe, acorda e aperceber-se que o cisne tinha magicamente desaparecido, por isso ele agarra no pincel e segue as pegadas deixadas pelo mesmo, que o levam a uma porta que nunca tinha visto antes. A narração da mulher termina, e é partir deste ponto que The Unfinished Swan nos oferece um dos momentos mais marcantes e inesperados alguma vez visto na indústria dos videojogos. Um ecrã em branco com um estranho “vazio” pronto para ser explorado, e que de certa forma nos convida a partir à descoberta daquilo que poderá estar perante o nosso alcance.

The Unfinished Swan

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Alguma vez já jogaram um jogo que se atrevera a iniciar desta maneira? Pois é, no começo do primeiro jogo que a Giant Sparrow lançou, não existiu qualquer tonalidade no cenário que rodeia a personagem e o jogador. Este têm que assumir o papel de pintor em primeira pessoa, jogando bolas de tinta ao ambiente para desvendar a paisagem circundante.

À medida que pintamos os nossos arredores, este cenário começa a ganhar forma e vida própria, mostrando qual o caminho que deveremos seguir. É um dos momentos mais extraordinários e intrigantes de toda a jogabilidade, observar todos os objectos traçar a linha entre existir ou não existir perante os nossos próprios olhos, sendo que nós personalizamos o mundo até ficar coerente segundo a nossa perspectiva. Se o jogador ficar perdido durante o processo, pode direccionar-se pelas pegadas douradas que o cisne fugitivo vai deixando pelo percurso.

The Unfinished Swan

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No entanto, não se deixem enganar, pois o ambiente não vai ser sempre o mesmo. Aliás, ao contrário do que os trailers por vezes tendem a esconder, todos os capítulos da história são acompanhados por níveis novos e inteiramente criativos. Num tanto, podemos jogar bolas de água que regam vinhas orientadoras; como noutro teremos que direccionar-nos por frutas brilhantes que protegem-nos do escuro da noite e das criaturas escondidas na floresta. Para além disto, também podemos construir plataformas para chegar a certos sítios, e escalar através dos meios mais improváveis; atravessar labirintos complexos e utilizar balões de ar quente como forma de alcançar os lugares pretendidos.

Durante esta aventura toda, Monroe pretende somente encontrar o cisne, mas depois acaba por descobrir muito mais do que alguma vez esperava… O jogador vai puxando pela sua imaginação para tentar perceber a história e tudo o que a envolve, de modo a eventualmente conseguir desenhar uma realidade sobre o cisne desaparecido, o rei solitário, o protagonista e a sua mãe. Personagens que de certa forma estão interligadas por um laço misterioso, que vai muito mais para além das pinturas e da arte que este jogo costuma focalizar-se.

The Unfinished Swan

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O jogo não possuí qualquer tipo de forma de combate ou violência, os puzzles também não são o ponto principal da jogabilidade, até porque resolvem-se com muita simplicidade. O que se destaca mais é a história e a maneira como é contada, variando desde temáticas leves e inocentes, para temas pesados e um pouco lamentáveis. O jogador consegue saber os segmentos da história, que envolvem o reino da pintura, ao encontrar as iniciais douradas espalhas pelo jogo e clicar nelas. Outro elemento a destacar é a música, que mistura sempre melodias imprevisíveis com sons electrónicos muito envolventes, por esta razão aconselho-vos a utilizarem auscultadores enquanto exploram este mundo magnífico.

The Unfinished Swan não é um jogo exactamente longo, mas a sua duração é mais que suficiente para contar a história principal e deixar-nos satisfeitos com o desenlace final. Contudo, eu acho que a criatividade de cada nível poderia ser muito mais explorada, pois por vezes parecia que os níveis e as suas características específicas acabavam de forma um pouco apressada.

Com duração que varia entre duas a três horas, é daqueles jogos que teremos sempre uma grande vontade em voltar a jogar para reviver a sua unicidade e o modo como a história evolui. Uma das coisas que reparei durante as minhas “replays” foi que a história do jogo, sempre que é novamente contada, pode ser encarada como algo diferente consoante as nossas experiências de vida.

The Unfinished Swan

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Para quem também gosta de coleccionáveis, durante o jogo existem vários balões que podem ser apanhados e trocados na opção “brinquedos” do menu, por itens que podem facilitar a nossa jogabilidade ou que desbloqueiam conteúdos extras.

O jogo foi lançado inicialmente para a PS3, mas agora também já se encontra disponível para PS4 e Playstation Vita. Quem o comprar na PS Store, seja em que versão for, poderá ter acesso ao jogo nas três plataformas. Eu lembro-me de que quando vi a cobertura da Ginx perante The Unfinished Swan, fiquei logo fascinada com o mundo que dispunha, e decidi que seria definitivamente um jogo que compraria na altura para a minha futura PlayStation 3.

Hoje em dia cada vez mais seguimos para uma geração em que jogos com conteúdos exagerados e muita jogabilidade repetitiva, tendem a ser os mais valorizados.

Mas, ocasionalmente, temos o privilégio de conhecer equipas como a Giant Sparrow que têm coragem de criar um jogo que se destaque do habitual, conseguindo transformar a simplicidade em algo inovador e cativante, que ultrapasse as nossas expectativas e marque pela diferença.

The Unfinished Swan já está disponível para PlayStation 3, PlayStation 4 e PlayStation Vita.

Conclusão da Análise
Uma obra de arte “inacabada”
8
Desde infância que sempre tive uma grande paixão por todo o tipo de videojogos, não consigo passar sem as minhas playstations e adoro explorar todas as aventuras que estas me oferecem. Para além disto, adoro escrever sobre o meu hobby e de partilhá-lo com muitas outras pessoas. Espero que gostem do meu contéudo!

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