O jogo de hoje, detém uma história bem caricata que vale a pena partilhar contigo. Pois desde o momento em que foi apresentado, à quatro anos atrás, toda uma grande jornada foi despontada para entregar ao mundo este projecto. De lá para cá, os tempos passaram-se, e de um estúdio tão pequenino quanto a Compulsion Games era no inicio dos primeiros rabiscos de We Happy Few, a mesma evoluiu tanto que duplicou em tamanho e passou a contar com o apoio de grandes estúdios como a Microsoft Studios, e com o apoio da Gearbox para a distribuição deste projecto. 

Este projecto indie tão ambicioso que começou no Kickstarter em 2015, e que se apresentava como um jogo de survival horror, não demorou um mês a passar a marca predefinida pelo estúdio para subsidiar o projecto. E com uma comunidade de jogadores completamente apaixonada pelo conceito de We Happy Few, a dar suporte e feedback conforme os desenvolvimentos do projecto, a Compulsion dedicou-se a retribuir o empenho de todos com o maior projecto que a sua equipa fundadora alguma vez poderia sonhar em desenvolver. 

Embora as mecânicas fossem muito debatidas durante este processo, reconstruídas e repensadas n vezes, é de realçar contudo a perseverança e a proeza do estúdio em não desmistificar o teor estórico do jogo ao longo de todos esses anos. E com isto, é chegado o momento de todos ficarmos a conhecer o produto final, fruto de um verdadeiro amor e de uma total entrega para trazer ao mundo uma ideia tão distinta. 

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3 Actos, 3 grandes histórias de humanidade

O mundo de We Happy Few, é um pensamento algo futurista, que mistura história verídica com um retrato caricato da sociedade actual, embebendo influências de obras como 1984 de George Orwell, numa pintura idílica daquilo que alguns consideram ser os planos dos altos governantes para construir a civilização do futuro. 

Com efeito, o jogo é baseado numa sociedade melancólica que se abriga por trás de máscaras que ostentam grandes sorrisos, e do consumo de drogas que incitam os indivíduos a perderem as suas memórias e a viverem todos os dias de forma igual e ordeira. Como efeito, ninguém se recorda das terríveis perdas que esta civilização sofreu com a Segunda Grande Guerra Mundial neste universo alternativo. E sempre que a situação aperta, o lema é “Pop a Joy!” e esquece tudo o que acabou de se passar.

Apesar de toda esta “joy”, o jogo tem sobretudo um pano negro, e claro está, que por trás de uma política destas, se escondem muitas mentiras, e nós temos aqui a oportunidade de viver 3 emocionantes aventuras que exploram todas elas! Pois por mais que tentem apagar o passado, há sempre quem se lembre e estorve deste caminho. Aqui, os que se arriscam a desafiar a sociedade são conhecidos como Downers. Aqueles que não consomem Joy e que não vivem suficientemente bem consigo mesmos para encararem os dias com felicidade. E é aqui que se encaixam as estórias individuais das 3 personagens que controlamos, no seu percurso pela conquista da verdade e pela verdadeira felicidade.

Artur, Sally e Ollie, têm cada um, uma aventura individual bem distinta para partilhar com o jogador. As suas histórias, inspiram-nos a apreciar melhor o mundo que temos, e despertaram em mim imensas emoções. Levaram-me a zelar pelas suas vidas e a aceitar cada uma das suas peculiaridades. Uma coisa é certa: ninguém é perfeito. E aqui senti que tive uns bons plot twists que me trocaram as voltas. No entanto acabei por aceitar certas verdades difíceis de engolir sobre personagens que pensava já conhecer. Pois tudo se deve à auto perseverança. A única táctica eficaz para vencer neste mundo miserável e demasiado complexo para te explicar numa só análise. We Happy Few, traz-nos de facto um mundo tão surpreendentemente consistente e familiar, que é difícil não nos sentirmos em casa assim que percebemos como é que tudo funciona.

We Happy Few

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Um Survival Social

Apesar de o jogo ter sido vendido primeiramente como um jogo de horror e survival, é difícil não pensar nele mais como um survival social. Pois há um poder absoluto nesta sociedade, que influencia não só o jogo a nível de campanha, mas também ao nível do teu próprio gameplay pela forma como te comportas enquanto jogador. Por exemplo, se alguém aqui te vê a correr, a agachar ou a remexer em algo, esse é logo um grande alerta de que algo não está bem contigo, e logo vais ter uma civilização desconfiada a perseguir-te. E esta é apenas uma das regras que vais ter de interiorizar neste jogo para te camuflares. Outra é também por exemplo, conviver com o horário de recolher obrigatório, que convida todas as patrulhas de segurança a revistarem as ruas em busca de Downers.

Um Mundo Aberto Onde Podes Apreciar A Ideia De Liberdade

Sendo um jogo de mundo aberto, é importante referir a presença de Loadings algo longos para cada zona, que atrapalham um pouco o ritmo do jogo, no entanto estes são um mal necessário. Posto isto, aqui tens todo um mapa com várias áreas que poderás explorar, sendo que é importante referir a existência de fast travel através de escotilhas (hatches) que poderás encontrar em cada cidade. 

Quer nas grandes cidades de pedra, quer em pleno meio rural, terás muitas surpresas e segredos para descobrires. É de referir as 60 máscaras que representam memórias de cada personagem que tens aqui para coleccionar. Ou as imensas side quests que te ajudam a aliviar o tempo. Ou então podes ainda simplesmente explorar as casas e a natureza para farmares itens, pois a gestão de recursos e o crafting são essenciais para sobreviveres neste mundo.

We Happy Few

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Cada personagem tem uma jogabilidade adaptada a si própria

Cada uma das nossas personagens possuí estórias bem distintas, e como efeito também as suas características são reflectidas para as suas habilidades. Por exemplo, a Sally é dotada de imenso conhecimento a nível de compostos químicos e de física, pelo que a nível de crafting tem várias secções dedicadas à produção de químicos, que lhe dão vantagem para evitar o combate, sendo que ela não é dotada de força física.

Já Artur é um verdadeiro sr engenhocas, que consegue criar imensas ferramentas e armadilhas para se precaver contra tudo e todos. Ollie por outro lado, é mais dotado de força bruta, e não dá tréguas numa boa sessão de pancadaria. Todos no entanto possuem alguns conhecimentos a nível medicinal para criarem formas de se curarem quer de infecções, sangramentos, etc..

Como podes ver, as personalidades de cada um reflectem-se nas suas habilidades de crafting, mas a influência não se fica por aqui. Pois para cada uma das personagens, existem também diferentes árvores de skills, e até certos parâmetros que comprometem a tua jogabilidade em termos de coisas a que tens de estar atento, mas que não quero entrar em detalhes para evitar dar-te algum spoiler.

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Um conceito visual distinto

A cereja no topo do bolo é mesmo o conceito visual do jogo, que me deixou logo super interessada em conhecer esta obra sem saber exactamente no que é que me estava a meter. As máscaras são super características. Os cenários tem um tratamento genial que se modifica consoante estás ou não sob o efeito de Joy. Sendo que passam de cidades lindas que vibram com cores cheias de vida, para um contraste com vilas completamente destruídas, e escuras.

Até os NPCs são apelativos, apesar de existirem em pouquissima variedade, mas tal facto pode se dever por estarmos a tentar retratar uma sociedade onde praticamente ninguém se destaca. A própria música acompanha-nos com uma atmosfera que imprime emoções e afunila os nossos sentidos para a acção. Fazendo por vezes o nosso coração disparar a mil quando estamos a ser perseguidos.

Em termos de performance, o jogo apresenta contudo alguns problemas, nomeadamente a nível de glitches, stutters, frame drops e ainda loadings que parecem um pouco compridos demais… Mas apesar de tudo devo dizer que nada me tirou o entusiasmo por jogar este jogo, e que recorrentemente estou a revisitar este mundo. Sei que na altura do lançamento do jogo, este foi alvo de duras críticas, mas agora que o estou a revisitar a tempo de experimentar o seu DLC, digo que me senti captada pelo mesmo logo a partir da primeira meia hora de jogo.

We Happy Few já está disponível para PlayStation 4, Xbox One e na Steam para PC, Mac e Linux.