À alguns meses atrás, a Microsoft revelou-nos a Xbox Series X, uma consola que promete ser a mais rápida e poderosa de todos os tempos. Projectada para uma geração que tem o jogador, como centro de toda a sua experiência.

Quando esta for lançada, no final deste ano, a Xbox Series X irá definir um novo padrão para desempenho, velocidade e compatibilidade, permitindo ao jogador jogar todo um legado de videojogos da família Xbox que já conta quatro gerações.

Recentemente, e em conjunto com os especialistas em tecnologia Austin Evans e a Digital Foundry, a Microsoft teve a oportunidade de falar sobre as escolhas que foram feitas para definir a próxima geração de consolas caseiras. Examinando de perto todos os pormenores tecnológicos, desde as soluções personalizadas de processador e latência da consola, até à compatibilidade com versões anteriores e aprimoramentos visuais.

E com isto, o que podemos avançar é que a próxima geração do Xbox é de facto definida por três grandes características principais: Potência, Velocidade e Compatibilidade. Vamos dar uma olhada nos recursos e tecnologias da Xbox Series X, oferecendo essas três características.

1. Poder: A Xbox Mais Poderosa de Sempre!

Desde dos seus primeiros rascunhos, o design da Xbox Series X foi logo idealizado para a tornar na Xbox mais poderosa de todos os tempos. O que logo abriu uma série de discussões sobre como definir “o poder” da próxima geração de consolas. Isto porque, nas gerações anteriores, o poder foi definido principalmente pela inovação gráfica: da transição de gráficos de 8 bits para 16 bits, 2D para 3D, SD para HD e, finalmente, para 4K.

Mas hoje, os jogadores exigem cada vez mais dos videojogos, 60 frames por segundo (fps) com alta fidelidade visual, e inputs precisos e responsivos. Os desenvolvedores criaram então, soluções criativas, como escala de resolução dinâmica, para manter a alta qualidade de imagem sem comprometer a taxa de quadros, mas isso geralmente só serviu para remediar algumas das limitações e restrições do hardware da geração actual. Contudo isto está prestes a mudar com a Xbox Series X. Porém, não se trata apenas de fazer os jogos parecerem melhores. Trata-se de tornar os jogos melhores também.

“Enquanto que a Xbox Series X proporcionará um avanço maciço no que toca ao desempenho da GPU e continuará a redefinir e a avançar o estado da arte em grafismos com novos recursos, como raytracing acelerado por hardware”, disse Jason Ronald, Director do departamento de Product Management da Xbox Series X, “não acreditamos que essa geração seja definida apenas por gráficos ou resolução.”

A equipa técnica da Microsoft sempre soube que, para uma próxima geração, seria necessário criar uma consola que pudesse rodar jogos em 4K a 60 fps sem comprometer o trabalho das equipas desenvolvedoras. Mas esta ousou ir mais longe ainda, e desafiou-se a oferecer um nível de desempenho considerado impossível para uma consola: incluir suporte para até 120 fps para os jogos mais exigentes e competitivos.

Enquanto que se acredita que a resolução e taxa de frames por segundo são decisões criativas que devem ser deixadas nas mãos das desenvolvedoras, a equipa da Microsoft quis garantir que o seu sistema seria capaz de responder às necessidades dos maiores sucessos do mercado, esports competitivos e criadores independentes inovadores.

De forma a responder a essas necessidades, a Xbox fortaleceu a sua parceria de longo prazo com a AMD, com a qual começou a trabalhar há mais de 15 anos, na altura, na Xbox 360. Sebastien Nussbaum, vice-presidente corporativo e membro sénior, de Produtos Semi-Personalizados e Tecnologias da AMD, falou um pouco sobre o que a sua equipa criou para ajudar a impulsionar a Xbox Series X.

Graças ao foco no design transformacional e na melhoria do desempenho geracional, Nussbaum disse que, para os desenvolvedores, “a consola acaba por ser um playground para a inovação técnica”. Isso deve-se muito ao poder bruto do processador projectado à medida, alimentado por um CPU AMD Zen 2 de 8 núcleos e uma GPU RDNA de 2 classes.

Estas arquitecturas da próxima geração oferecem um novo nível de desempenho que permite que os desenvolvedores criem experiências realistas e imersivas como nunca vimos antes, além de permitir que a equipa da AMD propague sedimente o seu ecossistema DirectX da próxima geração que continuará a impulsionar o sector.

“A Xbox Series X é o maior salto geracional de SOC [System on a Chip] e design de API que realizámos com a Microsoft, e é realmente uma honra para a AMD ser um parceiro confiável da Microsoft nesta missão”, disse Nussbaum. “A Xbox Series X será um farol de liderança em inovação técnica para esta geração de consolas e propagará a inovação por todo o ecossistema DirectX para este ano e o próximo”.

Após esta apresentação da AMD para a Digital Foundry e para Austin Evans, Andrew Goossen tomou as rédeas e mergulhou profundamente nos sinos e assobios tecnológicos que irão alimentar a Xbox Series X. Listo aqui as especificações completas do sistema abaixo:

    • CPU: 8x Cores @ 3.8 GHz (3.6 GHz w/ SMT) Custom Zen 2 CPU
    • GPU: 12 TFLOPS, 52 CUs @ 1.825 GHz Custom RDNA 2 GPU
    • Tamanho da Matriz: 360.45 mm2
    • Processamento: 7nm Melhorados
    • Memória: 16 GB GDDR6 w/ 320b bus
    • Largura da banda de memória: 10GB @ 560 GB/s, 6GB @ 336 GB/s
    • Armazenamento interno: 1 TB Custom NVME SSD
    • Taxa de transferência I/O: 2,4 GB / s (Raw), 4,8 GB / s (compactados, com bloco de descompressão de hardware personalizado)
    • Armazenamento expansível: 1 TB Expansion Card (exactamente a mesma que o armazenamento interno)
    • Armazenamento externo: USB 3.2 External HDD Support
    • Unidade Óptica:  4K UHD Blu-Ray Drive
    • Meta de desempenho: 4K @ 60 FPS, Up to 120 FPS

Uma das melhores adições à Xbox Series X será ainda o suporte do DirectX Raytracing acelerado por hardware, que simula as propriedades da luz e do som em tempo real, com mais precisão do que qualquer tecnologia anterior.

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Para dar uma ideia de como esta tecnologia afecta directamente nos jogos, Clayton Vaught, director técnico de Minecraft, realizou uma demonstração técnica de como o raytracing poderia afectar aquele que é considerado um dos videojogos mais populares do mundo.

Essa demonstração mostra a diferença da utilização do DirectX Raytracing consoante o hardware anterior e o novo. As sombras projectadas dos objectos suavizam ou endurecem, dependendo da distância a que o jogador está do objecto, enquanto que a lava emite um brilho quente e alaranjado que se dissipa à distância e reflecte-se nos trilhos do minecart. Até a lua lança os seus raios, fluindo através de fendas nas paredes e reflectindo-se nas partículas no ar. Os visuais Raytraced mudarão fundamentalmente a maneira como sentes o ambiente de Minecraft, imergindo-te num mundo muito mais realista.

A característica mais impressionante é a maneira como a luz agora passa através de objectos transparentes como vidro, captando a sua cor no caminho dos teus olhos. Mas grande momento é quando vemos as substâncias mais despretensiosas: a água.

Com o raytracing activo, a água é agora totalmente transparente e permite que a luz da lua passe através dela até ao jogador submerso, e reflecte realisticamente as algas balançando na corrente… É realmente uma demonstração impressionante que nos dá uma ideia do que o hardware acelerado do DirectX Raytracing no Minecraft poderá entregar-nos num futuro próximo.

Para encerrar o segmento sobre o poder da Xbox Series X, o director técnico da Coalition, Mike Rayner, demonstrou como a sua equipa planeia optimizar Gears 5 para a Xbox Series X. A equipa apresentou uma demonstração técnica do jogo, alimentado por Unreal Engine, para a Xbox Series X utilizando as configurações completas do PC Ultra Spec, que incluem texturas de alta resolução e neblina volumétrica de alta resolução, além de uma contagem de partículas 50% maior do que as permitidas pelo PC Ultra Specs. Foi ainda exibida a cena de abertura do jogo, que agora roda a 60 FPS em 4K (era 30 FPS na Xbox One X), o que significa que a transição das cenas em tempo real para a jogabilidade é incrivelmente suave!

Também foram feitas algumas melhorias em algumas outras áreas. Os tempos de carregamento, por exemplo tornaram-se extremamente rápidos e a equipa da Coalition conseguiu activar alguns recursos que, embora implementados anteriormente, precisaram de desactivados para a versão Xbox One X. Isto incluiu sombras de contacto (proporcionando profundidade extra aos objectos) e iluminação com sombra própria nas plantas e nas ervas, tornando cada cena mais realista.

Rayner revelou que o jogo já está apto a chegar a rodar a mais de 100 FPS e que a equipa está investigando a implementação de uma jogabilidade de 120 FPS para os modos multiplayer, oferecendo aos jogadores uma experiência nunca vista nas consolas. Mas o mais impressionante de tudo? É o fato de que a equipa conseguiu colocar tudo isso em funcionamento apenas numa questão de semanas.

Foi então anunciada uma versão optimizada de Gears 5 para Xbox Series X disponível no lançamento da consola, e que a mesma será gratuitamente disponibilizada aos jogadores que possuírem a versão Xbox One do Gears 5.

2. Velocidade: Melhorando a Imersão e Abraçando a Velocidade da Xbox Series X

O segundo pilar da Xbox Series X é a velocidade, que pode ser definida de várias formas diferentes. Os dispositivos modernos mudaram as nossas expectativas em relação à rapidez com que podemos-nos mover entre experiências e aplicativos.

A maioria de nós deseja poder saltar instantaneamente para uma experiência ou retornar exactamente onde a deixou. Isso influenciou a equipa a projetar a arquitectura do sistema da consola a garantir que os jogadores passassem mais tempo a jogar e menos tempo a esperar.

Grande parte desta componente gira em torno da adição de uma unidade SSD. Atingindo os limites acima do desempenho tradicional da unidade de rotação, a equipa investiu em velocidades de I / O ao nível SSD para oferecer a qualidade de experiência desejada para a Xbox Series X. Esta é uma área que a Xbox quis realmente inovar, sabendo que a mesma poderá mudar o jogo na próxima geração. No entanto não quiseram que o sistema de I / O tornasse apenas o carregamento dos videojogos mais rápidos.

E aqui entra a Xbox Velocity Architecture, que apresenta uma forte integração entre hardware e software, uma nova e revolucionária arquitectura optimizada para streaming de objectos no jogo. Isto desbloqueará novos recursos nunca antes vistos no desenvolvimento duma consola, permitindo que 100 GB das propriedades do jogo sejam instantaneamente acessíveis. Todos os componentes da arquitetura Xbox Velocity se combinam para criar um multiplicador eficaz da memória física que é, literalmente, um aspecto game changer na industria.

“O CPU é o cérebro da nossa nova consola e a GPU é o coração, mas a Xbox Velocity Architecture é a alma”, disse Andrew Goossen, técnico da Xbox Series X na Microsoft. “A arquitectura Xbox Velocity é muito mais do que tempos rápidos e duradouros. É uma das partes mais inovadoras da nossa nova consola. Trata-se de revolucionar a forma como os jogos podem criar mundos muito maiores e mais atraentes “.

Alguns dos grandes beneficiários desta actualização tecnológica são os jogos de mundo aberto, onde os jogadores têm a liberdade para jogar e explorar a seu tempo e no seu próprio ritmo. Isto tendo em mente títulos como Final Fantasy XV, Assassin’s Creed Odyssey e Red Dead Redemption 2 que redefiniram as expectativas de um mundo dinâmico e vivo nesta actual geração.

Para tornar estes universos ainda mais dinâmicos e parecerem mundos de grande escala e de alta fidelidade, é necessário um grande aumento no poder de processamento e de capacidade de aceder a propriedades do jogo com extrema rapidez para não quebrar a imersão (passeios épicos de elevador ou corredores longos são bons exemplos de como os desenvolvedores se escondem criativamente os carregamentos de objectos). Os desenvolvedores também serão capazes de eliminar efectivamente os tempos de carregamento entre os níveis, ou criar sistemas de fast travel que são exactamente isso: rápidas.

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Contudo não podemos falar de velocidade sem falar também sobre latência.

“Jogadores competitivos e as experiências de alta qualidade exigem controlos precisos e responsivos”, disse Goossen. “A equipa da Xbox analisou toda a pipeline de entrada ponta a ponta, do controlador à consola e da consola ao monitor, e nos desafiámos a identificar todas as oportunidades para reduzir ainda mais a latência e fornecer a melhor experiência para os jogadores na Xbox“.

Isto incluiu o desenvolvimento de novas tecnologias, como Dynamic Latency Input (DLI), além de ajudar a moldar a especificação HDMI 2.1, adicionando novos recursos centrados em jogos, como suporte para 120 hz, taxa de actualização variável (VRR) e modo automático de baixa latência (ALLM). A equipa também aqui trabalhou com os principais fabricantes de TVs do sector nos últimos dois anos, para garantir que o ecossistema de telas fique pronto para os recursos que vêm com a Xbox Series X.

Embora possa ser difícil perceber a latência aprimorada de qualquer uma destas melhorias sozinhas, quando todas elas se somam, estamos perante uma experiência profundamente mais responsiva.

Por fim, há experiências foram bastante aprimoradas graças à velocidade oferecida pela Xbox Series X. A mais notável delas é o tempo de carregamento, que será bastante reduzido graças ao poder de processamento da Xbox Series X.

Há também a nova tecnologia de resumo rápido, sendo que com a geração de consolas actuais, podes retomar o último jogo que jogaste, mas como a maioria dos jogadores joga (em média) três a quatro jogos por mês, a equipa queria oferecer a opção de alternar entre eles com facilidade e rapidez. Com o Quick Resume, poderemos então retomar vários jogos com o pressionar de um botão, voltando instantaneamente à acção, exactamente de onde parámos, em vários títulos e ao mesmo tempo.

Como os estados do jogo serão armazenados directamente no SSD do sistema, estes ainda persistem acessíveis mesmo que desligues a consola, desconecta-o completamente ou fazendo uma actualização do sistema.

Foi de facto até divulgado que um dos testers da equipa, chegou mesmo a desconectar a sua consola por uma semana, e depois fez uma actualização e ainda conseguiu continuar exactamente de onde parou sem nem mesmo uma tela de carregamento!

3. Compatibilidade: Os videojogos que jogaste continuam acessíveis na próxima geração com a Xbox Series X

O terceiro e último pilar da Xbox Series X é a compatibilidade. Através da geração da Xbox One, a equipa demonstrou uma paixão e responsabilidade para garantir a retro-compatibilidade, colocando o jogador e os seus jogos favoritos no centro de tudo o que fazem. Como jogadores, nós temos as nossas memórias, franquias e títulos favoritos que queremos continuar a jogar, mesmo tendo em conta a evolução da tecnologia e do design na próxima geração.

“A resposta da comunidade ao anúncio de Phil da compatibilidade com as versões anteriores da 360 na E3 2015 foi um dos melhores momentos da minha carreira em todo o meu tempo como parte da Team Xbox”, disse Ronald.

Para a próxima geração, a equipa comprometeu-se desde o início em garantir a retro-compatibilidade. Esta visão ajudou a influenciar o design do sistema e, por meio de uma combinação de hardware e software, foi possível garantir que os milhares de jogos da Xbox One, incluindo o Xbox 360 e os jogos originais do Xbox, sejam ainda melhores na Xbox Series X.

“A equipa veio falar connosco sobre a Xbox Series X. Eles disseram: ‘O que podes fazer com ainda mais energia?’ Então, o desafio foi definido. Eles nos deram a Xbox One X e foi como se tivéssemos um grande parque infantil para brincar ”, disse Peggy Lo, líder principal no departamento de gerenciamento de programas compatibilidade com versões anteriores. “Então adquirimos uma Xbox Series X e era como se tivéssemos um parque de diversões inteiro para brincar”.

Os jogadores poderão ver os benefícios do hardware aprimorado da Xbox Series X nos jogos compatíveis com as versões anteriores, sendo alguns dos quais melhores tempos de inicialização e carregamento, taxas de quadros mais estáveis, resoluções mais altas, e qualidade de imagem aprimorada.

A equipa especializada na área da compatibilidade continua ainda assim a criar técnicas e inovações inteiramente novas possíveis de utilizar para aprimorar ainda mais o catálogo de jogos existente na Xbox Series X.

A equipa da Xbox está tão comprometida com o conceito da retro-compatibilidade e reprodução entre gerações, que não quer apenas que seus jogos te acompanhem nesta nova geração, quer também que os acessórios da Xbox One, os saves dos teus jogos e os registos da tua progressão transitem também para esta nova geração. De fato, todo o teu legado de jogos transitará contigo para a próxima geração.

Além disso, a equipa também projectou um sistema para permitir o modo multiplayer entre gerações, além de apresentar novos recursos, como o Smart Delivery, que garante que só precisas comprar um título uma vez, sabendo que obterás a melhor versão do título em qualquer consola Xbox  que escolhas jogar.

Isto permitirá que os jogadores se movam sem problemas entre as várias consolas e gerações, conforme entenderem. A Xbox Series X é a consola Xbox mais rápida e poderosa de todos os tempos, projectada para uma geração de consolas que tem-te a ti como centro.

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