Jurassic World é um filme lindo no ponto de vista fotográfico e cinematográfico e com uma direção fantástica de Colin Trevorrow! Os tons de azul e verde pintam o ecrã, refletindo uma preocupação em reforçar visualmente a mensagem em prol da Natureza que, subtilmente, se esconde em momentos intensamente preparados para forçar o espetador a ser ele próprio a deduzir os ideais que as personagens expressam por atos quando não pronunciados pela personagem Owen Grady (Chris Pratt), alguém que tem fortes ligações com os animais, entende a natureza e, apesar de ser um ex-militar, é um resistente às ideias que americanos estereotipados vêm logo introduzir no início do filme.

Temos logo na primeira meia hora a oportunidade de experienciar a perfeita realização da visão que John Hammond sonharia para o seu Parque Jurássico e, de certa forma, também estamos envolvidos no fascínio da descoberta e exploração deste, ao lado das personagens principais, sentindo-nos tão jovens quanto essas.

Cenas de ação encontram espaço e tempo para uma boa descrição, onde nem tudo precisa de ser mostrado, sendo feitas revelações no momento certo e ao passo que o espetador consegue acompanhar em sintonia a perceção das personagens. O espaço é bem explorado no filme, sendo que conseguimos-nos familiarizar com as várias áreas de Mundo Jurássico e assistir às suas atrações quase tão espetadores quanto os personagens no filme e orientar-nos dentro das cenas.

Como sempre, momentos de grande tensão e alguns sustos partilham o filme com algumas referências e comicidades que vêm a marcar um ritmo e balanço à história. Embora certas ocorram em alturas pouco propositadas e em algumas partes parcialmente desnecessárias, como a forçada e reforçada troca de provocações entre Owen e Claire (Bryce Dallas Howard) quando se juntam no ecrã pela primeira vez, ou a resposta relaxada de Lowery Cruthers (Jake Johnson) quando se encontra sozinho na torre de controlo e é contactado por Claire para soltar a última cartada do filme.

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Podem esperar pelo retorno da tensão de cortar a respiração e dos sustos com a assinatura de Steven Spielberg – falo, portanto, daqueles momentos em que: o que sentimos que vai acontecer não acontece, e depois quando toda a música ambiente se abate, o espetável também não acontece, deixando-nos depois suspensos só para nos surpreender quando estávamos a meio de um suspiro. Uma receita que Steven Spielberg domina e, para quem quer estabelecer as suas dúvidas, ainda tenho uma sequência de Super 8 bem presente em que me ia matando com o ultimate combo de três sustos seguidos na mesma sequência de planos. Mas deixo aberto o tópico para discussão!

A nível de desenvolvimento da história há que salientar a eloquência que remonta Mundo Jurássico ao Parque Jurássico. Primeiramente, senti a presença do legado do Parque Jurássico no próprio cenário, em pequenos detalhes subtis, até Lowery trazer uma t-shirt dos velhos tempos do Parque Jurássico para o centro de controlo do Mundo Jurássico e, claro, essa escolha foi logo contestada pela gerência. Mas haverá o momento em que realmente regressamos ao velho local onde tudo começou, onde um cartaz ainda desmaiado nas sombras de trepadeiras dá as boas vindas aos nossos personagens e onde grandes ossadas se exibem sobre a poeira de um hall abandonado.

MILHÕES DE ANOS DE EVOLUÇÃO E O QUE É QUE OS AMERICANOS APRENDERAM?

No seguimento coerente das prequelas, o filme é o próximo passo da obra de Dr. Wu (BD Wang) que, anteriormente, tinha conseguido criar uma planta híbrida, estão em foco as seguintes problemáticas, meus caros: uma família disfuncional, o raio do desejo do Homem em se tornar um Deus (que, se a vós não parecerá de todo uma problemática, então esperem só para ver o que vem a seguir e logo compreenderão) e o raio dos americanos com o desejo de adaptar novas descobertas ao campo militar e à guerra… Como já é costume.

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Numa primeira mão, este enredo é-nos apresentado em pontas soltas, quando Vic Hoskins (Vincent D’Onofrio) expõe logo claramente as suas intenções e quando Dr. Wu é acusado por Simon Masrani  (Irrfan Khan) de ter criado a aberração que ameaça o parque. Ao longo do filme, vamos tendo pequenas pistas que fazem estes fios se relacionarem. Adorei o facto desta problemática ser balançada ao longo do filme, numa harmonia que Rick Jaffa Amanda Silver conseguiram construir para projectar ao longo de todo o enredo.

Mundo Jurássico eclode com o próximo passo da civilização humana no campo da genética: numa tentativa da natureza humana subir ao nível dos deuses, o Homem que tinha conseguido recriar com sucesso espécies extintas há milhões de anos, eleva agora a fasquia quando consegue criar através da reconstituição de vários ADNs jurássicos e da junção com outros códigos genéticos manipulados do mundo atual, uma criatura completamente nova: o Indominus Rex.

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Este novo habitante da Ilha Nublar é criado pelo Dr. Wu e serve as necessidades do Mundo Jurássico de ter novas atrações de anos para anos em virtude de manter o público interessado em voltar a visitar o complexo de diversões. A ideia era inovar e manter viva a visão de Hammond, uma missão incutida a Masrani pelo próprio Hammond, o CEO da corporação Masrani lança então um memorando para o Dr. Wu criar algo “fixe” (??!!). Por “fixe” quer dizer “maior, mais inteligente e mais perigoso”. O pesadelo de todos os pais. O que, sem dúvida, é uma decisão racional, tendo em conta as experiências passadas. Yep, seems right, do that. 

Indominus Rex representa o culminar de várias habilidades desenvolvidas por espécies em prol da sobrevivência, como é o exemplo da camuflagem, e outras poderosas espécies que assolaram o período jurássico como o Carnotaurus, Giganotosaurus, Majungasaurus, Rugops… É, portanto, um grandessíssimo NOPE! A criatura é realmente temível e o perigo sente-se na pele do espetador, que ao longo do filme vai descobrindo novas verdades acerca das suas “origens”, que vêm explicar o Indominus como um dinossauro poderosíssimo!

Noutra face do enredo, encontramos a história de uma família disfuncional: dois irmãos estereotipados, Zach Mitchell (Nick Robinson) um adolescente pouco responsável que se preocupa mais em captar o olhar das raparigas do que em dar atenção ao irmão mais novo Gray Mitchell (Ty Simpkins) um rapaz inteligente, genial, cheio de curiosidade, emotivo, mas que sofre sentindo que os pais os estão a obrigar a passar férias no parque Mundo Jurássico para poderem tratar do divórcio. No parque trabalha Claire, tia dos irmãos, uma mulher que é o estereótipo de uma gerente sempre muito ocupada, com uma vida perfeita à custa do seu grande auto-controlo que parece tão artificial, robótica, e pouco humana nos primeiros planos.

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Com o avançar da sua história nota-se a subtileza com que nos introduzem à sua grande fragilidade: a família. Claire tem, então, como objetivo não desapontar a irmã e olhar pelos sobrinhos e, por isso, coloca a sua vida em risco para proteger Zach e Gray quando descobre que estes estão em perigo. Tanto Claire como os irmãos vão quebrando o gelo ao longo do filme: Zach vai-se tornando uma figura protetora para o irmão e Claire, na sua busca pelos irmãos, torna-se mais humana e afável ao lado de Owen, com quem já antes teve um relacionamento mas contra o qual manifesta sentimentos de repulsa no início do filme. De facto, os dois são o par romântico da história, e entre eles nem sempre rola um clima que vá ao encontro do que se vai esperar do desenvolvimento de um romance. Há mesmo pouco desenvolvimento neste aspeto na personagem de Claire, sendo que de repente ela tem a capacidade de salvá-lo de ser devorado por um pequeno Dimorphodon e logo ele prega-lhe um beijo. Está, assim, estabelecida a ligação.

A nível de atuação, salienta-se o trabalho de Chris Pratt, na minha opinião, a personagem mais consistente no filme, seguido pelo esforço de Bryce Howard. A prestação de Omar Sy (Barry) também me parece merecedora de ser aqui destacada – na minha opinião, teve melhor prestação que as restantes personagens, embora com menos tempo de ecrã. Gostava de ter visto mais de Nick Robinson e Ty Simpkins a nível de atuação; estiveram dentro do expectável e razoável mas nada de por aí além. Já em relação às outras personagens, senti necessidade de vê-las mais desenvolvidas e psicologicamente aprofundadas – senti-as muito genéricas.

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A nível da arte conceptual, destaco em especial o Bubble Car que me pareceu uma engenhosa forma de responder à necessidade de proximidade com que no enredo o público se poderia relacionar com os animais… Quase fico tentada a dizer que quero um veículo daqueles nos Zoos – quase.

Longe vão os dias em que se tinha de vestir o fato e morrer de calores para se filmar o Parque Jurássico mas foram filmes como esse que inspiraram os grandes efeitos especiais que temos hoje em dia, pelo que é nostálgico ver neste uma boa gama de CGI e estabelecer paralelos entre elementos que compuseram o primeiro Parque Jurássico e que estão presentes neste Mundo Jurássico. Falo, por exemplo, no Apatosaurus presente neste filme e do parente Brachiosaurus no Parque Jurássico, nos Velociraptors, e outros…

Sobre o sublime tema de John Williams que todos conseguimos meter a tocar de memória, somos encantados com brilhantes efeitos sonoros que marcam também uma evolução quanto às franquias anteriores, e temas construídos com uma grande harmonia e coerência sob o comando de Michael Giacchino. No entanto, a nível sonoro, é uma experiência onde o Dolby Surround 7.1 não é totalmente indispensável.

CONCLUSÃO
Prometedor.
8
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
jurassic-world-analiseExcelente fotografia e direcção, muita criatividade e nostalgia a apimentar este regresso ao parque mais emblemático do cinema.