Perdi conta às horas que gastei nos mundos de Sly, Ratchet, Spyro, ou até mesmo adaptações como Robots e os infinitos platformers baseados nos universos da Disney/Pixar. Isto pois no que é talvez a consola mais recheada de platformers 3D, existia uma grande margem para experimentação, o que levou a que saíssem inúmeros jogos dentro do género, e, infelizmente, ainda não conseguimos encontrar maneira de parar o tempo para jogarmos tudo o que queremos, o que levou a que eu não pudesse conhecer alguns títulos de culto. Mas cá estou, para começar o meu arc de redenção ao analisar Kao the Kangaroo!

Kao, na altura desenvolvido pela X-Ray Interactive, surgiu em 2000 na Europa, tendo sido lançado na Dreamcast e PC, tendo um port de Game Boy sido feito e lançado em 2001 pela Titus Interactive Studio. O jogo foi bem recebido, especialmente na Polónia, onde se manteve no top de jogos mais vendidos durante um considerável período de tempo. Isto levou a que fossem lançados mais 3 jogos, num espaço de 5 anos, tendo o IP entrado em hibernação em 2006. Após fusões de empresas e lançamentos de outros títulos, eis que a Tate Multimedia, desenvolvedores e publishers polacos, decidem reinventar o famoso canguru.

Kao the Kangaroo é um reboot da série, servindo como fundação para o que esperamos serem muitos mais jogos! Interpretamos Kao, um jovem canguru cuja irmã e pai se encontram desaparecidos, o que leva a que este decida procurá-los com a ajuda das luvas de boxe do pai. A história de Kao não complica, saltando este de nível em nível à procura da família com a ajuda de algumas personagens, mantendo-se o mais básica possível, o que não prejudica o jogo, mas gostava de ter visto mais desenvolvimento de outras personagens dado o seu potencial.

Um ponto positivo (e por vezes negativo) a favor de Kao é o facto de várias personagens terem vozes. Isto serve para se diferenciar de muitos platformers atuais que acabam por poupar no orçamento, mas como já referi, a história não tem grande profundidade, o que significa que as vozes acabam por não acrescentar grande peso emocional. Não obstante, ajudam-nos com a orientação da história e o que vai acontecer a seguir.

O jogo mantém a mesma estrutura do início ao fim. Com isto quero dizer que teremos vários hubs onde podemos explorar, apanhar colecionáveis, comprar vidas/melhorias ou fatos, e interagir com as várias personagens que vamos encontrando.

Cada hub tem um ambiente diferente, como uma ilha tropical ou neve, e é a partir destes ambientes que os níveis serão baseados, sendo que os níveis requerem um número mínimo de runas para entrar, e possuem um número considerável de colcionáveis, incluindo cristais (que acabam por servir apenas para fazer número), muitas caixas para partir e recolher moedas, as letras K-A-O que usamos para desbloquear fatos e runas, que nos permitem entrar noutros níveis.

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Se como eu, jogaram outros platformers, vão-se sentir em casa assim que começarem a controlar Kao. Saltamos, rebolamos, damos socos e temos um golpe que gira a meio do ar. Esta fórmula mágica nunca desilude e a Tate Multimedia fez muito bem em simplificar no primeiro jogo.

O combate do jogo é bastante fácil, visto que para além de podermos spammar o botão de bater, à medida que limpamos inimigos vamos enchendo uma barra que nos deixa desferir um ataque que afecta vários inimigos na área, o que ajuda a limpar grupos ainda mais facilmente. Podemos também refletir alguns projéteis com um golpe bem temporizado!

O platforming é bastante divertido, sendo que ao longo dos níveis vamos descobrindo alguns elementos, como fogo, gelo ou vento que diversificam ainda mais o caminho para o final do nível. Estes elementos dão também um visual engraçado durante o combate, é pena que o efeito seja apenas cosmético.

Para além dos elementos, teremos alguns (poucos até) puzzles para resolver, maneiras diferentes de passear pelo nível, como trampolins ou um gancho. O gancho desiludiu-me pois foi muito pouco utilizado para o potencial que tinha e mesmo nas poucas vezes que usava tinha de ser com condições específicas. Foram inúmeras as vezes em que saltei por reflexo de memória e não havia prompt para me conseguir agarrar, o que levou a que caísse à água e tivesse de ir andando (sem saltar) até conseguir utilizá-lo. Creio que podiam ter sido mais dinâmicos na forma como nos movimentamos.

À medida que ia progredindo pelos níveis fui encontrando alguns bugs como caixas que não partiam, a banda sonora nas Frozen Mountains simplesmente desapareceu, o meu roll ganhou eco, fiquei preso entre caixas sem possibilidade de voltar ao checkpoint pois era obrigado a reiniciar o nível inteiro, entre outras circunstâncias engraçadas. Nenhum destes bugs piorou a minha experiência, mas nota-se que o produto podia ter sido mais polido.

Os visuais são bastante vibrantes, usando cores fortes nos níveis de forma a captar a atenção do jogador. Gosto bastante da arte utilizada, evocando o espírito de Crash Bandicoot. A performance foi super estável ao longo de todo o jogo, estivesse só eu ou 10 inimigos no ecrã. A apresentação visual de Kao é sem dúvida um dos pontos mais fortes do jogo, apresentando não só um HUD “limpo”, como é super intuitivo com os caminhos e possíveis segredos.

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Aliada aos visuais temos uma banda sonora bastante animada com tons característicos do local em que nos encontramos. As vozes são energéticas, principalmente a de Kao, mas o guião não ajuda. Reforço no entanto que é uma decisão que distingue Kao dos outros platformers no mercado e mais vale um passo dado na direção errada que ficar parado no mesmo sítio.

Atualização: Oh! Well DLC

Ainda a tempo do Halloween tivemos direito a um DLC comemorativo que trouxe consigo 5 novos Eternal Wells e 5 novas skins para desbloquearmos!

No seguimento dos Wells que abordei, estes são idênticos aos já existentes, trazendo apenas uma fachada diferente. Gostaria de ter visto conteúdo novo no caminho principal, ao invés de adicionarem apenas desafios secundários, dado que o principal, como referi acima, é relativamente curto. Os desafios são curtos, conseguindo concluir todos em cerca de 20 minutos. As skins são bastante divertidas, cada uma com alusão a uma personagem folclórica diferente.

Não obstante, é sempre agradável ver amor a um produto lançado, pelo que valorizo o esforço da Tate em tentar entreter até ao possível lançamento da sequela.

Atualização: Bend the Roo’les

Confesso que não esperava regressar a este artigo, mas felizmente a Tate Multimedia não abdica das propriedades com facilidade, trazendo-nos ainda mais conteúdo!

Bem achávamos que a paz tinha sido estabelecida mas fomos deparados com infeliz realidade. Um caranguejo rabugento que era constantemente incomodado pelos habitantes, foi presenteado com o poder do Eternal World, obtendo assim domínio total do território. Resta-nos a nós desenvencilhar-nos desta trapalhada.

Bend the Roo’les traz consigo cinco novos níveis. Estes têm bastante mais sumo que os de Oh! Well, estando sub-divididos em secções que não acho que faça sentido revelar para reservar surpresa ao leitor. Apenas tenho a comentar que são bastante diversificadas, mesmo do jogo base, e que acrescentam dificuldade à experiência, por vezes até demais.

Adicionalmente, Bend the Roo’les traz consigo uma facilidade que joga a seu favor e muitos DLC’s não possuem: não precisam de ter terminado o jogo para acederem aos níveis. Isto significa que quem ainda não terminou o jogo pode arrecadar logo tudo de uma vez, e mesmo quem tenha largado o jogo sem o acabar tem um motivo adicional para lá regressar.

Agradecemos à Tate Multimedia e à Renaissance PR por nos terem fornecido uma chave do jogo base e DLC’s para análise.

CONCLUSÃO
Promissor
7.0
kao-the-kangaroo-dlcs-analiseKao the Kangaroo regressa jogando pelo seguro, preferindo estabelecer uma base sólida do que começar já a ramificar conceitos, algo perfeitamente aceitável. Com uma entrada humilde, tem pontos altos e baixos, no entanto não pode deixar de constar no portefólio de amantes do género para várias sessões de diversão.