Quando pensamos em videojogos licenciados pela LEGO, normalmente vêm à cabeça jogos que não passam de adaptações de filmes integrantes na vasta cultura-pop, como Star Wars, ou os projetos da Marvel e da DC. Também deve vir à cabeça o clássico “platforming” e combate que todos estes jogos contêm, ou então o vasto número de personagens de que costumam dispor, porém este jogo LEGO que vos trago aqui hoje é tudo, menos isso.

Quando comecei LEGO Bricktales, confesso que não esperava nada de especial vindo deste jogo. Há já muito tempo que jogos desta famosa marca de brinquedos de construção não me impressionavam, visto que a sua jogabilidade andava à volta do mesmo, sem quaisquer inovações, ou até mesmo complexidade nos próprios elementos de jogo. Mas fui estranhamente surpreendido, já que o produto que foi entregue pela ClockStone Software foi algo totalmente diferente destes anteriores videojogos LEGO, onde o foco não era a cultura-pop representada nos antecedentes, mas sim a simples diversão em fazer pequenas construções com as peças.

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Talvez toda (ou pelo menos, quase toda) a diversão que vem de brincar com LEGOs, ou de tê-los como um artigo expositivo, é a parte de os construir. Há algo extremamente viciante em passar horas a ligar as peças umas às outras, de forma a, no final, ter construída a figura desejada, quer seja através de instruções, ou por pura criatividade. E, em LEGO Bricktales, é exatamente esse o foco, não de ter um jogo com uma específica história e continuidade, ou de ter personagens importantes para o desenvolvimento da narrativa, mas sim, de dar asas à imaginação e de, simplesmente, construir.

Sendo assim, digo já que este jogo não contém uma história que desperte algum interesse: trata-se simplesmente da busca de uns cristais para dar poder a uma máquina de tecnologia alien, para restaurar o parque de diversões adquirido pelo avô da personagem que controlamos. Visto que, como já dei a entender, o foco não está na narrativa, mas neste caso, está nos ambientes, ou nos níveis. Cada um dos lugares que podem ser visitados em LEGO Bricktales está construído como um diorama, tudo com imenso detalhe, e obviamente feitos com as pequenas peças LEGO. Além disso, a variedade é imensa: tanto nos encontramos no primeiro nível numa floresta tropical, como no segundo já estamos num deserto com pirâmides egípcias.

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E é nestes ambientes que se encontra precisamente o principal aspeto deste jogo, que é o design dos puzzles. Foi aqui que a desenvolvedora de LEGO Bricktales mostrou o verdadeiro elemento-chave que o jogo tem a oferecer, que é a possibilidade de resolver os enigmas e puzzles com uma liberdade criativa enorme, com a ajuda de peças LEGO. Aqui, não só há uma imensidade de peças ao dispor, como também existe um modo sandbox, que fica apenas disponível depois de se decifrar o puzzle. Este modo oferece a hipótese de os jogadores embelezarem as suas criações, com uma variedade de peças de todas as cores, imensa.

Além de cada nível oferecer uma excelente variedade no que toca a este tipo de puzzle, existem também pequenos “super-poderes” possíveis de atribuir ao teu robô, que te vai acompanhando na aventura. Estas mecânicas ajudam a adicionar uma variedade ainda maior ao que já um jogo com uma excelente palete variada de desafios, apesar de, na minha opinião, estes “poderes” muitas vezes destroem o flow do jogo, já que a jogabilidade de LEGO Bricktales é focada nas construções LEGO, e não em simples mecânicas como uma corda, ou um super-punch que destrói alguns elementos à tua volta, de forma a apanhar todos os colecionáveis que o jogo contém.

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Falando de colecionáveis, acho que nunca me senti tão desapontado no que toca a customização num videojogo. Esperava ter bastantes e variadas opções para customizar a minha mini-figura LEGO, mas os únicos elementos disponíveis foram alguns fatos e acessórios já completamente pré-feitos, que se podiam comprar no mercador presente em cada nível usando bananas, a “moeda” do jogo, que se desbloqueia abrindo baús espalhados pelo mundo. Escusado será também dizer que há zero incentivo da parte do design do jogo em desbloquear estes colecionáveis, por isso esta pareceu-me uma daquelas experiências que apenas se têm uma vez, e passado algum tempo até nos esquecemos dela, o que é um tanto desolador num jogo com um potencial destes.

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Finalmente, gostava de falar um pouco da banda-sonora, que apesar de não ser fascinante, é muito bem utilizada, nos momentos certos, com música inspirada em cada ambiente, como o Egito, por exemplo. a única queixa que apresento relativamente a este assunto é o volume do áudio de jogo, que recomendo ser baixado, já que as músicas muitas vezes tornam-se quase ensurdecedoras, o que tira completamente ao jogo o seu objetivo principal de ser uma experiência relaxante e divertida, excelente para pequenas sessões de jogo.

LEGO Bricktales já está disponível para Playstation 5, Playstation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, Nintendo Switch e PC na Steam.

Agradecemos à Thunderful Group por nos ter cedido uma chave para análise.

CONCLUSÃO
Criativo
7
lego-bricktales-analiseApesar de ser um jogo simples com muitas falhas, traz exatamente o que é necessário num jogo LEGO, que é a eterna diversão de construir modelos com as peças, de forma a realizar os puzzles extremamente criativos que LEGO Bricktales contém.