A começar a temporada de verão chega-nos Lilo & Stitch, a nova adaptação live action da Disney depois do último e polémico lançamento no passado mês de março com Branca de Neve.
Desde 2002 que Stitch virou um dos maiores ícones da Disney, passando por várias gerações ao longo dos anos, tornando-se num elemento-chave dentro do estúdio. É dificil não passar por uma loja que não tenha algum tipo de merchadising que envolva a franquia e até mesmo cativando os mais jovens que ainda nem eram nascidos quando o filme estreou.
A nova versão vem nas mãos de Dean Fleischer Camp (realizador de Marcel the Shell with Shoes On em 2021) que reimagina o clássico de 2002, mantendo a mesma história/esqueleto e elementos-chave (bem como muitos dos diálogos) mas também adicionando outros elementos extra que, em certos aspectos, enriquecem a história e as personagens (nesta versão) mas noutros acabam por simplificar ou perder um pouco o brilho do que eram originalmente.
No elenco, temos Maia Kealoha na sua estreia como Lilo (perfeita no papel) e Sydney Agudong como Nani que, juntamente com Stitch, são, não só, o ponto forte do filme mas também o coração.
Ohana, família, “ninguém é deixado para trás” mas também a necessidade de aceitação e a importância de encontrar o lugar no mundo; tudo temas fulcrais na história original que aqui são novamente abordados e arrancam algumas lágrimas pelo meio, havendo sempre espaço para respirar.

Chris Sanders também regressa na voz do caótico mas adorável Stitch, e aqui não há muito a dizer pois é tal e qual a experiência 626 que tão bem conhecemos. É como se estivessemos a rever um amigo de longa data mas, desta vez, doutra maneira.
E se, inicialmente, estava muito céptico com o anúncio do live action de um dos meus filmes preferidos da Disney, o qual sempre me disse muito, bastou o primeiro teaser com Stitch a causar destruição à beira-mar (com a surpresa inesperada de Sanders estar de volta na voz original, apesar de estar habituado à versão portuguesa) para ficar imediatadamente cativado.

Temos ainda Zach Galifianakis como Jumba e Billy Magnussen como Pleakley, a dupla de alienígenas que fica encarregada de capturar Stitch na Terra, com bom trabalho no departamento visual, sendo exactamente como os conhecemos mas, desta vez, em imagem real.
A escolha nesta versão de passarem grande parte do tempo com disfarce de humanos em vez do gag de humor de vestirem roupas para caminhar entre as pessoas revelou-se uma melhor escolha, pois há certos aspectos que funcionam melhor em animação.

No departamento musical, temos o regresso das canções que embalavam o filme de animação (bem como algumas escolhas alternadas nos momentos que tocava Elvis Presley) contando com o regresso de Mark Kealiʻi Hoʻomalu com uma nova mas familiar versão de He Mele No Lilo que, numa escolha interessante, altera partes da letra, sem perder a essência da música original e o seu registo.
E, claro, uma divertida e nova versão de Hawaiian Roller Coaster Ride, por uma nova geração de miúdos da mesma escola que gravou a original, embalados por Iam Tongi (o cantor que ganhou uma das temporadas do American Idol).

Sem entrar em spoilers, a minha grande e única comichão com o filme vai para certas decisões criativas no terceiro ato do filme relacionadas com Jumba que, talvez para esta nova versão possam funcionar, pois não deixam de chegar ao ponto B e mensagem do filme mas, a meu ver, acabam por ter algumas consequências em tirar alguns detalhes que eram bonitos ver no filme original e que, igualmente, reforçavam a mensagem de “Ohana” durante a história.
Sendo uma adaptação live action é dificil não entrar em alguma comparação pelo meio e, realmente, achei que deixou ligeiramente inferior.
































