A indústria dos videojogos proclama ser aberta a todos, e até certo ponto é, mas há uma expressão que faz toda a gente arrepiar-se quando é proferida: mobile games. Conhecidos pela maneira como os jogos mais populares empurram uma incrível monetização, desde cedo que o tema mobile é tabu, o que levou a que muitos jogadores acabassem por se distanciar por completo dos jogos para smartphone/iOS, deixando algumas pérolas por jogar.

Persistente foi a The Chinese Room, uma desenvolvedora britânica que criou títulos como Dear Esther, Amnesia: Collection ou até Everybody’s Gone to the Rapture, jogo com o qual conquistaram três BAFTAs, um feito incrível. Eis que, em 2020, durante um evento Apple, anunciam Little Orpheus, para o Apple Arcade. Desde cedo louvado pelos visuais vibrantes e a simplicidade nos controlos para melhor acompanhar a história, o jogo fez furor, tanto furor que acabou por chegar às consolas caseiras (Playstation 4/5, Nintendo Switch e Xbox Series X|S) e PC.

Little Orpheus retrata a aventura de Ivan Ivanovich, um camarada soviético que falhou todos os exames psicotécnicos possíveis e se encontra a ser interrogado após a sua viagem ao centro da Terra. Sim, enquanto tentam alcançar a lua no outro canto do mundo, a estratégia soviética foi enviar Ivanovich para o interior de um vulcão na Sibéria, de forma a que este chegasse ao centro da Terra e procurasse um sítio estável para estabelecer a civilização. O problema, e o cerne da história, é que Ivanovich parte numa nave que contém Little Orpheus, uma bomba atómica, e durante a viagem perdemos a bomba, levando a que não só tenhamos de encontrar uma forma de regressar, como também trazer a bomba connosco.

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A história de Little Orpheus é, ao mesmo tempo, interessante, divertida e uma desilusão. O principal problema é que tanto desenvolve, para não culminar em nada, um desrespeito à incrível aventura que trilhámos. Jogamos em formato episódico, e normalmente cada episódio retrata um local por onde Ivanovich passou, sendo que à medida que vamos jogando, o General Yurkovoi vai nos interrogando relativamente ao que encontrámos e os desenvolvimentos da missão. Nenhum dos episódios desrespeita o nosso tempo, tendo cada um uma duração média de 30/40 minutos, num total de 9 episódios.

A jogabilidade é bastante simples, de forma a que nos possamos focar na história que está a ser narrada à medida que nos aventuramos. Podemos saltar, agachar-nos, e interagir com objetos que vão aparecendo pelo caminho. Entre puzzles e platforming, Little Orpheus é muito mais do que andar em frente, arranjando sempre uma tarefa (ou várias, ao mesmo tempo) para nos manter desafiados, embora nunca num nível desesperante.

As paisagens são bastante variadas, desde o navegarmos de jangada no interior de uma baleia, a saltarmos de liana em liana numa selva, não faltarão pormenores engraçados e que avivam a experiência. Não faltam sequências de tensão, sendo que nos primeiros 10 minutos já estamos a fugir de um dinossauro, avisando logo o jogador que convém estar sempre alerta. Mesmo estas perseguições, ou até mesmo situações de ação furtiva, encaixam excelentemente na narrativa e no cenário que nos rodeia.

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Como já referi, os visuais são incríveis, ainda mais se tivermos em conta que o jogo foi originalmente lançado no Apple Arcade. Imensas paisagens estonteantes encheram o meu ecrã e deixaram-me bastante feliz por ter escolhido analisar este jogo. Estas vistas aliadas à maneira trapalhona de correr de Ivanovich e certas formas de nos livrarmos dos inimigos, resultaram num misto de risos com surpresa.

Não menos importante, a banda sonora é impecável, tanto que acabei por a adicionar à minha lista do Spotify. Violinos e violoncelos a trabalharem em conjunto para criarem tons alegres e bombásticos enriquecem a viagem, deixando ainda espaço para acordes de mistério que vão crescendo de mão dada com a narrativa.

Creio que Little Orpheus, fora quaisquer defeitos ou limitações, é uma das melhores introduções possíveis a alguém que não goste de videojogos. Uma experiência divertida e simples, que nos cativa com uma história interessante a um preço super acessível. Não deixem que vos passe ao lado!

CONCLUSÃO
Amável
7.2
little-orpheus-analiseLittle Orpheus traz-nos a aventura de Ivan Ivanovich, uma personagem da qual pouco ou nada sabemos, mas tanto queremos perceber como chegou onde está. Com jogabilidade simples e uma narrativa interessante, é sem dúvida um título para novos jogadores e amantes do género.