Em celebração dos 20 anos de “carreira” do Homem-Grilo, chega à Squared Potato pelas mãos da editora FA, a mais recente publicação em banda desenhada do super-herói, já disponível em território nacional! Com a nossa cópia digital em mãos… no ecrã, é altura de analisar o seu conteúdo e ajudar-te a perceber quem é esta personagem e se esta é ou não uma boa adição para a tua biblioteca.

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Quem é o Homem-Grilo?

Da autoria de Cadú Simões, Homem-Grilo fez a sua primeira aparição ao público no ano 2000, em curtas publicações espalhadas pela internet. Desde então o mutante tornou-se o grande defensor de Osasco City e angariou toda uma legião de inimigos mortais. Estes inclusive disputam entre si, as semanas do mês em que cada um deverá ter a sua oportunidade de esmagar o super-herói (“Tá lá? É do inimigo?”). É caso para dizer que estamos perante malta do crime organizado!

Carlos Parducci, do qual Homem-Grilo é o alter-ego, é contudo um típico estudante universitário, bem, tu sabes, falta mais do que aparece, aplica-se só no necessário, sai mais à noite do que de dia, ou pelo menos, assim seria se não tivesse sido mordido por um grilo radioativo (os grilos mordem?? Bem, pelo menos os radioativos sim!). Com isto Carlos ganhou alguns super poderes como o sentido de grilo. E sim, antes que te perguntes mais, estamos perante um super-herói construído algo à imagem do Homem-Aranha. Talvez um destes dias, os dois ainda se cruzem para, quem sabe, derrotar o Dr. Louva-a-Deus, ou o Homem-Barata. Falo a sério, inclusive ambos os vilões tem nesta edição algum tempo de antenas. Contudo se o último levantar voo, gg, desejo toda a sorte do mundo ao Homem-Grilo mas Marte espera-me.

A cada novo capítulo, Carlos vai conseguindo vencer o mal, uma batalha de cada vez, e protegendo os inocentes. Mas tira o cavalinho da chuva se achas que esta é uma personagem séria e sensata, como Peter Parker, pois todo o registo que envolve o seu universo está projectado para ser cómico, e algo trapalhão. De facto, nada melhor do que espreitares o 2.o capítulo desta edição para perceberes o cúmulo do sentido humorístico aqui empregue nesta banda desenhada.

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Conteúdo

A edição em análise, trata-se de uma adaptação de Flávio Almeida da obra de Cadú Simões, com ilustrações de Ricardo Marcelino, Alex Rodrigues, e de Will e Márcio Takara. Com apenas 4 capítulos e uns esboços absolutamente lindíssimos ao estilo de Model Sheets das personagens principais para nos debruçarmos ao longo das suas 58 páginas, achei a edição algo breve e de rápida experiência. 

Sinto no entanto que a essência do Homem-Grilo fica muito bem vincada no leitor ao longo destes 4 capítulos, que não foram de todo escolhidos aleatoriamente para pertencer a esta publicação. Estes capítulos presentes, são Metamorfose, O Pequeno Invencível, O Acelarador Genético, e O Super-Herói das mil faces e em nada têm a haver uns com os outros. O que é genial pois a cada capítulo observamos uma metamorfose do que pode ser uma banda desenhada do Homem-Grilo. 

Se por um lado o primeiro capítulo é o mais curto e directo, representando uma situação cómica mas banal, o segundo já mostra algo semelhante mas mais elaborado, em que já vemos o super-herói partir para a acção. No terceiro contudo é que atingimos um tom mais sério e típico de uma banda desenhada de super-heróis, sendo também um capitulo mais longo e elaborado tanto a nível de escrita como graficamente. Neste Carlos terá de saber lidar com a complicada situação de ter de proteger a sua identidade secreta perante os colegas, a par e passo que parte em auxílio do Prof, Silvio Xavier, raptado em plena palestra.

O 4.o e último capítulo é quando Homem-Grilo mostra sobretudo as suas cores mais humorísticas, e dá-nos um maior escopo sobre a expansão deste universo e as personagens que alberga. Isto e visto que são várias as referências da cultura pop que podemos aqui encontrar, é claro que tinha de haver abertura para uma boa referência aos célebres guerreiros do espaço que todos adoramos.

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A Arte

Com quatro artistas ilustradores, é mais do que óbvio que cada capítulo tem o seu traço distinto, sendo que em Metamorfose observamos uma trama mais solta e livre, e por exemplo em O Acelerador Genérico já distinguimos uma estilização mais standard da indústria.

De um modo geral, todos demarcam a mesma linguagem visual e seguem umas certas directrizes para representarem o mundo da acção do super-herói. Algo que torna engraçado, ver e comparar esses registos, que exaltam uma liberdade expressiva na concepção do que é um produto Homem-Grilo

De todas as ilustrações, devo contudo dizer que me sinto mais atraída pelo dinamismo do 3.o capítulo, com detalhes muito bem aprofundados apesar de ser o mais longo de toda a edição. Não sei bem porquê, mas impele-me não só a relembrar as minhas velhas bandas desenhadas de infância, mas também me suscita alguma daquela nostalgia pelas clássicas séries cómicas de cartoons com super-heróis.

Em boa verdade, estes 4 capítulos de tesourinhos do Homem-Grilo despertaram em mim uma imensa sede por descobrir mais aventuras e peripécias do super-herói. Felizmente o criador tem todo um site dedicado ao Homem-Grilo, e ao Sideralman (outro super-herói deste universo) onde disponibiliza alguns capítulos para entretenimento gratuito dos utilizadores.

Contudo, acho mais que merecido por todo o empenho e dedicação do autor ao longo destes 20 anos, o preço simbólico desta edição da FA já disponível em Portugal, que presta uma justa homenagem à identidade que constrói a marca deste super-herói. 

Conclusão da Análise
Desperta uma certa curiosidade em conhecer mais aventuras do Homem-Grilo!
6.4
Cedo me apaixonei pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.

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