Hoje trago-vos um metroidvania modesto, feito por uma equipa japonesa igualmente modesta, com um leque de projetos pequenos, mas que se tem mantido nos últimos anos.

Estou a falar de Lost Epic, um Metroidvania com bastantes elementos de JRPG, publicado e desenvolvido pelos Oneoreight.

Um novo guerreiro para enfrentar os deuses

Em Lost Epic, tu controlas um guerreiro (ou guerreira) escolhido para salvar o mundo da sua inevitável (ou não) destruição pelos deuses. O teu objetivo é chegar até aos deuses, um a um, e enfrentá-los, derrotando-os, e dando continuação à vida e ao mundo.

A história é uma base bastante boa para o género, fazendo com que as viagens de um lado para o outro pelo mapa sejam mais naturais.

Há um leque pequeno de personagens que irás encontrar pelo mundo, mas todas elas têm a sua história e lore, que, para quem gosta de mergulhar um pouco nesses aspetos, irá ser sem dúvida um ponto a mais.

Lost-Epic-1  

Um mundo de fantasia com bastante variedade

No que toca à sua arte, Lost Epic sabe exatamente o que é, usando a sua base de fantasia medieval para os vários cenários que irás encontrar, desde florestas, castelos, ruínas, entre outros. Há uma excelente variedade de zonas, com a arte a apresentar uma consistência bastante sólida, tanto no background como no foreground.

O design das personagens também é bastante sólido, sem dar muitos spoilers, todas as personagens têm aspetos físicos únicos, aspetos estes que ajudam a definir a personalidade e caráter das personagens. É bastante fácil de identificar o tipo de personagem simplesmente pelas caraterísticas físicas da mesma.

Um Soulsvania com um combate estiloso

Ao explorares os labirintos das várias zonas do mapa interconectado do jogo, irás deparar-te com uma série de inimigos, com capacidade de te atacar tanto de perto como de longe. Cabe a ti teres a capacidade de os derrotar, focando-te então em fazer combos e no uso de ataques especiais que podem atingir vários inimigos.

Lost-Epic-2  

Começando pelo design do mapa, temos então várias zonas interconectadas, mas com alguma linearidade, sendo que geralmente tens cada zona separada entre elas, ou seja, não há nenhum caminho que conecta várias zonas, sendo que geralmente as instâncias onde há interconexão é quando encontras atalhos, que facilitam bastante o backtracking. Um level design sólido, com cada zona a ter uma boa duração, não havendo nenhuma que chegue ao ponto de estagnar.

Geralmente, na entrada de cada zona, e também em alguns pontos centrais das mesmas, irás encontrar umas estátuas. Estas estátuas servem de checkpoint, sendo muito semelhantes às bonfires da série Souls. Também podes evoluir a tua personagem, usando anima, que é um recurso que vais colecionando ao matar inimigos e completando side-quests.

E side-quests não irão faltar. Cada zona do jogo tem uma série de side-quests, onde te irão mandar matar inimigos numa zona, fazer um nível especial escondido, matar um mini-boss, ou até cozinhar algo, misturando vários ingredientes que encontrarás ao longo da tua aventura.

Lê mais:  Aquiles: Legends Untold | Dark Point Games revela Beta fechada
Lost-Epic-3  

Em termos do combate, temos então aqui o maior foco do jogo. A tua personagem é capaz de saltar, fazer um dodge, e também fazer um parry, movimentando-se bastante bem, e tudo isto serve como base para poderes realizar combos e seres o mais eficaz possível. A base é simples, tens uma série de ataques simples, com a capacidade de utilizar então um ataque especial, chamado de Divine Skill, ou então um ataque forte direcional para cima, para poderes estender o teu combo, fazendo juggle ao inimigo no ar.

As Divine Skills são desbloqueadas ao utilizá-la com a arma respetiva, ou seja, cada arma tem uma Divine Skill associada, e, para poderes utilizá-la em todas as armas do mesmo tipo, terás de utilizar essa arma e a sua Divine Skill um certo número de vezes, representado pela experiência de masterização no menu das Divine Skills.

As Divine Skills são incrivelmente variadas, desde ataques aéreos como rodares como um peão enquanto descendes devagar, atacando tudo à tua volta numa área, ou alguns ataques no chão, como uma espécie de kamehameha que ataca tudo numa linha. Em relação a Divine Skills que suplementam os combos, tens uma Divine Skill inicial que é uma espécie de uppercut com uma espada, que leva contigo um inimigo para o ar, deixando-o vulnerável para mais ataques.

Lost-Epic-4  

Caso tenhas alguma preferência de armas, tens aqui uma escolha simples, mas saudável. Tens espadas, greatswords e arcos, havendo prós e contras para cada, como por exemplo o arco ser bom à distância, mas ser limitado na sua velocidade, ou as espadas normais, que apesar de serem rápidas e eficazes para combos, irás ter mais dificuldades a deixar um inimigo maior atordoado, sendo preciso ser mais defensivo contra eles.

Penso que, apesar da variedade baixa de armas, as inúmeras Divine Skills e a variedade de inimigos ajuda bastante a manter o combate refrescante durante toda a duração do jogo. Por vezes menos é mais, e, no que toca ao Lost Epic, temos aqui uma excelente representação disso.

Lê mais:  Call of Duty: Modern Warfare II (Campanha) | Análise

Nas estátuas, poderás também fazer crafting de equipamento, como armas e poções para recuperar vida, por exemplo. No que toca às armas, podes evoluí-las, fazendo com que mudem de aspeto, e também subam bastante de stats. Esta forma de fazer upgrade é bastante “cara”, usando recursos mais raros, mas, no meu caso, nunca tive de fazer grind para poder evoluir nenhuma das armas que usei. Caso não tenhas recursos para tal, podes apenas fazer o upgrade normal, utilizando apenas um recurso, que vai aumentando de número e qualidade com o nível da arma. Este upgrade tem resultados menores, mas é uma forma barata e mais simples de melhorar o teu equipamento.

Lost-Epic-5  

Finalmente, falemos dos bosses. Aqui temos um design bastante comum do género, com padrões e ataques telegrafados, premiando a aprendizagem e adaptação do jogador. Os bosses, apesar de simples, têm um design sólido, sendo que apenas tive problemas com as partes finais do jogo, onde se tornaram “bullet sponges” e me derrotavam em 1 ou 2 ataques.

E, se não fosse as partes finais, penso que o jogo teria sido bastante equilibrado. Infelizmente, a partir de um certo ponto, há ali uma subida brusca de dificuldade, e admito que me deixou ligeiramente frustrado, sendo que a melhor forma de ultrapassar esta fase é fazendo grind, de modo a melhorares os stats da tua personagem, fazendo com que o aspeto de aprendizagem do boss seja menos prevalente.

Melodias cativantes que suplementam a atmosfera

Tenho que admitir, quando estava com o jogo selecionado no menu da Playstation 5, que fiquei um pouco curioso pela música que o jogo me iria apresentar. No menu da consola, tens uma música épica, juntando um som eletrónico com uma voz com um timbre excelente.

Lost-Epic-6  

Essa música épica é algo único, pois o OST não tem muita correlação com a mesma, focando-se mais em instrumentais, com o uso de algumas guitarras elétricas, cordas e sintetizadores, com uma sonoridade mais orquestral moderna.

Contínua a ser um OST sólido, que complementa o jogo bastante bem, sinto que a música tem uma presença bastante óbvia, e ajuda a manter o jogador entretido nas situações mais monótonas que possivelmente irá experienciar no jogo.

Os deuses já estão à tua espera na Playstation 5, Playstation 4 e PC na Steam.

CONCLUSÃO
Achado
7.8
lost-epic-analiseLost Epic é sem dúvida um metroidvania bem concebido, com level design sólido, um bom ritmo, e uma jogabilidade divertida. Pode tropeçar um pouco nos seus momentos finais, mas é um jogo que sem dúvida serve de exemplo que, por vezes, um design focado prevalece.