Hoje, trago-vos um projeto de 10 anos, que, apesar de ter sido finalizado por uma equipa com mais de 40 pessoas, o seu início modesto foi desenvolvido por apenas um desenvolvedor, com um projeto promissor e um sonho de criar o seu próprio jogo de ação.
Apresento-vos Lost Soul Aside, um jogo de ação que leva-nos para os tempos da Playstation 2, com as suas inspirações em Devil May Cry e God of War, este jogo traz-nos uma experiência que, apesar de ser nova na superfície, não deixa de nos dar um pouco de familiaridade.
A invasão dos Voidrax
Lost Soul Aside passa-te num mundo de fantasia que se encontra em guerra entre 2 grandes entidades – o império de Celestria e o reino de Frosthold. Kaser, o nosso protagonista, juntamente com a sua irmã Louisa, juntam-se a GLIMMER, um grupo de resistência que tem como objetivo acabar com a tirania do império.
Durante uma missão crucial para poder juntar mais população ao grupo, a cidade é invadida pelos Voidrax, uma espécie alienígena que veio para causar a destruição da cidade e dos seus habitantes. No processo desta invasão, a alma de Louisa é roubada pelos Voidrax, dando a Kaser um motivo claro para ajudar a resistência a salvar a humanidade da invasão dos Voidrax.
Temos aqui uma premissa que é sem dúvida comum, mas que certamente faz o seu trabalho e dá uma razão concreta para o que se sucede durante a duração da história do jogo. A história é sem dúvida o menor foco da experiência toda, mas serve como um bom catalizador para as viagens e a aventura que Kaser terá de experienciar.

Um espetáculo visual familiar
A familiaridade visual pode tornar um jogo aborrecido, mas penso que aqui trouxe algum benefício que ajudou bastante no que toca à clareza dos visuais. Temos aqui um jogo no famoso Unreal Engine, que nos traz a típica experiência visual a que já estamos habituados. No geral, a qualidade das texturas, modelos e cenários é competente e consistente, mantendo um padrão de qualidade satisfatório, sem o uso de tecnologias muito avançadas. A variedade de cenários complementa a simplicidade visual, com florestas, castelos e zonas mais alienígenas presentes durante o jogo.
O aspeto que mais define os visuais é sem dúvida o uso impressionante de partículas aceleradas pela GPU, dando a todas as batalhas um esplendor visual cheio de efeitos de variadas cores. Por vezes até pode-se ter partículas de diferentes cores a encher o ecrã, e tudo a acontecer com uma clareza bastante impressionante.
Sem dúvida que se trata de uma utilização mais otimizada do motor, onde foi apenas usado o que era preciso para atingir os visuais pretendidos, dando um foco maior aos aspetos que foram considerados importantes para fornecer-nos o impacto e espetáculo visual pretendidos para o combate.

Uma clássica experiência de ação
A simplicidade é algo que reina na base de Lost Soul Aside, onde temos um combate frenético de ação com um pedaço de plataformas para quebrar a monotonia, tudo numa direção linear e óbvia. Antes e entre as missões, irás estar numa pequena cidade, que funciona como um hub central, onde podes visitar as várias lojas para poderes melhorar a personagem, como poderes comprar acessórios para a tua arma que te dão melhorias como melhorar o dano crítico da arma, ou poderes curar-te ao fazer dano crítico. Muitas das lojas são focadas nestas melhorias básicas da personagem, fazendo com que este pequeno hub seja sempre uma passagem breve, não quebrando de todo o fluxo da narrativa, mas dando um intervalo necessário entre as missões repletas de ação.
Apesar do combate ser o aspeto principal do jogo, fiquei surpreso pela quantidade e qualidade de secções de plataformas presentes. Estas secções não envolvem apenas saltar de uma plataforma para a outra, havendo outros objetivos adicionais como ativar certos mecanismos para desbloquear outros caminhos ou apanhar umas pequenas fontes de magia num certo tempo. Estas secções também evoluem ao longo do jogo, com Kaser a ganhar a possibilidade de fazer um dash a meio de um salto, e também de poder puxar-se para certos objetos que se encontram no ar com uma arma que irá adquirir eventualmente durante o jogo.
Estas secções servem como pequenas pausas que acrescentam variedade e algum descanso do combate frenético. A experiência de combate do jogo inspira-se fortemente nos clássicos dos jogos de ação, onde tens combos envolvendo uma combinação de ataques e armas, onde podes combinar estes ataques de forma quase completamente livre. O combate, inicialmente, é bastante simples, não havendo grandes opções, mas, ao ganhares novas habilidades e armas adicionais, as tuas opções aumentam substancialmente, fazendo com que o combate se torne muito mais complexo, apesar de, se o jogador quiser, consegue passar o jogo mantendo-se com os combos e ataques mais simples.

A mecânica principal envolve atacares o inimigo até encheres a barra de atordoamento dele, onde ele fica vulnerável para poder ser posto no ar para combos aéreos. Esta mecânica é a mecânica principal que te possibilita o máximo de dano possível sem resistência do inimigo, sendo que, mesmo que a barra de atordoamento recupere por completo, enquanto o inimigo for mantido no ar, o mesmo continuará vulnerável e sem poder retaliar. A complexidade do combate vem de conseguires estender os teus combos ao máximo nestas janelas de ataque críticas, exigindo uma boa coordenação e conhecimento dos ataques das várias armas por parte do jogador.
Quando o combate atinge o seu auge após as primeiras horas inicial, este torna-se bastante competente, quando estás a lutar com os inimigos a combinar ataques com a tua espada, greatsword ou outras das armas adicionais que irás desbloquear (vou deixar-vos descobrir quais são), as opções abrem-se bastante, dando ao jogador uma liberdade bastante ampla.
Os bosses do jogo apresentam uma extensão adicional da jogabilidade de combate do jogo, com o seu espetáculo visual amplificado. Estes bosses têm uma série de ataques e padrões que irás ter de aprender, de modo a poderes aproveitar as melhores janelas para fazeres os teus combos. Onde os bosses se diferenciam são nos seus ataques colossais onde praticamente a arena quase toda é atingida, fazendo com que tenhas de analisar e agir rapidamente e eficazmente para evitar o dano significativo destes ataques.

Um som oriental que preenche o ambiente
Apesar da sua inspiração nos clássicos de ação, uma vertente onde Lost Soul Aside não atingiu uma qualidade comparativa foi na sua música. O que temos aqui não tem falta de qualidade, com orquestras a encher o ambiente de sons orientais e uma série de temas com uma vertente mais eletrónica. A variedade está cá sem dúvida, e os temas orientais mais calmos e orquestrais preenchem bem as pausas que são seguidas do combate frenético com uma sonoridade eletrónica com um ritmo mais acelerado. As músicas servem o seu propósito, não se destacando demasiado durante o jogo, sendo apenas algo que preenche o ambiente.
Um agradecimento à Playstation Portugal pela cedência de uma cópia digital para análise na Playstation 5.





























