Parece surreal vermos a enchente de títulos first-party Sony que chegaram ao PC desde 2018. Visto que já existe historial nas parcerias da Sony em desenvolver também para PC, e permite aos estúdios ter uma fonte de receita adicional, creio que foi uma das melhores ideias da empresa nipónica, que, já em 2013, numa parceria com a Valve, apostou no crossplay de Portal 2 entre jogadores PS3 e Steam, apanhando a indústria de surpresa.

Não se percebe é a desorganização no lançamento dos títulos, tendo num espaço de 4 meses lançado 3 títulos diferentes no PC. Não bastava serem os 4 meses mais preenchidos do ano, como ainda lançaram Sackboy e Miles Morales praticamente um em cima do outro, prejudicando assim as vendas de cada um, ao ponto de Sackboy ter no seu lançamento 600 jogadores ativos… Inglório no mínimo, para um título tão adorado (cuja análise chegará muito em breve).

Ora, o destaque de hoje é nada mais nada menos do que Marvel’s Spider Man: Miles Morales. O nosso querido Ulisses está a descansar da avalanche de análises então coube-me a mim analisar este o port para o PC. Fruto de uma nova colaboração entre a Nixxes Software e a Insomniac Games, Miles chega ao PC munido de todas as opções que já conhecíamos e algumas novas adições que lerás de seguida.

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Miles Morales apresenta-se como uma versão light de Spider-Man (mas incrivelmente, com o mesmo PVP), focando-se no jovem Miles e a sua aventura a solo enquanto Peter viaja com Mary Jane em trabalho para o estrangeiro.

A viagem de Miles centra-se na investigação da Roxxon Energy Corporation, que afirma ter descoberto uma fonte de energia com reservas quase inesgotáveis, sendo que pelo meio se depara com um grupo de “resistência” que se autodenominam “Underground”. Miles Morales marca passo a um ritmo muito mais intenso, cortando a gordura existente no antecessor como o controlo de personagens secundárias.

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A jogabilidade está ainda mais precisa que o primeiro, tornando-a ainda mais viciante. Não só temos novos poderes, como conseguiram tornar o web swinging mais solto, mas ao mesmo tempo mais preciso. E claro, estando esta acompanhada das possibilidades de jogar num PC, como suporte de ultrawide screen, Nova Iorque torna-se ainda mais apetecível.

O port de Miles acompanha a sua qualidade como jogo, trazendo o acumular das opções refinadas dos anteriores ports da Sony. Testei o jogo no meu PC (GTX 1660 SUPER; i3 8350k; 12GB RAM; SSD SATA) e fiquei bastante satisfeito na parelha que consegui da qualidade visual com a consistência do desempenho, salvo alguns crashes inexplicáveis quando ainda nem tinha começado a jogar.

À semelhança de Marvel’s Spider Man (e dos outros títulos Playstation), as opções são vastas e ajustáveis à máquina de cada jogador.

Não estranhem verem “Sombras” em médio pois é algo que faço em todos os jogos (excepto terror). Embora deem um toque adicional à pintura, para além de serem um dos recursos mais pesados, considero-as facultativas a uma boa experiência, recorrendo sempre a esta definição para tentar estabilizar framerate, embora em Miles a diferença seja de 2 ou 3 fps.

Estando já verificado pela Valve na Steam Deck, o desempenho não fica aquém do esperado. Com as definições certas, recorri ao modo de 40hz da consola para uma experiência suave, pois alcançar 60fps com as definições todas em high é muito difícil, então, com uma mistura de definições nunca abaixo de médio, alcancei um resultado agradável para longas sessões de jogo.

Admito que fui um pouco elitista na decisão das definições, mas não me via a comprometer mais nenhuma definição sem utilizar upscaling, e deixem-me dizer-vos que o resultado do upscaling não foi o que esperava. Embora estabilizasse a framerate em momentos críticos (como o combate), as texturas remontavam à era Playstation 3. Claro que se fosse essencial utilizaria, mas como prescindo bem de 60 frames locked, preferi ter as definições ao meu gosto e com algumas quedas (nada de crítico).

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Como já referi o jogo crasha inadvertidamente devido a um bug com o carregamento dos saves. Estes crashes acontecem 90% das vezes antes de chegar ao menu principal, tendo também acontecido depois de carregar o jogo, mas nunca enquanto gravava. Tive ainda alguns percalços como Miles a ir passear nos loadings, deixando-me a olhar para Nova Iorque desfocada ou alguma demora no carregamento das texturas, embora esta última acredito estar relacionada com o meu tipo de SSD.

À medida do antecessor, são também suportados vários rácios de aspetos diferentes, com um máximo de 48:9 com múltiplos monitores graças às NVIDIA Surround ou AMD Eyefinity, sendo que testei a versão da NVIDIA e não observei grandes quedas no desempenho utilizando uma resolução de 3840 x 1080.

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Não podia deixar de brincar com o incrível photo mode da Insomniac.

Experimentei tanto o teclado e o rato como o Dualsense e ambos se ajustaram à experiência na perfeição. Claro que utilizar o Dualsense traz vantagens como a vibração haptic ou os gatilhos adaptáveis, mas caso não estejam habituados a comandos, a combinação de teclas para os diversos truques da cartola de Miles não complicam, oferecendo uma curva de aprendizagem relativamente rápida.

No geral, a experiência foi bastante agradável. Fui 2 vezes ao menu das definições gráficas para ajustar tudo à minha preferência e a partir daí zarpei rumo à conclusão da história. Marvel’s Spider-Man: Miles Morales apresenta basicamente todas as funcionalidades presentes na versão PlayStation 5, incluindo ray-tracing e suporte para o DualSense, mas claro, esta versão inclui brindes específicos do PC que tornam a experiência mais personalizável, e os mods ainda mal começaram a aparecer…

CONCLUSÃO
Groovy
8.8
marvels-spider-man-miles-morales-pc-analiseMiles Morales chega finalmente ao PC e traz consigo horas de diversão, seja a lutar com novos poderes ou simplesmente a passear por Nova Iorque natalícia. Acumulando o conhecimento dos anteriores ports, a experiência fica ao critério de cada um, estando o céu definido pelas nossas especificações.