É muito graças a estúdios como os Suecos The Bearded Ladies, que os estilos mais nichados deste meio ainda se encontram vivos e de longa saúde. Miasma Chronicles é um desses títulos dissidentes dos géneros mais convencionais da indústria, ainda que ao contrário do seu antecessor espiritual do mesmo estúdio (Mutant Year Zero), traz um foco mais padronizado na sorte e muito menos táctico do que seria suposto ser.

Miasma Chronicles chega ao mercado quase 5 anos depois de Mutant Year Zero, e quando se esperava que este sucessor do estúdio fosse manter as qualidades e ainda corrigir as pequenas falhas do título anterior, eis que falha redondamente em praticamente todos os quesitos.

Atmosfera enamorada, com uma narrativa que não casa

O melhor de Miasma Chronicles é decerto, a sua atmosfera concebida pelo estúdio Sueco. Assumimos o habilidoso mecânico Elvis e o seu companheiro Diggs, um robô criado para ser a sua companhia e proteção, e estes são dois dos vários protagonistas jogáveis nesta aventura pós-apocalíptica dominada pelo miasma, uma entidade cheia de mistérios que assolou o mundo inteiro.

No momento em que o comando nos é literalmente passado para as mãos, Elvis encontra-se a tentar abrir um portão dessa substância com uma luva extremamente poderosa e especial para tal efeito, que o fará supostamente encontrar a sua mãe Bha Mahdi, e com ela algumas das respostas mais questionadas da humanidade restante.

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A história começa empolgante e muito misteriosa, mas logo se torna monótona e até previsível a partir do segundo acto. Já a sua ambientação causada por uma atmosfera audiovisual tremenda, mantém a sua coerência de início ao fim. O jogo apresenta um tom sombrio, com um universo muito bem construído tanto em termos visuais como de background do passado de cada local, normalmente contado por documentos recolhidos pelas várias zonas do mapa em que se situa os eventos de Miasma Chronicles. As faixas e efeitos sonoros complementam extremamente bem este clima pós-apocalíptico de um universo engolido pelo consumismo desenfreado e ambição sem limites que levou a tal desgraça da humanidade.

Um bom detalhe que Miasma Chronicles apresenta é o capricho trabalhado nos equipamentos das personagens. Quando equipas alguma mira ou acessório na tua arma, podes ver em tempo real o seu aspecto mudar, e isso mesmo parecendo algo superficial, acrescenta muito a toda a experiência.

Uma experiência táctica baseada quase sempre na sorte

É normal em jogos de estratégia por turnos existir uma chance de 90% de acertar no inimigo e falhar redondamente, que o diga a franquia XCOM. Se existe matemática, existe chance de falhar. O problema, é quando a estratégia passa a depender completamente da estatística, caso em que Miasma Chronicles se enquadra.

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Mutant Year Zero nunca foi fácil, mas nunca fora tão imperdoável como Miasma Chronicles. Aqui, os desenvolvedores quiseram levar a dificuldade ao limite, com muitas vezes margens nulas de falha, obrigando-te a recorrer ao stealth para uma limpeza obrigatória de inimigos antes do combate a campo aberto, e a reiniciar o checkpoint, vezes e vezes sem conta.

E como evitar tornar a experiência maçante? Não há muito a fazer. Não existe propriamente um grind capaz de desenvolver e preparar os teus personagens para as batalhas que se avizinham. As habilidades por muito que possam ser úteis em alguns momentos, raramente são desequilibradoras ao ponto de vencer um combate. Um dos exemplos de dificuldade é o constante uso de medicina que precisas de ter sempre contigo, uma vez que não recuperas HP de qualquer outra maneira, nem quando evoluis o nível da personagem.

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O dinheiro é algo que deixou de ter valor em Miasma Chronicles, passando a ser contado por apenas papel, e catapultando o plástico para a substituição da economia no país. A ideia é interessante, se o plástico que recolhes nas explorações não fosse tão escasso. A economia está completamente quebrada em Miasma Chronicles, e por muita exploração que possas fazer, acabas sempre por sentir que pouco ou nada consegues adquirir, tendo ainda mais em conta que muitos desses créditos terão que ser usados em medkits.

Claro que tudo isto pode ser amenizado se baixares a dificuldade para modo história, mas neste género em particular, é algo que não consigo fazer e muito menos aconselhar, até porque a história não é assim tão interessante que justifique. A essência de um jogo por turnos em tempo real é sentir que estamos a expor bem os nossos personagens em posições-chave no terreno, e caso isso não aconteça é uma oportunidade perdida. Infelizmente, isto é algo que acontece neste título.

Miasma Chronicles conta com uma árvore de habilidades completamente manipulável com o progredir de nível das tuas personagens. Isto é, poderás adaptar as tuas skills da forma que quiseres antes de cada combate, conforme a situação que te encontras, e assim explorar de melhor forma as fraquezas dos inimigos. Gosto imenso do formato de manipulação de skills desta árvore. Sinto ser uma vertente que dá liberdade ao jogador e nos coloca no comando de forma total e mais imersiva, ainda que com esses entraves mencionados acima.

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Exploração e missões secundárias

Uma boa dica para poupar as tuas economias, é explorares ao máximo cada canto do vasto mapa de Sedentary, e dos seus arredores. Não é que vá adiantar muito, já que a economia é extremamente punitiva, mas pelo menos ajudará com certeza a carregar mais quantidade de material de cura. Edição: Os desenvolvedores já deram a entender numa análise da Steam que Miasma Chronicles terá uma actualização que fará que a economia do jogo fique mais justa e equilibrada.

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Durante as tuas explorações poderás encontrar documentos que contêm pistas para abrir um cofre ou alguma divisão fechada a sete chaves. Estas descobertas geralmente são recompensadas com algum item raro como uma arma ou um chip para equipares nos teus ataques de luva de miasma.

As missões secundárias presentes no jogo são quase sempre fetch quests mas pelo menos tentam sempre introduzir pequenas histórias de personagens secundários. Aconselho a fazeres o máximo de sidequests que conseguires, já que será algo que pelo menos ajudará a sofrer um pouco menos no caso de quereres jogar pelo menos na dificuldade normal, a dificuldade qual investi as cerca de 19 horas de jogo.

Grafismo e desempenho

Os Bearded Ladies criaram o seu jogo mais bonito até à data, isso é certo. Mesmo apreciando mais o estilo muito peculiar de Mutant Year Zero tanto no seu visual como nas cinemáticas de banda desenhada que nos são apresentadas, é inegável que Miasma Chronicles eleva a fasquia a outro nível. Um dos exemplos é na quantidade de partículas nas zonas de maior intensidade de miasma, assim como no impacto que o armamento causa na zona aproximada dos inimigos e nos seus corpos.

Infelizmente como tem sido padronizado após a introdução de algo vantajoso, esta qualidade vem com mais um problema; o fraco desempenho que me comprometeu o hardware da Playstation 5 em muitas ocasiões, deixando o jogo com quedas absurdas da taxa de quadros. Faltou polidez num jogo que é belo, mas que não impressiona.

Miasma Chronicles está disponível para Playstation 5, Xbox Series e PC via Steam.


A equipa Squared Potato agradece a gentileza à editora do código disponibilizado para a plataforma Playstation 5.

CONCLUSÃO
Miasmice
5.5
Igor Gonçalves
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.
miasma-chronicles-analiseMiasma Chronicles é um jogo que não consegue explorar o estilo de estratégia por turnos como o género merece. Apesar de alguns bons momentos, os combates que deveriam ser o foco total, são extremamente punitivos, e o que deveria ter sido uma construção na base estratégica; foi baseada pura e simplesmente na sorte e no acaso.