Quase exatamente 4 anos após o lançamento de enorme sucesso de Moss, a Polyarc brinda-nos com o livro seguinte desta aventura. Numa sequela que pega diretamente no momento que deixámos a meio no 1º título da saga, Moss 2 dá agora, que já estamos ambientados com a história, a oportunidade de escalar a dificuldade e o desafio desta obra para o épico que Moss sempre prometeu ser. Como estarão as nossas adoráveis personagens após tantos anos? Será este um capítulo final à altura do anterior que acabou por levar o nosso 10/10? É o que vamos descobrir.

Antes de mais, quero aproveitar a famosa introdução com que este Moss 2 nos cumprimenta e que para muitos deve ser do mais relacionável possível. Isto porque a narradora nos explica que embora os anos se passem, e tu já não te lembres muito das nossas personagens e da sua história, caro leitor, irás descobrir que estas personagens nunca se esqueceram de ti. Isto foi apenas a pontinha do iceberg de situações com que Moss 2 acerta e interage contigo de uma forma difícil de explicar mas que é muito especial. 

Continuando com a animação brutal a que a Polyarc nos habituou, onde temos ciclos perfeitos que não são só o típico andar, correr e o saltar obstáculos. Temos também dentro destes ciclos o mostrar da dificuldade e fragilidade com que a pequena Quill ultrapassa esses colossos desafios no seu caminho. Para além disto temos também o regresso de momentos que incrementam o desenvolvimento do nosso elo através das nossas interações, como que se a personagem de Quill tivesse mesmo vida própria. De facto, à algo que estou mesmo mortinha por falar nesta análise, que é para mim uma espécie de inovação na interação do jogo com o jogador. 

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Sempre achei que seria engraçado jogar um jogo onde não controlasse totalmente a personagem, como se ela tivesse algumas coisas a dizer sobre o que queremos que ela faça, podendo até rebelar-se, contudo aqui tive uma das interações de mais tirar o chapéu enquanto jogadora. Todos sabemos que enquanto estamos constantemente a tentar passar um nível e morremos consecutivamente, esse torna-se chato e só queremos apressar-nos a chegar ao ponto que estamos a resolver no puzzle. No entanto, eis que para meu espanto, de repente, dou por mim a estranhar a Quill não ir para o local para onde já lhe estava a dar direções no comando. Confusa, volto a olhar para Quill, e eis que a vejo no início do nível a esticar os braços e a baixá-los devagar como que a dizer “Ei! Calma, vamos com calma.”. Escusado será dizer que o meu chapéu voou nesse momento. Não me recordo de em algum jogo ter visto algo assim. Já imaginaste se em Hades o Zagreus te fizesse uma cena destas ao entrar numa nova sala por estar cansado e com pouca vida?

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Como se só por si estes pequenos detalhes de interações personagem-jogador não fossem já algo totalmente fora da caixa, temos então a segunda parte desta história, onde já sabíamos que algo dentro do épico iria nos brindar, mas não estávamos igualmente preparados para os twists, as emoções, os altos e baixos que tivemos pelo meio. Se na análise anterior eu mencionei o momento em que vemos Quill aninhada a dormir, e disse que esse é um momento que fala com o nosso coração, aqui eu quero que vivas esta história sem conhecimento prévio algum para entenderes melhor o quão certeira ela te acerta. Não há como dar mais relevo à genialidade com que somos conduzidos nesta montanha-russa, e não posso mesmo me esticar mais aqui. Posso no entanto dizer que contamos com mais personagens abordo desta saga que vêem a enriquecer o ritmo do enredo.

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Passando para a parte da jogabilidade em si, é de salientar que foram introduzidas novas mecânicas nos puzzles, sendo estas bastantes até. Desde diferentes mecânicas para diferentes tipos de armas, a novas formas de circularmos entre várias secções do mesmo cenário. O que acho no entanto é que a nível do Reader, a nossa personagem, não apresenta novidades. Fazemos o mesmo que sempre fizemos, que é tocar aqui ou além, mexer nisto e naquilo, embora também não veja o que mais poderíamos nós fazer neste papel. Contudo, e infelizmente, continua a ser um pouco chato controlar esta mão invisível que faz tracking ao DualShock 4 (sim porque o jogo ainda não suporta o DualSense). 

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Já tendo jogado vários jogos no PlayStation VR, digo que entre este, os Meta Quest (1 e 2) e os Rift, o PSVR é o meu headset favorito por ser o mais confortável de todos. No entanto no que toca ao tracking temos aqui um problema grave, qual não é questão dos jogos em si mas sim do próprio kit de VR da PlayStation. Situações de que são exemplo tentar-mos chegar com o comando para perto de um sitio, sendo o comando as nossas mãos virtuais, mas damos com uma barreira invisível que este não transpõe até andarmos ali a fazer reset à vista com alguma insistência e a mexer-nos como malucos. Espero mesmo ver um melhoramento significativo nisto no PSVR2, por mim deixaria tudo o resto igual, eu só quero é que ele funcione como deve de ser.

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A criatividade a nível de construção dos cenários e de complexidade dos mesmos, teve melhorias na minha opinião. Temos mais detalhes, mais objetos, o que consequentemente significa mais louça para partir, mas não só: um melhor aproveitamento das novas mecânicas de deslocação e claro, mais caracterização e detalhes. Seria pecado não mencionar as inúmeras pinturas e estátuas famosas que agora vivem nas paredes do castelo e de tudo o que era habitação, onde temos o pequeno twist de que nelas ao invés das caras humanas que esperaríamos ver, figuram sobretudo ratos e outros animais. 

A nível de inimigos que populam estes cenários temos pouquíssimas novidade. Alguns tiveram um upgrade para receberem armaduras muito resistentes, mas tirando isso, já é um pouco enfadonho lutar contra estes. Senti que a presença dos mesmos foi reduzida por essa mesma razão, e só nos dão realmente trabalho quando estamos perante um boss que os usa como carne para canhão, embora ainda surjam aqueles níveis onde somos obrigados a derrotar waves de inimigos para desbloquear uma porta.

Moss: Book II está disponível para PlayStation VR, e chegará durante o verão aos Meta Quest 2.

CONCLUSÃO
Uma Magnum Opus para a Polyarc e para o VR.
10
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
moss-book-ii-analiseUma aventura que se conclui e que se revela como O Jogo que qualquer jogador de VR tem obrigatoriamente de ter na sua biblioteca. Desde o coração da Polyarc que ressoa com o nosso num carrossel de emoções, à história muito bem trabalhada, desde o nível de animação incrível a uma interatividade que permite criar um elo jogador-personagem preciosíssimo, desde mecânicas fresquissimas a um novas personagens enriquecedoras. Caro leitor, Moss e Moss: Book 2 são prescritos pela Squared Potato a qualquer detentor de um headset VR.